A Secretaria Municipal de Educação promoveu no início da semana o Simpósio Interculturalidades na Educação Básica, com o tema “A presença negra e indígena no currículo”. A iniciativa, realizada na UEL (Universidade Estadual de Londrina), reuniu 185 participantes, incluindo gestores e professores da rede municipal de ensino, alunos e professores da instituição de ensino superior.

O simpósio aproximou o conhecimento acadêmico da realidade das escolas. A proposta teve o objetivo de oferecer aos professores e gestores ferramentas e reflexões que contribuam para a construção de um currículo que valorize as culturas negra e indígena, combata o racismo e respeite a diversidade.

A iniciativa também visou articular a reflexão prática e teórica da Política Nacional de Educação das Relações Étnico-Raciais e das diretrizes da Educação das Relações Étnico-Raciais, integrando a UEL, a Rede Municipal de Ensino da Prefeitura, o Neab (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro) e a Cuia (Comissão Universidade para Indígenas) da UEL.

O simpósio contou com diversas autoridades da área e com a participação de seis palestrantes. Estiveram presentes os professores doutores Allan Rodrigues, da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), Adriana de Jesus e Marleide Perrude, ambas da UEL, os professores Bruno Ferreira, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Joaquim Adiala Hara Guarani e Damaris K. F. M. Kaingang, também da UEL.

Durante os dois dias, as mesas de discussão abordaram a importância da inclusão das temáticas afro-brasileiras e indígenas no currículo escolar, promovendo reflexões sobre a Educação para as Relações Étnico-Raciais nas escolas. Após as exposições dos convidados, os participantes tiveram a oportunidade de fazer perguntas e dialogar com os palestrantes. As contribuições ajudaram a ampliar o repertório cultural dos educadores e a oferecer subsídios para o desenvolvimento de práticas pedagógicas em sala de aula.

O encontro também reuniu uma exposição de livros com a temática afro-brasileira e indígena, a Exposição de Arte Étnico-Racial local, além de jogos pedagógicos. O público presente acompanhou ainda uma apresentação cultural kaingang da Artein (Articulação dos Estudantes Indígenas) da UEL e contação de história, feita pela professora Almerita de Paula. Houve também o lançamento do livro “Quando as flores murcham ao desabrochar”, de Reginaldo Alves, cacique da Terra Indígena Pinhalzinho, escritor e cineasta guarani.

Para a professora Eliane Aparecida Candoti, do Apoio Pedagógico de História e Educação para as Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal da Educação, o simpósio foi importante por promover discussões não apenas sobre a presença indígena e negra no currículo escolar, mas também sobre as ausências e os motivos que levam a elas, relacionando essas questões ao cotidiano das escolas. “O papel da escola vai além do ensino da leitura, da escrita e da matemática, envolvendo também a formação de cidadãos capazes de compreender o mundo e contribuir para uma sociedade mais humanizada e equânime”, disse.

Segundo a professora, as reflexões do encontro serão importantes para orientar a elaboração de documentos da rede municipal, construídos em conjunto com os professores. “Nós estamos redigindo o Plano Municipal de Educação, revendo e reescrevendo as diretrizes curriculares do município. Também entregamos, recentemente, o Plano Municipal pela Primeira Infância, que ainda tramita dentro da Prefeitura e deve, em breve, ir para a Câmara dos Vereadores”, contou.

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Candoti também ressaltou a importância da participação dos palestrantes, destacando a contribuição do professor Bruno Ferreira, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), indígena da etnia Kaingang, cuja trajetória é marcada pela atuação na educação nacional e pelas discussões sobre currículo escolar. “Todas as contribuições chegam ao chão da sala de aula, à prática docente. Foram dois dias intensos de formação, com a constituição das comissões de diversidade e a participação de dezenas de professores. Tudo isso nos leva a refletir sobre a prática e sobre o fazer na educação”, enfatizou.

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