Homem picha xingamentos a pastor em antiga sede de igreja
Local que comportava a Igreja Presbiteriana na região central foi alvo do crime; proprietária atual pintou as paredes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de abril de 2026
Local que comportava a Igreja Presbiteriana na região central foi alvo do crime; proprietária atual pintou as paredes

O prédio da antiga sede da Igreja Presbiteriana na região central de Londrina, localizado no cruzamento das ruas Belo Horizonte e Benjamin Constant, foi pichado com ofensas a um pastor não identificado nesta semana. Duas paredes foram alvo dos dizeres, com uma equipe contratada para pintá-las nesta quarta-feira (22). O autor do crime foi flagrado cometendo o vandalismo à luz do dia com uma mochila nas costas e usando óculos escuros. A GM (Guarda Municipal) informou que tem intensificado as ações de combate às pichações no centro da cidade.
Na parede que fica na Benjamin Constant, o homem pichou “O pastor contratando jagunço pra espanca. Lucifer adora. 666” [sic]. O adjetivo descreve, comumente, pistoleiros ou cangaceiros contratados como seguranças de uma pessoa influente. Já na parede da Belo Horizonte, estava escrito “pastor fí duma …” [sic], com o complemento inelegível. Enquanto realizavam o serviço, os pintores disseram à reportagem que foram contratados pela proprietária atual do espaço, a UniFil.

Titular da Igreja Presbiteriana Central de Londrina, o pastor Emerson Patriota relatou que “o imóvel da Benjamin (Constant) foi vendido e não é mais de responsabilidade da Igreja Central. Não há nada a se pronunciar sobre o ato de vandalismo, no momento, da parte da Igreja”. A GM pontuou que recebeu o vídeo que mostra o crime sendo cometido, gravado por um munícipe, e que ainda não tem acesso às câmeras do Programa Olho Vivo. Os primeiros dispositivos foram instalados no início do ano em Londrina, prometendo usar IA (Inteligência Artificial) como aliada para reconhecer foragidos e pessoas desaparecidas.
O órgão elencou estratégias de prevenção e fiscalização que tem realizado quanto às pichações na região central, incluindo o mapeamento de indivíduos envolvidos na prática e solicitação de apoio da população em forma de denúncias. Além disso, “durante as abordagens, as equipes são orientadas a realizar a qualificação dos suspeitos, bem como o registro de imagens para fins de identificação, permitindo a consolidação de um banco de dados que auxilie nas investigações e na responsabilização dos envolvidos”.
As informações coletadas são encaminhadas para análise, “contribuindo para ações mais assertivas e para a preservação do patrimônio público e privado”, completou.
Pichações pela cidade
O cenário de vandalismo se repete por todo o centro, com diversos comércios e prédios residenciais apresentando pichações em suas fachadas. Ao lado da antiga sede da Igreja Presbiteriana, em um prédio da Sanepar, a ordem “não corta minha água” está acompanhada do desenho de uma pessoa com a expressão brava. Descendo a Benjamin Constant, a parede de um centro comercial com diversos empreendimentos apresenta pichações com múltiplas cores, estilos e níveis de desbotamento da tinta, demonstrando que podem ter sido feitas por pessoas diferentes em momentos distintos.

O fato de a agência bancária que opera no histórico Palacete da Família Garcia, na Higienópolis, ser um patrimônio cultural tombado de Londrina não impediu que a mureta da entrada fosse pichada. Na Rua Pará, próximo a esquina com a avenida, um espaço comercial sendo reformado tem a frase “corpo fechado, mente aberta” em uma de suas paredes.
Políticos são alvos de críticas em diferentes paredes pelo município, com críticas ao deputado federal Nikolas Ferreiras, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente americano Donald Trump. Quem passa na frente de uma academia desativada na Rua Quintino Bocaiúva lê “Bozo chora, eu rio”, fazendo uso de um apelido usado por opositores de Bolsonaro.
'Fora do normal'
O proprietário de uma loja de utensílios domésticos na Avenida Juscelino Kubitscheck, que preferiu não se identificar, disse que o seu comércio foi alvo de pichação somente uma vez, mas que sofreu um atentado mais sério no local. “Já tentaram entrar aqui, comigo dentro. Moro no mesmo lugar que eu trabalho e vou mudar para o Jardim Higienópolis para trabalhar e morar também. Vi que lá tem muito pichador, fora do normal. São ofensas, você acaba de pintar e o pessoal vai lá e picha de novo”, lamentou.
Afirmando que irá se antecipar no caso de seu novo empreendimento ser alvo de vândalos, já separando uma quantia financeira, sugeriu que “as pessoas competentes ‘puxem’ nas câmeras de segurança" os ocorridos. “Deveria pensar em uma lei para ter que justificar o porquê de estar andando tão tarde na rua, ainda mais com ferramentas (latas de tinta spray). Talvez as autoridades não julguem como importante, mas para nós, comerciantes e moradores, é muito importante descobrir quem são, porque são as mesmas pessoas. É falta de empenho nos órgãos competentes para descobrir”, considerou o homem.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


