Tarifa do transporte coletivo de Londrina aumentará para R$ 6,25
Novo valor entrará em vigor na próxima segunda-feira, dia 19; último reajuste ocorreu em 2024
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Novo valor entrará em vigor na próxima segunda-feira, dia 19; último reajuste ocorreu em 2024
Jéssica Sabbadini e Luis Fernando Wiltemburg 

Os passageiros do transporte coletivo de Londrina passarão a desembolsar R$ 6,25 na tarifa a partir de 0h da segunda-feira (19). O anúncio foi feito na manhã desta quinta-feira (15) pelo presidente da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), Fabrício Bianchi, e representa um aumento de 8,7% em relação ao valor atual, de R$ 5,75.
Bianchi justificou o reajuste devido ao custo que o sistema tem em Londrina, aliado a investimentos que as concessionárias são obrigadas a fazer na frota por força de contrato.
“Nós estamos falando de praticamente 102 carros novos, uma frota em que mais de 55% são equipados com ar-condicionado, com carregador de celular. E de agosto de 2025 até janeiro de 2026, nós mapeamos um aumento de quase 10% no volume de passageiros pagantes passando a usar o transporte coletivo”, afirma.
A frota é composta de 384 veículos e, segundo Bianchi, esse número está muito próximo ao de cidades paranaenses de mesmo porte, mas com o diferencial de oferecer diferenciais, como os citados ar-condicionado, tomadas e wifi.
Além disso, segundo ele, a frota de Londrina tem um média de dois anos de uso, muito diferente do que acontece em Curitiba, por exemplo, em que grande parte dos veículos passa dos 10 anos, podendo chegar a até 20.
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Último reajuste em 2024
O último reajuste da tarifa ocorreu em 1º de janeiro de 2024, último ano do governo de Marcelo Belinati (PP), saltando de R$ 4,80 para os atuais R$ 5,75. No dia 30 de dezembro do mesmo ano, Belinati decretou a manutenção da tarifa do usuário, mas aumentou a tarifa técnica. Isso elevou os custos do subsídio que a prefeitura paga sobre a tarifa para cerca de R$ 175 milhões, disse Bianchi.
O presidente da CMTU também recordou que os reajustes anteriores da tarifa foram dados em percentuais bem acima do que passa a vigorar em 2026. “De 2024 para 2025, vinha-se seguindo uma média histórica de aumento na tarifa técnica, que é o valor total, em torno de 30%, 35% nos últimos anos. A tarifa pública, que é o quanto usuário paga, vinha sofrendo um aumento médio em torno de 20%. Então, de R$ 4 [em 2022] ela foi para 4,80 [em 2023), o que dá 20%. De R$ 4,80, foi para R$ 5,75 [em 2024], aumentou 19,8%”, comparou.

