Incêndio destrói casa de madeira construída em 1940 na Vila Casoni
Família não estava no local quando o fogo se espalhou e pede doações; imóvel de peroba-rosa fica no bairro pioneiro onde estão localizadas várias edificações de madeira
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sábado, 29 de agosto de 2026
Família não estava no local quando o fogo se espalhou e pede doações; imóvel de peroba-rosa fica no bairro pioneiro onde estão localizadas várias edificações de madeira

Um incêndio de grandes proporções destruiu uma casa de madeira construída na década de 1940 na Vila Casoni, região central de Londrina, na noite desta quinta-feira (27). Os moradores, uma família composta por um casal e o filho de três anos, não estavam na residência. Parentes que vivem na edícula localizada nos fundos do terreno ficaram ilhados, incapazes de deixar o local até que os bombeiros extinguissem as chamas. Valioso, o material da casa era peroba-rosa, sendo que o bairro pioneiro exibe diversas casas de madeira em sua extensão.
O incêndio começou por volta das 23h na Rua Caingas, onde vivem Rafael Soriano da Silva, Rosângela da Silva, o filho, Rafael Junior, e uma cachorra. A mulher havia deixado a casa cerca de dez minutos antes, junto com a criança, para buscar o esposo no restaurante em que trabalha. Em um segundo domicílio aos fundos, moram Cláudio e Julieta Moraes, mãe e filho já idosos. Rafael é sobrinho de Cláudio e neto de Julieta.
Cláudio observou um clarão e a energia elétrica caiu de repente, indo até a janela e percebendo o incêndio. O fogo já havia se espalhado por toda a sala da casa da frente, sendo que o Corpo de Bombeiros demorou cerca de 20 minutos para chegar, conforme o morador. De tão rápido que as chamas tomaram conta da residência, “parece que o Diabo soprou”, disse Moraes.

Sua mãe é diabética e teve o dedão do pé esquerdo amputado cirurgicamente, apresentando dificuldades de mobilidade, e por conta de seu peso, o homem não conseguiu pegá-la no colo e carregá-la para fora. A dupla permaneceu na edícula, que segue sem energia nesta sexta (28), até os profissionais apagarem o incêndio.
'Vamos conseguir reconstruir'
Os moradores da casa afetada foram notificados do ocorrido pela mãe de Rafael, esperando um prejuízo menor e ficando “em choque” quando viram a comoção, contou Rosângela da Silva. Mesmo com os extensivos danos materiais, a mãe disse que estão vivos e com saúde, que é “o mais importante”. A família passou a madrugada na residência de outro filho da mulher, onde permanecerão “até arrumar um lugar”.

“Graças a Deus já recebemos várias doações de roupas para mim e o meu esposo, mas, infelizmente, ainda não recebi nada para o meu pequeno de três anos. Se Deus quiser, vamos conseguir reconstruir a casa”, almeja Silva. Quem tiver interesse em doar calçados e roupas infantis, pode entrar em contato com a mãe por meio do telefone (43) 9600-0884.
Prejuízo financeiro e histórico
Cláudio Moraes suspeita que a ação possa ter sido criminosa, “sem ter como provar”, pensando em quando a casa foi consumida por chamas pela primeira vez anos atrás. Sua mãe é aposentada e tem dinheiro guardado “para um caso de doença, morte de alguém da família ou uma cirurgia”, contando que não poderá arcar com os reparos no terreno.

O homem garantiu que irá ajudar a família de Rafael, sobrinho que “pegou no colo”, assim como fez com Rafael Junior. Lamentando a destruição da casa onde morou por quase quatro décadas, contou que o seu pai, Orlando, a construiu na década de 1940. Ele faleceu em 1990. “Isso aqui era a coisa mais linda do mundo, era uma paisagem. Aqui tinha mais dez mil reais só de madeira peroba-rosa, boa e antiga, dava quase setenta reais cada tábua”, quantificou.
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Casas antigas e de madeira
Uma das áreas mais tradicionais de Londrina, a Vila Casoni foi fundada oficialmente em 1937, um dos primeiros bairros do município recém-criado. Múltiplas residências construídas na época seguem de pé com suas características originais, feitas de madeira. É o caso da residência de Sandra Silva, que vive em frente ao terreno atingido pelo incêndio e observou o desenrolar da ocorrência.
“De repente, escutei uns estralos e falei ‘o que será isso? Será que é bomba? Será que é tiro?’. Eu fiquei apavorada, abri a janela e me deparei com um fogo que já estava bem alto. Os bombeiros demoraram uns 20 minutos pra chegar, e a casa já estava completamente tomada”, lamentou. A sensação térmica em seu domicílio, do outro lado da rua, subiu tanto que ela jogou água nas paredes externas e no teto.
Um incêndio doméstico nunca tinha sido uma preocupação da mulher, mas a partir do ocorrido, contratou um profissional para conferir se o sistema elétrico está em ordem.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.




