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Londrina

SOLIDARIEDADE 5m de leitura Atualizado em 16/11/2021, 19:27

Mãe transforma dor da morte do filho em marmitas solidárias

A diarista Esmeralda Messias Pereira deu início a um trabalho voluntário após perder o filho para o câncer; a cada semana, ela prepara 100 marmitas e as distribui para moradores de rua

PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Micaela Orikasa - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

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Esmeralda Pereira distribui 100 marmitas todas as quartas-feiras para amenizar a fome de homens e mulheres que vivem nas ruas
Esmeralda Pereira distribui 100 marmitas todas as quartas-feiras para amenizar a fome de homens e mulheres que vivem nas ruas |  Foto: Gustavo Carneiro
 

Uma mensagem de fé acompanhada de uma boa refeição. Nas marmitas que a diarista Esmeralda Messias Pereira, 53, distribui pelas ruas de Londrina, há um tempero especial em cada receita: o amor. Foi esse o caminho que a londrinense encontrou para aliviar a dor da morte do filho Matheus, em decorrência do câncer.  

O jovem descobriu a doença em junho de 2020 e faleceu sete meses depois. “Neste ano ele iria se formar em direito pela UEL. Era um menino muito estudioso e também muito ligado à Igreja. Era muito solidário e por várias vezes ia entregar doces nas creches”, lembra a mãe, com a voz trêmula.  

As lembranças do filho caçula estão a todo momento acompanhando Pereira, especialmente quando ela está no fogão. Há cerca de três meses, ela deu início ao projeto Matheus – Marmitas Solidárias. Com a ajuda da comunidade, que colabora com doações de alimentos e dinheiro, Pereira prepara 100 marmitas todas as quartas-feiras para amenizar a fome de homens e mulheres que vivem nas ruas. Em cada uma delas, ela escreve uma mensagem de fé e esperança.  

Para o preparo dos alimentos, Pereira conta com a ajuda de uma amiga e, para o transporte das marmitas, ela envolve vários conhecidos. Entre eles, estão outras mães que formam o grupo “Lute como uma mãe de anjo”, do qual Pereira é uma das idealizadoras. 

“Da minha dor, eu faço amor. Não estou colocando essas pessoas no lugar do meu filho, mas foi uma forma que encontrei de aliviar a minha dor. É um sentimento de amor ao próximo e tenho certeza que meu filho está feliz. Nas ruas, eu vejo o abandono das famílias. Cada pessoa tem uma história, mas todos estão desiludidos com a vida. Eu acho que consigo dar um pouco de esperança a eles”, comenta.  

Com as marmitas no carro, Pereira começa o trajeto pelo Centro POP (Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua), na zona leste, passa pela Concha Acústica, na região central, na praça Dom Pedro I, no Jardim Shangri-lá, e no Jardim Leste-Oeste, na zona oeste. 

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CURA INTERIOR 

O trabalho social e voluntário de Pereira começou nas redes sociais. Religiosa, ela buscou o acolhimento na Igreja que Matheus frequentava. Durante o tratamento, ele organizou uma célula (grupo) de oração. A mãe conta que o tumor chegou a regredir, mas que, tempos depois, perto das festas de fim de ano, a saúde do filho se agravou.   

“Eu estava à procura da cura interior. Eu sentia uma dor na alma e escutei a voz de Deus me pedindo para levar a palavra dele aos improváveis. A partir desse dia, eu comecei a fazer uma ponte entre as pessoas que tinham algum móvel para doar com as famílias mais necessitadas. Certo dia, pedi alimentos e as pessoas começaram a trazer na porta de casa”, lembra.  

O sentimento de ajudar o próximo encheu o coração de Pereira. Hoje, ela sonha em aumentar o número de marmitas. “Tenho vontade de ir nas UPAs, mas hoje, se eu levar marmitas para essas pessoas, meus ‘meninos’ ficam sem”, diz, ao se referir aos jovens com os quais já criou certo vínculo. “Eles dizem ‘a tia chegou. Se não fosse a senhora, eu ia passar fome hoje’. Eles falam que se acostumaram com meu tempero”, conta, orgulhosa.  

Para realizar esse sonho, Pereira precisa de um fogão industrial, panelas maiores e, claro, ajuda para comprar alimentos. Para preparar 100 marmitas, ela utiliza a cada semana cerca de sete quilos de arroz, cinco pacotes de macarrão, quatro quilos de feijão, e dez quilos de frango. “Como a carne está muito cara, eu compro frango e, na semana que não dá, vamos de ovo mesmo”, diz. Além dos alimentos, Pereira tem o custo do gás e dos recipientes de marmita.  

SERVIÇO: Quem quiser ajudar o projeto Matheus, pode entrar em contato pelo telefone (43) 9 9157-4798 (WhatsApp e Chave PIX).   

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