Projeto do Ippul é para uma rede cicloviária de 318 quilômetros; Londrina está longe do estabelecido
Projeto do Ippul é para uma rede cicloviária de 318 quilômetros; Londrina está longe do estabelecido | Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

A pesquisa do Plano de Mobilidade Urbana de Londrina já foi finalizada e o Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) agora está focado em fechar os cenários para apresentá-los durante audiência pública programada para 10 de outubro. Resultado da investigação de movimentação diária mostrou que 50% das viagens na cidade são realizadas com veículos motorizados individuais e o restante se divide entre bicicleta e coletivos - 25% cada. Nesta outra metade que vai a pé ou de bicicleta, 20% ainda caminham mais de dois quilômetros por viagem.

Diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul, Denise Ziober aponta que estes dados denotam uma tendência do londrinense para transporte alternativo e coletivo, mesmo que a atual conjuntura econômica acabe interferindo. “A partir da pesquisa vimos que houve crescimento nas camadas de renda mais altas da população que não anda a pé. São pessoas que moram em edifícios e para buscar um pão numa padaria próxima, por exemplo, vão de carro. É uma população acostumada com veículo e que é difícil fazer andarem de ônibus ou a pé”, exemplifica.

O Plano de Mobilidade Urbana vai elencar os diagnósticos e os prognósticos do que deve acontecer em Londrina nos próximos 20 anos. “Vai sinalizar as políticas que deverão ser elaboradas. Foram 40 mil pessoas entrevistadas, mais de quatro mil residências visitadas. A partir daí sairá um caderno de obras com graus de priorização a curto, médio e longo prazo. Na audiência pública as pessoas poderão opinar, dar sugestões”, diz. “Com todas as obras que estão sendo feitas e serão promovidas podemos 'jogar os problemas' nelas para soluções, buscar usar o entorno do que já temos e teremos”, acrescenta.

CICLOVIAS
Londrina tem 42 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. O projeto do Ippul é para uma rede cicloviária de 318 quilômetros. Ainda distante do que foi estabelecido, Ziober defende que maiss faixas exclusivas serão implantadas em breve, com obras que envolvem o Superbus. Começaram os trabalhos na avenida Francisco Gabriel Arruda e foi lançada licitação para avenida Winston Churchill, no âmbito do Superbus. Em seguida, serão contempladas a Leste-Oeste e Rio Branco, onde ainda está previsto um viaduto, cuja construção aguarda liberação de verba da Caixa Econômica Federal. “Tudo isso faz parte da rede integrada de benefícios para o transporte coletivo, que abrange ciclistas. Que consigamos eficiência para as pessoas deixarem os carros em casa”, espera.

Segundo a CMTU, uma série de medidas serão adotadas em curto prazo para otimizar o transporte coletivo em Londrina
Segundo a CMTU, uma série de medidas serão adotadas em curto prazo para otimizar o transporte coletivo em Londrina | Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

TRANSPORTE PÚBLICO
A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) sustenta que uma série de medidas serão adotadas em curto prazo para otimizar o transporte coletivo em Londrina, deixando-o mais atrativo. Entre elas estão a troca de 500 pontos de ônibus; edital do transporte coletivo que prevê a aquisição de veículos e implantação de um novo sistema de bilhetagem eletrônica, para ampliar os meios e formas de pagamento de tarifas; implantação de sistema de controle operacional que permita a transmissão das informações da execução do serviço em tempo real; ampliação do Wi-Fi para toda frota do sistema e reconstrução de todo pavimento e faixas exclusivas. O município tem 18 quilômetros de faixas para ônibus.

A companhia, por meio da assessoria de imprensa, também frisa que o terminal do Vivi Xavier vem sendo reconstruído e que estão em andamento os projetos para reforma dos terminais do Milton Gavetti, Ouro Verde e Acapulco.

'NÃO ESTÁ FÁCIL'
Moradora do bairro Monte Belo, na zona sul de Londrina, a caixa Elza Galante depende do transporte coletivo urbano para trabalhar e para o lazer. Todos os dias, embarca próximo da casa para ir ao trabalho, na região leste. Ela sai do serviço às 17h30, mas a jornada para retornar não acaba neste horário. “Chego em casa por volta das 19h. Os horários dos ônibus não combinam. Além disso, vem bastante lotado, em especial a linha do Roseira”, reclama.

Sem outra opção de transporte, ela encara desafio maior aos fins de semana, quando os horários dos coletivos são reduzidos, principalmente, aos domingos. “Entro no trabalho às 7h50 no domingo, mas, tenho que sair de casa às 6h20. E às vezes chego atrasada, porque o ônibus que passa no bairro não vai no horário e perco o que está no Terminal Central”, conta. “Os carros do Superbus são bons de andar. Os demais são terríveis, estão velhos, às vezes a porta não abre, a campainha não funciona. Se tivesse mais qualidade no transporte público, com certeza mais pessoas iriam optar por ele." O valor da tarifa em Londrina é de R$ 4,25.

CARRO
Proprietário de veículo desde quando completou 18 anos, Rodrigo de Oliveira, hoje com 34, faz questão do conforto e otimização do tempo. “Não vejo vantagens em ir de ônibus para o trabalho. Pode ser que no fim do mês saia mais barato, mas falta comodidade e tem que se adequar aos horários", afirma o pedreiro. “Não está fácil enfrentar o trânsito de Londrina, que parece cada dia mais caótico enquanto obras de mobilidade não terminam, porém, ainda é melhor para mim”, reconhece ele, que conduz o veículo sem passageiros na maior parte do tempo.

BICICLETA
Para o ciclista Fabio de Bertolo, que vai trabalhar de bicicleta, mais do que campanhas de conscientização para a população usar o transporte não motorizado, é necessário implantar ciclovias e ciclofaixas que se interligam e levem a várias regiões da cidade. “Isso facilitaria muito. Assim evita de ficar perto dos carros. Volto pela rua Goiás e às 18, então, o cuidado é redobrado. De vem em quando têm veículos estacionados na faixa exclusiva, mas, no geral deste sentido os motoristas respeitam”, menciona.

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