Reforma no Terminal de Londrina atinge apenas 8%
Informação foi obtida no Portal da Transparência da Prefeitura; obra deveria ser concluída em 10 de abril
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de março de 2026
Informação foi obtida no Portal da Transparência da Prefeitura; obra deveria ser concluída em 10 de abril

Vereadores que integram a Comissão de Administração, Serviços Públicos, Fiscalização e Transparência da Câmara Municipal de Londrina estiveram na manhã desta segunda-feira (23) no Terminal Urbano Central para acompanhar o andamento das obras de revitalização do espaço. De acordo com o Portal da Transparência da Prefeitura de Londrina, apenas 8,12% da obra foi executada. Os serviços começaram em agosto de 2025 e o prazo de conclusão é 10 de abril.
Durante a fiscalização, foi informado que nenhum funcionário da empresa estava no local.
Com custo de R$ 1,09 milhão, a obra começou a ser executada em agosto de 2025 pela Quimicons Engenharia, empresa de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba.
O projeto da obra envolvia a recuperação estrutural do terminal, com o reforço nas estruturas de concreto e a solução para as infiltrações que afetam o local, que atende mais de 44 mil pessoas todos os dias.

Na prática, o que se pode ver está muito aquém do esperado para uma obra que já perdura por sete meses e deveria terminar no início de abril. Nas plataformas por onde os ônibus trafegam, diversos cortes no asfalto foram feitos para que a estrutura pudesse ser reforçada, mas seguem inacabados, o que impossibilita que os veículos passem pelos pontos. Espalhados pelos cantos, era possível ver diversos montes de areia e entulhos.
Algumas das paredes que também devem passar por uma revitalização estão com as obras inacabadas e sem os retoques finais. No piso inferior, onde ficam armazenados os materiais de trabalho e equipamentos utilizados pela empresa na obra, não há sinal de que o trabalho tenha começado nesse início de semana. Uma fita impedia a entrada, assim como os cones.
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Escadas rolantes
O vereador Chavão (Republicanos), que preside a Comissão de Administração, Serviços Públicos, Fiscalização e Transparência, explica que a principal reclamação que chega aos gabinetes dos parlamentares é em relação às escadas rolantes. Ao checar o andamento das obras no SEI (Sistema Eletrônico de Informações), segundo ele, não há informações sobre o que vem sendo feito exatamente na reforma estrutural do terminal.
“Era para ter uma transparência no SEI, era para ter um resumo transparente para nós”, cobra, ressaltando que apenas ao chegar no local que os membros da comissão ficaram sabendo que o conserto da escada rolante não estava previsto no contrato. “Essa é a principal demanda da população”, afirma.
Além disso, outro problema encontrado pelos vereadores foi o fato de que nenhum funcionário da empresa estava trabalhando na obra. “Chegar aqui numa segunda-feira e não ter um responsável pela empresa no local, não tem ninguém trabalhando, já que a obra vai ser entregue dia 10 de obra”, frisa. “Eles praticamente não fizeram nada”, aponta, reforçando que a obra custou mais de R$ 1 milhão aos cofres públicos.

Mais informações à prefeitura
Ele afirma que, após a visita, a comissão deve solicitar diversas informações à Prefeitura de Londrina, assim como convocar um representante da empresa responsável pela obra para prestar esclarecimentos no plenário da Câmara, assim como o secretário de Obras, Otávio Gomes. “Da maneira que está nós não podemos aceitar. A população está no prejuízo”, ressalta.

O vereador Régis Choucino (PP), que também integra a comissão, lamenta a situação que os usuários do transporte coletivo de Londrina precisam enfrentar para poder trabalhar. A partir de agora, ele aponta que a comissão vai intensificar os pedidos de informação para que elas cheguem o mais rápido possível.
“Claramente a obra não termina no dia 10 de abril. Não tem nenhum trabalhador aqui trabalhando nessa obra, não tem nenhum funcionário da empresa trabalhando nessa obra”, afirma, opinando que, na visão dele, o correto seria penalizar a empresa ao invés de conceder aditivos de prazo.
PREFEITURA
A Secretaria Municipal de Obras e Pavimentação (SMOP) informa que as obras de recuperação estrutural do Terminal Central Urbano foram iniciadas no dia 18 de agosto de 2025 e tinham previsão inicial de conclusão em 150 dias.
Segundo a pasta, após o início das obras, em outubro de 2025, foram identificadas divergências nos quantitativos de alguns serviços, além de serviços inicialmente não previstos na estrutura de contenção do terminal (no chamado “caixão perdido”) e uma alteração no projeto de impermeabilização das marquises.
Ainda de acordo com a Secretaria, foi necessário, então, fazer um levantamento do quantitativo de novos serviços “in loco” e na sequência elaborar uma planilha de readequação de metas para aprovação do aditivo contratual.
Após isso, como se trata de uma obra realizada com recursos da Caixa Econômica Federal, foi necessário encaminhar toda a documentação para o agente financeiro, o que ocorreu em dezembro de 2025.
Posteriormente, a pedido da Caixa, a pasta anexou nova documentação ao processo e só no último dia 10 de março, recebeu a resposta do agente financeiro autorizando a continuidade do processo de aditivo contratual de 60 dias.
Com a autorização, o valor da obra, que inicialmente era de R$ 1.098.800,00, foi acrescido em R$ 182.395,58, passando para R$ 1.281.195,58, e o prazo de entrega foi prorrogado em 60 dias, vindo a vencer no próximo 8 de junho.
Com a reforma, será reforçada a estrutura em concreto armado do terminal, com reparos e recuperação de diversos pontos onde há infiltrações e corrosões, trazendo mais segurança e conforto para usuários e profissionais que trabalham ali, principalmente nos dias de chuva.
Vale ressaltar que, apesar da complexidade dos serviços e do fato de ser o maior terminal do transporte coletivo da cidade, ocorreram apenas alterações pontuais no seu funcionamento ao longo dos últimos meses, sem prejuízo para os usuários
(Atualizada às 17h15)


Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.





