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Londrina

Cidades

m de leitura Atualizado em 22/07/2022, 13:35

Suspeito de duplo homicídio em Ibiporã presta depoimento à Polícia

Segundo o delegado, ele negou as acusações, mas imagens de câmeras de segurança poderão ajudar a desvendar o crime

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de julho de 2022

Micaela Orikasa - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Divulgação/Prefeitura de Ibiporã
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A Delegacia de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), que investiga o duplo homicídio registrado no bairro Terra Bonita, conseguiu localizar um dos principais suspeitos do crime. Na madrugada de quinta-feira (21), duas mulheres foram mortas com disparos de arma de fogo e um bebê de três meses foi ferido na mão, dentro de uma residência, na rua Ponta Grossa. 

“Conseguimos localizar um dos suspeitos, que é uma das pessoas citadas inicialmente como um dos suspeitos. Ele prestou depoimento na unidade policial e também foi ouvida uma outra pessoa que confirma que este estava em sua residência na hora do crime. Imagens de segurança estão sendo localizadas e poderão confirmar se ele estava em sua residência ou não, o que seria um forte indício de que não teria sido ele o executor do crime”, diz o delegado Vitor Dutra.  

De acordo com ele, neste primeiro momento da investigação “a Polícia busca salvaguardar as imagens das câmeras de segurança e outras provas que podem ajudar a desvendar o caso. Nossa equipe está empenhada neste momento para tentar localizar essas provas de segurança, nas proximidades da residência desse primeiro suspeito e aguardamos análise dessa documentação para podermos realizar, durante a semana, outros depoimentos para trazermos novos elementos sobre a autoria do crime”, afirma.  

Nesta manhã de sexta-feira (22), os corpos de Andrea Sabino, 49, e Rebecca Kapusta, 23, foram sepultados no Jardim da Saudade (zona norte) e no cemitério São Pedro (região central), respectivamente, em Londrina. De acordo com o delegado, Sabino era sogra de Kapusta, mãe do bebê que sofreu um ferimento na mão. Ele não deu detalhes sobre o depoimento e disse que o rapaz “negou o crime apenas”. A principal linha de investigação da Polícia considera o crime de feminicídio, mas a Polícia não descarta outras motivações. 

COMBATE AO FEMINICÍDIO 

Também nesta sexta, um ato público no Calçadão de Londrina marcou o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. A data foi instituída no Paraná em memória ao feminicídio da advogada Tatiana Spitzner, ocorrido em Guarapuava (Região Central) em 2018, e visa conscientizar a população sobre a importância do combate a todos os tipos de violência de gênero, como a agressão física, psicológica, moral, patrimonial e sexual.  

Imagem ilustrativa da imagem Suspeito de duplo homicídio em Ibiporã presta depoimento à Polícia Imagem ilustrativa da imagem Suspeito de duplo homicídio em Ibiporã presta depoimento à Polícia
|  Foto: Micaela Orikasa - Grupo Folha
 

Além deste ato realizado pelo CMDM (Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres) e a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres de Londrina, a data marca o início da semana de conscientização sobre os direitos humanos das mulheres e o combate ao feminicídio (Lei Municipal nº 12.939), que segue até o dia 29 de julho em Londrina.  

“A violência contra a mulher, de forma em geral, está banalizada e uma ação como esta é uma forma de dizermos que não aceitamos esse tipo de violência em hipótese nenhuma, quem dirá o feminicídio. Hoje é um dia triste, de luto, de protesto, de resistência e de dizer que não aceitamos mais que a sociedade trate as mulheres dessa forma, de uma forma que elas não podem ser elas mesmas, ter autonomia dos seus corpos, de suas ideias”, ressalta Sueli Galhardi, presidenta do CMDM. 

No Brasil, o feminicídio é considerado um crime hediondo, ou seja, acarreta penas mais severas. De acordo com o Anuário Brasileiro da Segurança Pública 2021, no ano passado ocorreram 1.341 feminicídios no país. No Paraná, houve um aumento de 73 casos para 75, entre 2020 e 2021. As informações foram divulgadas pelo Néias - Observatório de Feminicídios Londrina, uma organização da sociedade civil que surgiu em 2021, após um grupo de feministas ativistas se organizarem para dar visibilidade e acompanhar o julgamento do feminicídio tentado cometido pelo marido de Néia, Cidneia Aparecida Mariano da Costa, de quem ela estava tentando se separar. 

“Ontem, tivemos um duplo assassinato de mulheres na nossa região que é tido, a princípio, como passional. Temos que desmistificar isso, porque não é passional. Estamos falando exatamente de feminicídio. Nominar o feminicídio é dizer que as mulheres estão morrendo pelo simples fato de serem mulheres, pelo fato de elas quererem estar presentes na sociedade, ocupando o seu lugar e estão sendo impedidas através da violência. Normalmente, os feminicídios acontecem porque eles (os homens) não aceitam o fim do relacionamento. O caso da Néia é simbólico para dar visibilidade a esse tema e traz exatamente um crime de ódio, de tortura, onde a mulher sofreu até a morte”, diz. 

Galhardi explica que o CMDM tem o papel de garantir os direitos das mulheres e ampliá-los. “Entendemos que todos os órgãos de defesa das mulheres têm que dialogar enquanto política pública e em todas as transversalidades porque estamos enfrentando exatamente um fenômeno social”, afirma. 

VISIBILIDADE

Dados da Prefeitura, em Londrina, mostram que somente no primeiro semestre deste ano, 224 mulheres foram atendidas pelo setor de acolhida do CAM (Centro de Atendimento à Mulher) e outras 154 pelo setor de busca ativa (que vai até as vítimas informadas diretamente pela rede de serviços de saúde, assistência social e outras). Ao todo, no CAM, 4.140 atendimentos foram realizados às vítimas nos seis primeiros meses deste ano, entre orientação jurídica, atendimento psicológico e de serviço social. Entre essas vítimas, a Casa Abrigo Canto de Dália acolheu 76 pessoas, sendo 29 mulheres que sofreram tentativas de feminicídio ou grave ameaça e 47 seus filhos menores de 18 anos. 

“Temos trabalhado no sentido de sensibilizar a imprensa e a sociedade, dando visibilidade aos casos de feminicídios e tentativas de feminicídio na comarca de Londrina. Percebemos que estamos conseguindo mudar um pouco o discurso e levá-lo pra a mídia sobre o machismo, mostrar que é uma questão estrutural e eventos como este de hoje, podem fazer as pessoas pensarem sobre, reconhecerem situações de violência e saberem onde recorrer”, diz Cecília França, integrante do Néias.  

Organizado por voluntárias, o Observatório de Feminicídios de Londrina busca ampliar o trabalho com a criação de um banco de dados próprios sobre as tentativas e feminicídios consumados em Londrina e região.  (Com Néias - Observatório de Feminicídios Londrina)

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