A Delegacia de Estelionatos de Londrina deflagrou, na manhã desta terça-feira (23), a Operação Telefone Mudo, tendo como alvo os mandantes de uma associação criminosa especializada em aplicar golpes na venda de celulares de última geração. As vítimas foram atraídas pelos valores abaixo do mercado, mas ao invés de receberem aparelhos lacrados, abriram as embalagens e se depararam com barras de ferro que simulavam o peso dos produtos.

A ação teve apoio da 22ª Subdivisão Policial de Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), visto que o grupo era baseado no município, agindo contra vítimas de Londrina. Um dos articuladores não foi encontrado e é considerado foragido.

Três vítimas registraram boletins de ocorrência até o momento. Explicando como a dupla agia, o delegado Jayme José de Souza Filho informou que o mesmo modelo de celular, de alto padrão, era noticiado em sites de venda ou redes sociais com valor acessível, custando entre R$ 7 mil e R$ 8 mil, e não R$ 14 mil, como em lojas oficiais.

Um dos golpistas encontrava o comprador em um local público em Londrina, ou ainda, um motoboy alheio ao crime era contratado para realizar o serviço. O entregador deixava o local e quando a vítima abria a embalagem, já em sua residência, encontrava uma barra de ferro coincidente com o peso do celular, o que não criava suspeição anterior. A partir daí, os criminosos deixavam de responder mensagens e atender ligações.

Em depoimento à Polícia, os motoboys informaram que não receberam pelo trabalho, também enganados pelo grupo. Disseram ainda que os produtos não eram entregues com notas fiscais que comprovassem a origem dos aparelhos.

Delegado Jayme Filho: é necessário desconfiar quando a oportunidade parece muito boa para ser verdade
Delegado Jayme Filho: é necessário desconfiar quando a oportunidade parece muito boa para ser verdade | Foto: Heloísa Gonçalves

Golpe em outras cidades

Em outro caso relatado por Filho, um homem tentou apenas trocar seu celular novo por outro de cor diferente para presentear a namorada. Ele entregou o aparelho no encontro com os criminosos e pagou uma diferença de R$ 150,00. Ao abrir a caixa, também encontrou uma barra de ferro. As outras duas vítimas já confirmadas, também adultas, pagaram R$ 7 mil e R$ 8 mil.

O delegado considerou o baixo valor o "grande atrativo", pontuando que é necessário desconfiar quando a oportunidade parece muito boa para ser verdade. "E, principalmente, a situação das vítimas iniciarem as tentativas por meio de uma rede social, às vezes, sem ter outras formalidades legais para a comercialização de mercadorias".

Ao abrir a embalagem, cada vítima encontrou uma pequena barra de ferro, imitando o peso do aparelho celular
Ao abrir a embalagem, cada vítima encontrou uma pequena barra de ferro, imitando o peso do aparelho celular | Foto: PCPR/Divulgação

Também confirmou que mais pessoas foram lesadas pelo mesmo grupo, inclusive em outras cidades. “Qualquer vítima aqui em Londrina pode procurar a Delegacia de Estelionato, ou caso seja de outro município, entrar em contato com a sua delegacia respectiva e registrar o boletim de ocorrência para que todos os indivíduos e eventuais demais integrantes venham a ser responsabilizados criminalmente”, disse.

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Falar só em juízo

As equipes cumpriram dois mandados de busca e apreensão domiciliar e um mandado de prisão preventiva em Arapongas, com o homem encaminhado ao sistema penitenciário do município. Um segundo suspeito, também com ordem de prisão preventiva expedida, não foi localizado e é considerado foragido. Ambos os mandantes possuem antecedentes criminais, sendo passagem por tráfico e estelionato. São cinco investigados no total, entre os dois líderes, laranjas que disponibilizavam contas bancárias e pessoas que contratavam os entregadores.

Durante os interrogatórios, “alguns se reservaram para ficar calados e falar só em juízo. O indivíduo que foi preso, que seria um dos responsáveis, confirmou que era ele, mas apresentou uma justificativa que não sabia o que tinha no interior da caixa”, relatou Filho.

Os inquéritos policiais estão em fase final de conclusão pela Delegacia de Estelionatos de Londrina e, nos próximos dias, serão relatados e encaminhados ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para apreciação. As diligências continuam para localizar o segundo investigado. Denúncias podem ser repassadas anonimamente pelos telefones 197, da PCPR (Polícia Civil do Paraná), ou 181, do Disque-Denúncia.

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