Londrina inicia nova etapa de liberação dos Wolbitos contra dengue
Mosquitos Aedes aegytpi com Wolbachia serão levados a bairros de Londrina e de Cambé
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Mosquitos Aedes aegytpi com Wolbachia serão levados a bairros de Londrina e de Cambé

Londrina deu início, nesta quinta-feira (22), a uma nova fase de liberação dos Wolbitos: mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. A tecnologia será levada a 47 bairros do município, ampliando a atual cobertura de 60%; e será também implementada na vizinha Cambé. Os primeiros wolbitos foram soltos em Londrina em agosto de 2024.
Presente desde 2025 nas Diretrizes de Controle e Prevenção das Arboviroses, com a nova etapa o Método Wolbachia chegará a territórios onde vivem mais de 150 mil pessoas em Londrina, além de bairros habitados por 35 mil moradores no município de Cambé, ao longo dos próximos seis meses (confira abaixo os bairros atendidos).
Os Wolbitos não transmitem os vírus da dengue, zika e chikungunya, e auxiliam no combate às arboviroses. Quando liberados, passam a se reproduzir com os mosquitos locais. Assim, a bactéria é transmitida para as gerações seguintes e forma, ao longo do tempo, uma população de mosquitos com capacidade reduzida de transmitir essas doenças.
A fase de liberação dos mosquitos tem início após a etapa de engajamento comunitário, período em que a população local recebeu informações sobre a tecnologia e seu funcionamento. A soltura gradual, prevista para ocorrer ao longo de 26 semanas, é realizada por agentes de campo treinados e capacitados, com liberações controladas feitas semanalmente por meio de veículos e equipamentos próprios. A expectativa é que, ao longo dos meses, a presença da Wolbachia aumente de forma autossustentável em Londrina.
Londrina tem núcleo de produção
O município conta com um núcleo de produção, estrutura própria para o desenvolvimento dos Wolbitos, da fase de ovo até a fase adulta, antes da liberação em campo. O núcleo recebe as cápsulas com ovos e ração vindas da biofábrica; em contato com a água, os ovos se desenvolvem até a formação dos mosquitos adultos, que são então distribuídos por veículos em rotas definidas, totalizando 3.890 pontos de soltura e protegendo 151.715 pessoas.
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A fase de liberação caminha junto com o monitoramento por meio de ovitrampas, que mede o estabelecimento da Wolbachia em campo. Pesquisas de eficácia demonstram que, quanto maior a presença de mosquitos com a bactéria em campo, menores são os números de casos de dengue, zika e chikungunya. Em Niterói, por exemplo, que tem todo o território coberto pela tecnologia, a redução dos casos de dengue foi de 89%.
Sobre o Método
O Método Wolbachia é conduzido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em parceria com o Ministério da Saúde, e operado pela Wolbito do Brasil. A estratégia é baseada em evidências científicas e integra o conjunto de ações nacionais de enfrentamento às arboviroses.
O Método Wolbachia utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a Wolbachia, uma bactéria naturalmente presente em mais da metade dos insetos da natureza e que impede o desenvolvimento dos vírus das arboviroses no organismo do mosquito. Ao se reproduzirem, os mosquitos locais transmitem a bactéria para as próximas gerações, ampliando de forma progressiva e sustentável a presença da Wolbachia no ambiente. Com isso, os mosquitos têm capacidade reduzida de transmitir dengue, Zika e chikungunya.
A metodologia é duradoura: estudos de comprovação científica demonstram que, mesmo após oito anos das primeiras liberações, os mosquitos mantêm a bactéria Wolbachia de forma estável na população.
Outras estratégias de combate
O gerente da Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde, Nino Ribas, destacou que o monitoramento apontou a manutenção da bactéria Wolbachia em 85% dos bairros contemplados na primeira fase. Segundo ele, a tecnologia contribui para a redução dos casos de dengue, mas deve atuar em conjunto com as demais estratégias de combate à doença.
“É mais uma tecnologia que vem para agregar, não para eliminar as outras. A primeira fase foi realizada em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde, a Regional de Saúde e a Universidade Estadual de Londrina. Agora, começa a segunda etapa, com a união entre Londrina e Cambé, uma escolha que foi cuidadosamente estudada”, afirmou.

