O Lago Igapó 2, na zona sul de Londrina, amanheceu com espuma cobrindo parte de sua superfície na manhã desta terça-feira (29), vinda de uma galeria pluvial localizada abaixo da ponte dos guarda-chuvas, na Gleba Palhano. Técnicos da Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) estiveram no local - na Rua Bento Munhoz da Rocha Neto, próximo ao início da Avenida Ayrton Senna da Silva - coletando amostras d’água para atestar se mais um despejo irregular de esgoto é o responsável pela situação.

A identificação de lançamento clandestino em diferentes lagos da cidade tem sido recorrente, com a Sanepar atuando junto do órgão municipal, vistoriando e diagnosticando danos ambientais. No mês passado, peixes foram encontrados mortos no Lago Igapó 1, zona sul, e no Lago Norte, região norte. Em novembro de 2025, a Sema aplicou multas no valor total de R$ 7 milhões para os responsáveis pelos despejos irregulares de esgoto nos lagos Igapó 2 e Cabrinha, na zona norte.

A Sanepar informou que não foi acionada esta semana para auxiliar o órgão municipal em uma nova fiscalização.

Qualidade da água do Ribeirão Cambé

Orlando de Carvalho, engenheiro civil e professor de Engenharia Ambiental da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), monitora a qualidade da água da bacia do Ribeirão Cambé desde o ano passado. Ele promoveu quatro campanhas de coleta em 2025 e possui dados consolidados sobre as iniciativas realizadas no primeiro semestre deste ano, com uma média dos meses de março a junho.

Trecho do Córrego do Leme com superfície esbranquiçada em agosto, conforme atestado por Orlando Carvalho
Trecho do Córrego do Leme com superfície esbranquiçada em agosto, conforme atestado por Orlando Carvalho | Foto: Orlando Carvalho/Arquivo pessoal

São oito locais de estudo, “descendo” da nascente do Ribeirão - ponto 1 - até a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) da Sanepar - ponto 8 -, ambos com a pior IQA (Índice de Qualidade da Água), classificada como “ruim”. Carvalho explicou que um lançamento de esgoto foi flagrado na nascente do Ribeirão Cambé, pontuando que a qualidade da água vai melhorando com o avanço pelos corpos hídricos pois a carga poluidora lançada já foi "tratada" nos lagos anteriores. Na ETE “é normal que esteja ruim, a empresa que trata o esgoto da cidade tem licença para isso”, informou o docente.

Os locais intermediários, de 2 a 5, estão na categoria “razoável”, sendo o trecho após Lagos do Parque de Exposições Ney Braga, o reservatório do Igapó 4, trecho do Aterro do Igapó e o Córrego do Leme. Somente dois pontos (6 e 7) apresentam um IQA bom, sendo a margem montante (reservatório) e a jusante da barragem do Lago Igapó 1 - antes e depois da barragem, o que inclui o Igapó 2.

“Acontece que o sistema de lagos que se formam da nascente até o ponto 8, local após a ETE da Sanepar, amortece o impacto dessas fontes de esgoto, pois acaba funcionando como um tipo de lagoa de estabilização, um tipo consagrado de tratamento biológico de esgotos. No entanto, embora não sejam observados grandes impactos, esse lançamento de esgoto deixa os níveis de nutrientes - nitrogênio e fósforo - em valores que caracterizam um ambiente eutrofizado. Logo, caso tenhamos um período de estiagem, um novo afloramento de cianobactérias - ‘algas’ - poderá ser observado”, alertou.

Aparição de espuma no Igapó 2, em agosto, demonstra lançamento irregular de esgoto
Aparição de espuma no Igapó 2, em agosto, demonstra lançamento irregular de esgoto | Foto: Orlando Carvalho/Arquivo pessoal

Lançamentos identificados

Em agosto deste ano, em uma campanha que terá seus dados consolidados com o fim da pesquisa, em novembro, Carvalho flagrou lançamento de esgoto no Córrego do Leme - ponto 5 -, que passa pelo Zerão e deságua no Igapó 1. Na época, peixes sofreram com falta de ar no trecho. “No entanto, o lançamento lá é intermitente, alguma empresa faz o descarte lá, tipo um caminhão limpa-fossa”, explicou.

O professor atestou o descarte irregular no Igapó 2, em frente a um supermercado, no mesmo mês.

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