A PCPR (Polícia Civil do Paraná) instaurou inquérito policial para apurar os crimes praticados por Roberto Liberato, de 46 anos, que manteve refém um casal de idosos no Condomínio Residencial Quinta da Boa Vista 1, na zona sul de Londrina, durante toda a terça-feira (11). Foram mais de 12 horas de negociação, liderada pelo Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), da PMPR (Polícia Militar do Paraná), encerrada com o adentramento tático pela janela por volta das 0h30min de quarta (12). Os policiais utilizaram um taser para conter o homem, que sofreu uma parada cardiorrespiratória, não sendo possível reanimá-lo. As circunstâncias relacionadas ao óbito serão apuradas pela Delegacia de Homicídios de Londrina.

O delegado Mozart Gonçalves lidera a investigação dos delitos de Liberato, “independentemente da eventual extinção da punibilidade decorrente do falecimento do agente”. Completou dizendo que as vítimas, de 65 e 70 anos, ainda irão prestar depoimento. Sobre a morte do sequestrador, Gonçalves informou que a Delegacia de Homicídios é responsável pelo inquérito policial - separado - que irá averiguar a conduta do Bope.

Posteriormente, a PMPR abrirá um processo administrativo interno com o mesmo objetivo, “não por erro dos PMs ou falha de procedimento, mas em razão da lesão corporal com resultado morte”, conforme a assessoria.

O corpo do empresário foi levado ao IML (Instituto Médico Legal) de Londrina e já passou pelo exame de necropsia. Um funcionário adiantou que a liberação à família ocorreria ainda nesta quarta. O laudo deve ser finalizado em 10 dias e encaminhado à PC.

Advogado tentou intervir

O casal de idosos mantido em cárcere, composto por Pedro Dal-Col Neto, diretor da Rádio Londrina, e Denise Maria Lopes Dal-Col, psicóloga e professora aposentada, reside no mesmo condomínio que Liberato na zona sul de Londrina. A mulher deixou o Departamento de Psicologia e Psicanálise da UEL (Universidade Estadual de Londrina) em 2020. No momento, eles não têm interesse em falar publicamente sobre a situação.

Leia mais:

Já Liberato atuava junto da esposa no ramo de decoração, instalando papéis de parede e adesivos personalizados. Ele deixa dois filhos, de aproximadamente 10 e 20 anos, conforme o síndico do residencial.

Na manhã de terça, quando a ocorrência começou, seu antigo advogado foi contatado por um amigo em comum, solicitando que o profissional fosse ao Quinta da Boa Vista 1 tentar uma conversa com o homem em surto.

“Eu fui até o local, falei com o capitão (Emerson) Castro, mas ele disse que o Bope estava conduzindo. Eu tentei de alguma forma auxiliar, mas, infelizmente, não tive condições de chegar perto, nem entrei no edifício. De alguma forma, ele tinha confiança na minha pessoa, quem sabe, eu conversando com ele, pudesse mudar alguma coisa”, ponderou Marcelo Gaya.

O advogado relatou que “cuidou de um problema” que Liberato teve com a Justiça anos atrás, absolvendo o cliente, o que gerou a confiabilidade duradoura. Ele colocou seu serviço jurídico à disposição da família neste momento, intencionando apoio, se contatado.

Policiais do Bope entraram no apartamento dos reféns pela janela, já na madrugada de quarta-feira (12)
Policiais do Bope entraram no apartamento dos reféns pela janela, já na madrugada de quarta-feira (12) | Foto: Reprodução

Relembre o caso

A ocorrência teve início por volta das 9h30 de terça, quando equipes da PM foram acionadas para atender um homem ferido por faca. Era o cunhado de Liberato, golpeado nas mãos após ele e a irmã relatarem a intenção de internar o empresário, visto que ele vinha apresentando perturbações psicológicas durante a semana.

Após o ataque, o homem deixou o apartamento onde morava, no segundo andar, e invadiu outros imóveis do condomínio. Em um deles, havia três mulheres, sendo que uma delas, idosa, foi empurrada, caiu e teve o celular roubado. Ainda armado com a faca, Liberato invadiu o apartamento do casal de idosos no oitavo andar.

O Bope, de Curitiba, assumiu o gerenciamento da crise e negociou com o sequestrador por mais de 12 horas, com snipers posicionados no topo de um prédio da área preparados para agir, se necessário. Com o aumento da possibilidade de agressão contra as vítimas e esgotadas as alternativas de dissuasão, os policiais realizaram a abordagem tática do apartamento às 0h30.

O uso de arma de incapacitação neuromuscular (taser) conteve Liberato, que sofreu uma parada cardiorrespiratória. O homem foi atendido por equipe médica, que já aguardava no local, mas a reanimação não foi possível. O casal de idosos foi resgatado sem ferimentos e passa bem, levado à casa de um filho.

mockup