Em maio de 2025, o prefeito Tiago Amaral (PSD) decretou que o valor para o usuário não sofreria reajuste. Entretanto, pelo decreto de Belinati, a tarifa técnica, que é a parte subsidiada, subiu de R$ 8,75 em 2024 para R$ 11,84 em 2025, no caso da TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina), e de R$ 8,26 para R$ 10,22 nos mesmos períodos de comparação, para a Londrisul. As duas empresas são responsáveis pelo serviço no município.
Já para 2026, o aumento da tarifa técnica foi de 0,14% para a TCGL e de 6,20% para a Londrisul, bem abaixo dos 3,5% solicitados pela primeira concessionária e dos 17% pleiteados pela segunda.
Mais caro que a capital
Apesar da argumentação de que o reajuste aplicado em 2026 é menor que os dos últimos anos, a tarifa do transporte coletivo de Londrina torna-se mais cara que a cobrada em Curitiba, onde a passagem custa R$ 6. Também é mais alta que a aplicada em outros municípios de grande porte do Paraná, como Maringá (R$ 5,25), Ponta Grossa (R$ 5 de segunda a sábado e R$ 2 aos domingos), Cascavel (R$ 4,65) e Foz do Iguaçu (R$ 5).
Na comparação com Curitiba, Bianchi reforçou que a frota da capital tem vários ônibus com mais de dez anos de uso.
Ele também compara com outras cidades do porte de Londrina, como Joinville (SC), que tem 664,5 mil habitantes, e Caxias do Sul (RS), com 517,4 mil habitantes. Em ambas as cidades, o valor da tarifa é de R$ 6,50.
Passageiros reclamam
Entre os usuários, a notícia do reajuste da tarifa do transporte coletivo é vista como um absurdo, já que, de acordo com a avaliação de quem pega o ônibus todo dia, o preço pago não representa a qualidade do serviço prestado. Até mesmo alguns aposentados, que não pagam mais a tarifa, rechaçam o aumento.
A técnica de enfermagem Beatriz Elicker, 30, afirma que o aumento de R$ 0,50 é injustificável, já que na grande maioria das vezes precisa ficar em pé durante todo o trajeto por conta da superlotação dos ônibus. “Vai subir mais uma vez a passagem desnecessariamente”, opina.
Segundo ela, outra crítica é em relação aos horários dos ônibus, que estão sempre mudando, o que atrapalha a rotina, ainda mais para ela que tem uma bebê em casa. “Nunca bate o horário. Então, ou a gente chega muito cedo no trabalho, ou chega atrasado. Quando chove, é um caos”, relata.
Ela conta que embarca às 11h30 para conseguir chegar 12h40 no trabalho. Na volta, a linha que ela utiliza alterou o horário das 19h para às 19h20 recentemente, fazendo com que chegasse muito tarde em casa. Por isso, vem saindo mais cedo do trabalho para conseguir voltar para casa em um horário melhor.
A auxiliar de serviços gerais Claudionice Bueno, 58, pega o transporte coletivo às 6h30 no Terminal Milton Gavetti (zona norte), de segunda a sábado, para ir ao trabalho. “Ao invés de colocar mais ônibus na linha, eles tiraram. Se vai subir [o valor da tarifa], tem que aumentar mais ônibus para o cidadão. Eles querem ganhar em cima do bolso dos pobres”, dispara. Na prática, para ela, não existe benefício algum para o usuário.
Aos sábados, quando o número de ônibus é ainda menor, Bueno explica que prefere optar por chamar um carro de aplicativo para evitar ficar aguardando muito tempo no ponto, o que ela relata também ser perigoso.

Empresas
Em nota, a Transportes Coletivos Grande Londrina disse que vai atualizar os novos valores da tarifa assim que receber o decreto oficial do município. “A empresa segue trabalhando em parceria com a gestão municipal para continuar fazendo do transporte coletivo de Londrina o melhor do Brasil”, complementa.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Londrisul disse que não irá se manifestar sobre o assunto.
Vias exclusivas
O presidente da CMTU destaca que um dos projetos que vem sendo pensados em parceria com a TCGL é o retorno das vias exclusivas para ônibus nos horários de pico, o que vai permitir que os passageiros cheguem mais rápido ao destino do que se estivessem de carro, por exemplo.
Segundo Bianchi, isso vai ser possível graças às câmeras de segurança que são instaladas nos ônibus, permitindo conectar diretamente o ônibus com a central de trânsito da CMTU e com a Guarda Municipal para apurar possíveis irregularidades nas vias exclusivas.
Número de usuários cresceu
O presidente da CMTU também destaca que em 2025 Londrina conseguiu ampliar em quase 10% o número de usuários do transporte coletivo. Isso, de acordo com ele, só foi possível graças ao investimento na frota, com a aquisição de mais 100 veículos já com ar-condicionado. “Esses vários pontos levam o munícipe a perceber que está legal andar de transporte coletivo hoje, que está melhor, que vai bem, que não está lotado, está mais confortável”, explica.
Dos mais de 1,62 milhão de usuários do transporte coletivo de Londrina em 2025, em torno de 97% deles utilizam o vale-transporte, o que Bianchi considera como um número muito elevado. Além disso, ele destaca que o número de pagantes que não utilizam o vale-transporte também cresceu, o que demonstra que mais pessoas estão escolhendo o transporte coletivo como meio para chegar ao destino.
(Atualizada)


