Morte de homem em Londrina pode ter sido causada por dengue
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
Laís Taine - Grupo Folha 
Um homem de 45 anos morreu nesta quarta-feira (12) com suspeita de dengue em Londrina. Após sentir febre e dores no corpo na última sexta-feira (7), ele buscou atendimento em clínica médica particular, passou por uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), mas foi encaminhado para o HU (Hospital Universitário) no domingo (9), onde ficou internado. Esta foi a segunda vez que o homem contraiu a doença. A Secretaria Municipal de Saúde investiga o caso e aguarda exames mais conclusivos.

Edson Willian Girotto sentia febre e dores no corpo quando buscou atendimento em uma clínica particular em Londrina na sexta-feira. “Como os exames ficariam prontos somente na segunda-feira, o médico pediu para ficar em observação e, caso os sintomas piorassem, orientou que ele buscasse uma UPA”, conta a viúva Carla Voll, 43.
Esta é a segunda vez que o marido havia contraído a dengue. “Como já conhecia os sintomas, nós suspeitamos”, afirma. Ivana Belmonte, coordenadora de Vigilância Ambiental da Sesa (Secretaria Estadual de Saúde), disse em entrevista à FOLHA, que existem 4 sorotipos da doença e que a maior preocupação, além do grande número de casos e de pessoas suscetíveis, seria em relação às pessoas infectadas pela segunda vez. “Independente de sorotipo, o risco maior de ter um quadro mais grave de dengue”, avisou.
Até o final da tarde de sábado, as dores de Girotto continuaram, mas a febre havia melhorado. Voll conta que percebeu que algo estava errado na madrugada de domingo, quando sentiu que o marido estava com a respiração mais profunda e começava a aparecer manchas avermelhadas nas mãos dele.
A família chamou a ambulância e ele foi encaminhado para a UPA Sabará (zona oeste), onde teve o primeiro diagnóstico. “Fizeram exames e o resultado saiu positivo para a dengue”, afirma Voll. O designer gráfico foi transferido para o HU no domingo e seu estado começou a piorar. Ele chegou a ser levado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e ficou entubado até a confirmação de sua morte.
A família vive no jardim Pioneiros (zona leste), região com maior número de casos registrados no último levantamento da Secretaria Municipal de Saúde, divulgado na quinta-feira (6). Somente aquela região foram apontadas 1.281 notificações e 133 confirmações da doença. Em uma semana, o número de casos confirmados de dengue em Londrina aumentou 71%, com média de nove novos casos por dia. O número de notificação saltou de 2.375 suspeitas para 4.363. Desse total, 3.763 ainda estavam sob análise e poderiam se confirmar como positivos. Na tarde desta quinta-feira (13), a prefeitura irá divulgar novo boletim com atualização sobre a doença.
A viúva comenta que a vizinhança tem feito mutirão na região e denunciado quem não está cuidando direito do próprio espaço. Para ela, é preciso que mais pessoas entendam a gravidade da situação para que fiquem mais atentos e sejam mais ativos no combate. “Meu marido pegava ônibus próximo a um comércio que a gente denunciou. A gente cuidou do nosso quarteirão, mas você pode contrair a doença em qualquer lugar, por isso que todo mundo tem que fazer a sua parte”, defende. Girotto deixa esposa e cinco filhos. “Ninguém deveria morrer disso, pelo amor de Deus”, lamenta.


