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Londrina

Cidades

m de leitura Atualizado em 27/06/2022, 16:27

Pesquisador formado na UEL é convidado para projeto na França

Rafael Lenzi é autista nível 1 com altas habilidades e conta com um financiamento coletivo para seguir os estudos em semiótica na França

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de junho de 2022

Micaela Orikasa - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Divulgação/Arquivo pessoal
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A dedicação de Rafael Giardini Lenzi, 39, aos estudos em comunicação e semiótica vem abrindo caminhos bem distantes de Londrina, cidade onde se criou desde a infância. Ele nasceu em Goiânia (GO), mas logo mudou-se para o Norte do Paraná e se graduou em Relações Públicas na UEL (Universidade Estadual de Londrina), onde teve contato com sua área de maior interesse acadêmico.  

Lenzi é doutor em Comunicação e Semiótica (estudo da significação) e neste ano foi convidado a desenvolver uma pesquisa de pós-doutorado no Ceres (Centre de Recherches Sémiotiques), da Universidade de Limoges, na França. Para este novo projeto, não há bolsas de pesquisa disponíveis e, portanto, o pesquisador busca ajuda para seguir com os estudos.

Desta vez, Lenzi irá escrever sobre atenção e concentração pela perspectiva da comunicação, a partir de um manual da CIA (agência de inteligência civil do governo dos Estados Unidos) da década de 80. “Adotei esse manual como objeto de estudo porque na semiótica sempre vamos precisar de um objeto para analisar, para explicar como se mensagem é transmitida e qual é o real significado dela. Nesse meu estudo, esse manual está dentro do projeto MK Ultra, um programa ultrassecreto da CIA. Em relação aos desdobramentos da pesquisa é um pouco difícil prever isso, mas inicialmente poderiam ser aproveitados por áreas como marketing, estudos sociais e outros campos que se voltam para a natureza e comportamento humano, além da própria semiótica”, explica. 

Considerando a cotação atual do euro e o período de realização da pesquisa, de 12 meses, a meta de arrecadação do pesquisador é de R$ 80 mil para cobrir despesas de hospedagem, alimentação, transporte e as viagens para apresentações de artigos. A expectativa é aterrissar na França em 30 de agosto.  

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FOCO EM PESQUISA 

O canal de comunicação entre o pesquisador brasileiro e os docentes da Universidade de Limoges, na França, foi um professor da Suíça que em 2019 assistiu a uma apresentação de Lenzi no evento da Associação Internacional de Estudos Semióticos, em Buenos Aires (Argentina). “Ele disse que tinha interesse em publicar meu artigo no grupo de pesquisa deles e, em seguida, me colocou em contato com um professor do Ceres. Enviei o projeto e fui aceito. O convite veio no início deste ano”, lembra.  

No currículo, Lenzi fez mestrado e doutorado em São Paulo e viveu por seis meses em Roma, na Itália, em 2012, sempre se dedicando aos estudos em semiótica, que se intercalam com outras publicações de temas variados como grafite, trânsito, rapel e alimentos como barreado, boldo e chás asiáticos. A partir de uma publicação dele sobre o barreado foi criado o Ateliê da Estesia no CPS (Centro de Pesquisas Sociossemióticas), na PUC-SP, do qual ele faz parte como pesquisador voluntário.  

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

Todo esse interesse em pesquisa é algo que Lenzi alimenta desde a infância, quando aos três anos aprendeu a ler sozinhos as histórias em quadrinhos. Aos seis, já possuía o diagnóstico de altas habilidades na área de linguística e aos 34 anos, teve o diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista) nível 1 de suporte.  

“O diagnóstico só confirmou a suspeita e nos fez entender o porquê de alguns comportamentos e a dificuldade de interação social que ele tem. Sobre o hiperfoco, que resumidamente é um interesse muito grande por determinado assunto ou tarefa, no Rafael vemos a pesquisa como uma atividade em que ele despende muito tempo e concentração. Ele passa horas no quarto pesquisando e escrevendo, e faz anotações sobre o tema que está pesquisando em vários momentos do dia”, comenta a esposa Janaína Stabile Soares Lenzi, psicopedagoga.

Eles estão casados há 11 anos e nessa nova jornada Lenzi irá viajar sozinho. "Já iniciei as pesquisas sobre esse projeto e, devido à falta de financiamento, a concretização disso depende da colaboração das pessoas".

SERVIÇO: Para contribuir com o financiamento coletivo de pesquisa de pós-doutorado de Lenzi, o link é: Financiamento coletivo de pesquisa de pós-doutorado | Kickante. Para falar com o pesquisador, o e-mail é [email protected]

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