A Polícia Civil de Londrina, em conjunto com a Polícia Militar e a Guarda Municipal, deu andamento a uma operação na manhã desta quinta-feira (23) contra uma grupo envolvido na prática de rachas e outras manobras proibidas. Os 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços de Londrina e Cambé, sendo que 13 alvos tiveram a habilitação suspensa.

O delegado de Trânsito de Londrina, Edgard Soriani, explica que o objetivo da operação é desarticular uma associação criminosa envolvida em manobras ilegais com carros. Ele relata que cada integrante da organização tinha uma função pré-estabelecida, como os "olheiros", que vigiavam a presença de policiais ou guardas na região e repassam aos colegas, e os responsáveis pela organização, que faziam reuniões sobre as manobras que seriam realizadas. “E tem que efetivamente participava, realizando as manobras proibidas em local não autorizado e em desacordo com a legislação”, detalha.

Site retirado do ar

As informações sobre os encontros eram postadas em um site comandado pelo grupo e que foi retirado do ar após determinação da justiça. Regiões próximas ao Estádio do Café (zona norte), ao Aeroporto (zona leste) e à Avenida Dez de Dezembro (zona sul) eram os principais pontos de encontro do grupo.

Soriani explica que as diligências mostraram que alguns dos investigados atingiam velocidades próximas a 200 quilômetros por hora em vias em que a máxima permitida é de 70 quilômetros por hora.

Segundo o delegado, a polícia é cobrada diariamente pela população incomodada principalmente pelo barulho causado pela prática ilegal, que também traz riscos à vida das pessoas. Em uma operação conjunta em dezembro contra motociclistas também envolvidos em manobras proibidas, foi identificado um carro que, pouco tempo depois, se envolveu em um acidente que deixou uma pessoa morta.

Delegado Edgard Soriani: velocidade chegava próxima a 200 km/h em vias em que a máxima permitida é de 70 quilômetros por hora
Delegado Edgard Soriani: velocidade chegava próxima a 200 km/h em vias em que a máxima permitida é de 70 quilômetros por hora | Foto: Jéssica Sabbadini

CNH suspensa

A partir daí, as investigações levaram à polícia a 15 suspeitos, sendo que, dentre esses, 13 efetivamente participavam do crime e tiveram a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) suspensa. Caso descumpram a determinação judicial, os alvos podem ser presos preventivamente. “Nós vamos observar atentamente o comportamento desses indivíduos”, garante o delegado.

Com a apreensão e perícia dos celulares, Edgard Soriani aponta que vai ser possível identificar outros integrantes do grupo e qual a função exata de cada um dentro da associação criminosa.

O delegado destaca que muitos frequentadores desse tipo de evento vão apenas para conhecer carros antigos ou modificados, sempre com alto valor agregado. “Isso é ilegal e eles correm riscos”, afirma, complementando que o motorista pode perder o controle do veículo durante um racha e atingir diversas pessoas.

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Os encontros eram realizados à noite, principalmente entre às 20h e 23h. “Eles procuram vias amplas, sem quebra-molas e que possibilitem essas disputas entre os veículos”, detalha. Além do racha, o delegado afirma que manobras conhecidas como arrancadas e o “fritar pneu” também são práticas exibicionistas em desacordo com a legislação e previstas no Artigo 308 do CTB (Código de Trânsito Brasileiro), com pena de até três anos.

Imagem ilustrativa da imagem Operação da Polícia em Londrina e Cambé mira suspeitos de promover rachas em vias públicas
| Foto: PCPR

Associação criminosa

Além do crime de trânsito, o delegado aponta que, por terem funções estabelecidas, o grupo também se enquadra como uma associação criminosa. “Associação criminosa é a união entre três ou mais indivíduos para a prática de crimes. Não precisa ser tráfico de drogas ou roubo, mas, sim, a prática de crimes, nesse caso o de trânsito”, explica, citando que a pena para esse tipo de crime é elevada.

Divulgar o material na internet, enaltecendo uma prática criminosa, também é considerado crime. “Essa somatória de penas vai complicando essas pessoas, que muitas vezes têm posses, têm estudos e acham que isso é esporte. Isso não é esporte, é crime”, afirma.

Como denunciar

Caso a população queira denunciar esse tipo de crime, o delegado afirma que o contato pode ser feito para qualquer força de segurança, seja a Polícia Civil, Polícia Militar ou Guarda Municipal.

(Atualizada)

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