Atualmente, o Método está presente em 16 cidades no Brasil, protegendo mais de 8 milhões de pessoas. A expansão da tecnologia já compreende dezenas de outros municípios indicados pelo Ministério da Saúde, dentre eles: Ribeirão Preto, Araraquara e São José do Rio Preto (SP), Contagem (MG), Foz do Iguaçu e Cascavel (no Oeste) e Anápolis, Aparecida de Goiânia e Trindade (GO), Olinda (PE) e Rio Branco (AC).
Dengue em números
Durante a solenidade de lançamento da nova fase, foi apresentado o Boletim Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde, com um comparativo dos dados de 2026 e do mesmo período de 2025. Os números apontam queda nos casos confirmados, nas notificações e nos óbitos por dengue em Londrina.
Neste ano, foram confirmados 1.320 casos da doença, contra 4.881 no mesmo período de 2025, uma redução de 73%. As notificações passaram de 24.315 para 12.135, queda de 50%. Já os óbitos diminuíram 78%.
Ação conjunta
Em entrevista, a secretária municipal de Saúde de Londrina, Vivian Feijó, destacou que o combate à dengue é um trabalho contínuo, realizado em parceria com Cambé, especialmente pela proximidade entre os municípios e a importância do monitoramento conjunto. Ela também ressaltou a cobertura do monitoramento do mosquito por meio de armadilhas e a contribuição dessa estratégia para direcionar as ações de prevenção.
“Londrina hoje tem praticamente 100% de monitoramento com as nossas armadilhas. Isso faz com que a gente direcione o nosso trabalho e realize ações educativas mais específicas para cada comunidade. Um fator preocupante é o que estamos vivendo na natureza: o El Niño está aí, as chuvas aumentaram, e muita chuva é um fator que exige atenção no controle e no monitoramento por parte de quem trabalha com endemias”, frisou.
Sobre a Wolbito do Brasil
A Wolbito do Brasil nasceu a partir de um desdobramento estratégico do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), junto ao World Mosquito Program (WMP), organização pioneira na implementação do Método Wolbachia no Brasil. Com a missão de ajudar a proteger a população contra dengue, Zika e Chikungunya, promove a consolidação e expansão da estratégia no país, reproduzindo a qualidade e os resultados de eficácia conquistados desde 2014 pelo trabalho desenvolvido pelo WMP junto a FIOCRUZ, garantindo sustentabilidade, ampliando o acesso e promovendo impacto em larga escala.

Abaixo, os bairros que terão soltura dos mosquitos pelo método Wolbachia em Londrina:
SUL
Residencial Cristal
Saltinho
Atlanta
Cafezal I
Alto Cafezal
Conjunto Cafezal II
Conjunto Cafezal
Monte Belo
Roseira
Neman Sayhun
Vale Azul
Adriana
Jardim Guanabara
Gleba Palhano
Jardim do Lago
Jardim Maravilha
CENTRO
Jardim Europa
Vila Rodrigues
Centro IV
Centro III
LESTE
Jardim Monte Carlo
Conjunto Ernani Moura Lima
Conjunto Vitória Régia
Brasília
Oriente
Antares
Conjunto Eucalipto
Conjunto Novo Amparo
Vila Siam
Vila Romana II
NORTE
Conjunto Milton Gavetti
Jardim São Paulo
Planalto
Flores do Campo
Conjunto Bem Viver
OESTE
Nossa Senhora Aparecida
Jardim São Francisco
Jardim Sabará
Jardim Orion
Industrial
Jardim Tóquio
Tóquio II
Jardim Colúmbia
Jardim Colúmbia II
Sabará III
Colúmbia D
Jardim Parque Universidade
(Com informações do N.Com)


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