Imagem ilustrativa da imagem Quarenta anos em cinco
| Foto: Marcos Zanutto



Na matemática, a teoria dos conjuntos aponta que a soma de dois ou mais conjuntos se chama união. Palavra bela que pode definir também o sentimento dos moradores da zona norte de Londrina, em especial da região conhecida como Cinco Conjuntos, que em 2018 completa 40 anos do início das obras, e que pode ser considerado o embrião de vários empreendimentos habitacionais. A região do Cincão, na verdade, é formada por 24 conjuntos e jardins.

A região ficou conhecida como Cinco Conjuntos porque na época as construções dos conjuntos habitacionais não tinham nome e nem endereço. "Como havia vários conjuntos sendo erguidos ao mesmo tempo, foram as pessoas que trabalhavam nas obras que começaram a identificar dessa forma, para facilitar a entrega de materiais. Os Cinco Conjuntos iniciais eram Aquiles Stenghel, João Paz, Luiz de Sá, Semíramis Barros Braga e o Sebastião de Melo César, que ficavam bem agrupados", aponta o engenheiro Luiz Sípoli, ex-diretor técnico da Cohab-Ld (Companhia de Habitação de Londrina), que já estava na companhia na época das obras.

LEIA MAIS
'Aqui era difícil', conta morador
Historiadora viu a região crescer

Ele relembrou que antes de 1977 o setor da construção civil estava estagnado. "A construção civil sempre foi muito importante para a economia, mas é cíclica. Naquela época muitas construtoras estavam 'com a corda no pescoço', fechando e mandando gente embora. Quando começaram as construções dos conjuntos habitacionais, houve movimentação no mercado mais primário."

O primeiro núcleo habitacional construído na zona norte foi o Ruy Virmond Carnascialli, com 549 casas, em 1977. No mesmo ano teve início a construção do Milton Gavetti, composto por 740 casas; e os conjuntos Parigot de Souza 1 e 2, em um total de 1.170 moradias. Foi em 1978 que começou a construção de alguns dos conjuntos que passaram a ser conhecidos como Cincão: Aquiles Stenghel (1.000 casas), João Paz (814), Semíramis Barros Braga (817) e Chefe Newton Guimarães (287). Os últimos conjuntos concluídos, nessa época, foram o Sebastião de Mello Cesar (350) e o Jácomo Violin (1536). A edificação desses conjuntos elevou o quadro de funcionários da Cohab-Ld para 200 pessoas, dos quais 50 eram fiscais de obras.

Atualmente a zona norte possui 126.305 habitantes e, segundo o Censo do IBGE, 45.334 residem nos Cinco Conjuntos. Os moradores dessa região representam 8,15% da população do município. "Hoje tenho 67 anos, e na época não tinha ideia do que ia acontecer. Me sinto privilegiado por ajudar a mudar a história de Londrina. Resolveu o problema habitacional? Não, mas na nossa época pelo menos o essencial tinha. Os conjuntos foram entregues com centro comunitário, uma cancha e uma escola municipal. Havia também praças nos projetos, mas com o passar dos anos a área de muitas delas acabou sendo utilizadas para edificar postos de saúde ou escolas", afirma Sípoli.

Imagem ilustrativa da imagem Quarenta anos em cinco



CRÍTICAS

Ele admite que houve muita crítica por construir os conjuntos distante do centro da cidade e que as pessoas afirmavam que o BNH queria discriminar a população pobre. "Não houve nada disso. Existia uma limitação técnica. Dava para colocar 50 casas por alqueire, mas por norma do banco despesas com o terreno, abertura de rua, implantação de sistemas de luz e água, entre outros, não podiam passar de 12% do valor total da casa. Fizemos as contas e como as áreas rurais próximas da área urbana eram mais caras, escolhemos os terrenos distantes. Procuramos sítios que podiam ser adquirido por esse preço", justifica. Ou seja, a região dos Cinco Conjuntos não passava de lavouras pertencentes a agricultores do patrimônio Heimtal.

Sobre a falta de infraestrutura como asfalto e esgoto, ele explicou que o BNH financiava habitações e infraestrutura em diretorias distintas. "Na diretoria de habitação não havia burocracia alguma, mas a diretoria de infraestrutura era mais complicada, porque era o município quem efetuava o contrato", relembra.
"Como o município não era agente financeiro, o contrato tinha de passar por Curitiba, e o endividamento deveria passar pelo Senado. Isso fez com que houvesse uma defasagem entre a entrega das casas e a implantação da infraestrutura."

mockup