'Aqui era difícil', conta morador
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terça-feira, 13 de novembro de 2018
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Embora hoje a região dos Cinco Conjuntos esteja bastante urbanizada, com uma ampla variedade de comércio e infraestrutura consolidada, no início não foi tão fácil morar ali. O mecânico José Adão Fonseca, 71, chegou a Londrina em 1976 e se mudou para o conjunto João Paz em 1980. "Aqui era difícil. Nós não tínhamos ponte, não havia ônibus e não tinha água encanada", recorda-se. "A gente buscava água na caixa d'água que existiu até no ano passado, localizada na Avenida Saul Elkind com a rua Félix Chenso", diz ele, informando que a região carecia ainda de hospital e posto de saúde.
O deslocamento do bairro para outros pontos da cidade também era bastante difícil. "Para atravessar o ribeirão Lindóia a comunidade se uniu e fez uma pinguela de madeira, mas tínhamos que andar no meio do mato. No lugar onde hoje é o lago Norte também fizemos uma ponte de terra, mas quando chovia as águas levavam toda a terra e tínhamos de refazê-la", relembra Fonseca.
Ele ressalta que a casa no João Paz era simples. "Pagava pouco pela prestação. A casa tinha 21 metros quadrados e tinha só cozinha e o quarto. No cantinho tinha um banheiro de um metro por um metro." Outro fato que guardou na memória é o telefone público. "Só tinha dois telefones públicos no Cinco Conjuntos. A fila para usar o orelhão era enorme. E só a padaria e a lanchonete vendiam fichas telefônicas. Se acabassem as fichas nesses locais, não tinha como ligar para outras pessoas."

O gerente aposentado de uma loja de móveis no centro da cidade, Osvaldo Fabiani, 76, é outro morador do Luiz de Sá. Ele conta que a empresa em que trabalhava realizava carreatas nos Cinco Conjuntos para chamar a freguesia. "Na época só tinha terra. A gente vinha com quatro ou cinco caminhões e
realizava sorteios para fazer propaganda da loja", explica. "Funcionava. O pessoal ia para a loja, realizava as compras e eu fazia a entrega", destacou. Poucos anos depois ele se mudou para o Luiz de Sá. No poste que fica em frente de sua casa está gravado a data de instalação deles - agosto de 1978. "A imagem que eu guardo daquela época é que não tinha cerca que dividia os terrenos. Eles sabiam onde era o limite das casas, porque a construtora colocava piquetes de madeira para demarcar."
Naquele período a prefeitura proibia comércio fora do centro. "Aqui tinha um mercado chamado Folha Verde, que atendia a região. Aos poucos outros comércios foram abrindo. Para comprar carne a gente ia a um açougue no Heimtal. Onde hoje é o Conjunto Maria Cecília havia um cafezal em que tinha uma trilha onde a gente ia comprar verdura, uva e chuchu", lembra.
O vendedor aposentado Alair de Oliveira, 80 anos, relata que seu pai, José de Oliveira, comprou a casa no João Paz há 40 anos. "No começo dependíamos do Centro para fazer tudo. Não tenho muitas saudades daquele tempo.Hoje acho que está bom. Os Cinco Conjuntos viraram sinônimo de progresso." (V.O.)


