O saguão da Prefeitura de Londrina é palco da 2ª edição da EXPOARTEJA, exposição de 298 trabalhos artísticos produzidos por alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos) da rede municipal e dos três CCIs (Centros de Convivência da Pessoa Idosa). A abertura foi promovida nesta terça-feira (20), com a presença de parte dos artistas. Entre as peças à mostra, estão colagens, pinturas, esculturas, xilogravuras e modelagens que remetem ao tema central: "A Poesia que Não se Esquece: Resgatando Memórias com Cora Coralina através da Arte".

Boa parte dos alunos da EJA são idosos, com os professores levando em conta a memória e o declínio cognitivo que pode vir com a idade ao abordarem conteúdos em sala de aula. Após uma formação conduzida pela Secretaria Municipal de Educação em parceria com o Instituto Não Me Esqueças, um material pedagógico foi elaborado para que os docentes ensinassem a trajetória da poeta Cora Coralina.

Na Escola Municipal Maria Carmelita Vilela Magalhães (centro), enquanto ouviam sobre a biografia e poemas da cronista, os alunos usaram argila e cerâmica fria para produzir pratos decorados. Eles desenharam temas que remetem a boas memórias de quando eram crianças. “Alguns escolheram uma brincadeira de infância com irmãos, outro gostava muito de dinossauro, outro sempre gostou de festas de aniversário e desenhou balões no fundo do prato”, elencou Margarete Mazzoni, professora que conduz as turmas vespertina e noturna junto com Patricia de Almeida.

Carla Moreira pintou orquídeas em homenagem a sua madrinha, já falecida
Carla Moreira pintou orquídeas em homenagem a sua madrinha, já falecida | Foto: Heloísa Gonçalves

Carla Moreira, 34, é aluna no período da tarde e desenhou flores no utensílio. “Fiz uma orquídea, que é a flor preferida da minha madrinha. Foi a minha homenagem para ela”, contou. A madrinha é falecida e gostava muito de flores, completou. Já André Lourenço, 32, desenhou uma pipa colorida, porque soltava com o irmão mais velho quando era novo. “Eu queria que o prato ficasse bonito”, justificou a escolha das cores verde, vermelha, amarela e azul.

Lembrança viva da mãe

As peças em exposição foram produzidas por alunos de 38 das 55 unidades de EJA espalhadas por Londrina, além de frequentadores dos três CCIs - Leste, Oeste e Norte. São 595 pessoas atendidas na rede municipal, que estão na EJA para concluir os Anos Iniciais do Ensino Fundamental - equivalente ao 5º ano.

Os estudantes da Escola Municipal Nina Gardemann, na zona oeste, pintaram vasos de cerâmica e escolheram uma planta que remete ao passado de cada um. Asteir Campos, 76, lembrou de sua mãe ao selecionar uma muda de onze-horas. “Cada uma trouxe de casa e plantou no seu vasinho. A minha mãe, que faleceu há três anos, tinha a onze-horas e outras plantas. É uma lembrança viva dela, que eu sinto muita falta, apesar de ela morar longe. Todo mês eu e a minha irmã íamos pra Umuarama (Noroeste) visitar, mas depois trouxemos eles (pais) para cá, porque já eram bastante idosos”, recordou a aluna.

No cartão, Asteir Campos escreveu "hoje, não tenho mais minha mãe, mas plantei onze-horas porque é uma lembrança viva dela"
No cartão, Asteir Campos escreveu "hoje, não tenho mais minha mãe, mas plantei onze-horas porque é uma lembrança viva dela" | Foto: Heloísa Gonçalves

Campos ajudou a montar a exposição junto com as suas colegas de turma, que têm entre 60 e 85 anos, e disse que é gratificante saber que todos que passarem pelo saguão do Executivo vão apreciar as peças.

Força-tarefa

Já as artistas do CCI Leste bordaram em panos de prato, também seguindo o tema da memória após aprenderem sobre Cora Coralina. A professora Elisa Kochi ensinou as alunas, com auxílio da estudante Jandira de Souza, que já tinha prática por ter bordado todo o enxoval de seu casamento. “Não tinha para gente comprar naquele tempo, isso faz 50 e poucos anos, e puxei na memória. Estou orgulhosa do trabalho de todos os amigos da nossa escola”, celebrou Souza.

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Uma força-tarefa foi promovida para que todas terminassem as suas peças a tempo, com ajuda mútua entre as idosas.

Matrículas abertas o ano todo

O público-alvo da EJA se resume a quem busca a alfabetização inicial. Quem tiver interesse na matrícula, pode entrar em contato com a Secretaria de Educação ao longo de todo o ano. A chefe da pasta, Thatiane Lopes de Araujo, incentivou a procura. “Venha, a gente encontra uma unidade que está funcionando próxima a sua residência, matricula e já começamos a efetivar esse ensino.”

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