Duas cidades do Paraná foram atingidas por tornados entre o final da tarde de quarta-feira (9) e a madrugada desta quinta (10), com diferentes níveis de destruição. O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) atestou que os fenômenos ocorreram em Francisco Alves, no Noroeste, e Espigão Alto do Iguaçu, no Centro-Sul, com os trabalhos de classificação de intensidade ainda em vigência. O órgão analisa a possibilidade de outros municípios, que também registraram estragos consideráveis, terem sido alvo de tornados.

Dizimou cultura de soja em Francisco Alves

O primeiro episódio ocorreu por volta das 17h de quarta e teve curta duração, em uma área pequena de Francisco Alves. A tempestade que o originou foi uma supercélula, que pode produzir fenômenos severos, como tornados e rajadas de vento intensas. Neste caso, ela também provocou forte precipitação de granizo, que acarretou em danos em outras regiões da cidade.

Paulo Hiroshi Fujii, secretário de Agricultura e Meio Ambiente e coordenador da Defesa Civil Municipal, informou que a chuva de granizo prejudicou a área agrícola e dizimou a cultura de soja recém-emergida.

Imagem de radar mostra o tornado que atingiu Francisco Alves na quarta (9)
Imagem de radar mostra o tornado que atingiu Francisco Alves na quarta (9) | Foto: Divulgação/Simepar

“Foram fortes chuvas em um pequeno espaço de tempo, 70 mm em menos de minutos, e ventos fortes, que não afetaram construções, somente placas de sinalização e galhos de árvores”, contou o secretário. Não houve danos humanos ou a residências de munícipes.

Aulas suspensas e morte de animais em Espigão

O segundo tornado ocorreu por volta da 0h40 desta quinta, em Espigão Alto do Iguaçu. Os locais mais atingidos foram a Escola Municipal LiCarlos Passaia e o Colégio Estadual do Campo Pedro Rufino de Siqueira, no Distrito de Boa Vista de São Roque, que compartilham o mesmo terreno.

A Secretaria de Educação suspendeu as aulas em toda a rede municipal de ensino até a próxima terça (15). A orientação partiu da Defesa Civil, “considerando as condições climáticas adversas previstas para o município”.

Uma área com plantio de eucaliptos, próximo a unidade de uma Cooperativa Agroindustrial, ficou totalmente destruída. A Defesa Civil foi acionada por volta das 5h desta quinta para a remoção de árvores que obstruíam ruas, iniciando um levantamento dos estragos e prestando apoio às famílias atingidas. A coordenadora, Eliane Kwiatkowski, contou que o cenário é “assustador”.

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Cerca de 40 casas no Distrito de Boa Vista de São Roque foram atingidas, com os proprietários buscando abrigo em casas vizinhas. Até o momento, não há registro de pessoas lesionadas, porém, um fazendeiro comunicou a morte de animais após o telhado de seu barracão colapsar.

“Foram constatados danos materiais em propriedades, instalações e estruturas, além de ocorrências envolvendo animais atingidos pelo temporal. A Coordenadoria Municipal da Defesa Civil, em conjunto com a Defesa Civil do Governo do Estado, está monitorando as áreas afetadas e acompanhando a situação de perto. A Prefeitura reforça que as equipes permanecem mobilizadas para atender as famílias e avaliar os danos causados pelo temporal”, informou o órgão.

Com cerca de cinco mil habitantes, esta é a primeira vez que Espigão Alto do Iguaçu registra uma ocorrência climática deste nível.

Além do destelhamento, escolas em Espigão Alto do Iguaçu sofreram com inundação
Além do destelhamento, escolas em Espigão Alto do Iguaçu sofreram com inundação | Foto: Assessoria de Imprensa/Espigão Alto do Iguaçu

Intensidade dos tornados é avaliada

A classificação de ambos os tornados será definida pelo Simepar após o levantamento e a avaliação dos estragos, seguindo os critérios da Escala Fujita, que relaciona as características e a extensão dos danos observados à intensidade estimada dos ventos.

Moradores de Pinhão (Centro-Sul) e Palmeira (Campos Gerais) registraram vídeos de temporais que assolaram parte dos municípios, divulgando em redes sociais e ponderando sobre a possibilidade de tornados terem sido responsáveis pela destruição. Os fenômenos também passam por análise do Simepar, sem previsão de quando o trabalho será finalizado, considerando a sua complexidade.

Neste ano, o Simepar já registrou outros tornados em municípios do Paraná. No dia 28 de julho, Reserva, nos Campos Gerais, Reserva foi atingida por um tornado categoria F2.

Em 8 de agosto, um tornado atingiu o município de Piraí do Sul e chamou a atenção para a capacidade de resposta daquela região frente a eventos climáticos extremos.

A ocorrência de tornados causou grande destruição e resultou em mortes em novembro de 2025, em Rio Bonito do Iguaçu (Centro-Sul) e Guarapuava (Centro).

Família morreu soterrada em Ponta Grossa

Em decorrência do alto volume de chuvas que vem atingindo todo o Paraná, uma família de três pessoas morreu soterrada enquanto dormia em Ponta Grossa (Campos Gerais), quando sua residência foi soterrada após um deslizamento de terra na manhã desta quinta. As vítimas são um jovem de 18 anos, uma mulher de 26 anos e um terceiro indivíduo sem identificação de idade ou gênero.

O 2º BBM (Batalhão de Bombeiro Militar) foi acionado às 8h57 para atender a ocorrência no bairro Ronda, também contando com a presença do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Em nota, a AMCG (Associação dos Municípios dos Campos Gerais) manifestou pesar pelos óbitos registrados. “Neste momento de dor e consternação, a AMCG se solidariza com os familiares e amigos das vítimas, desejando força e conforto para enfrentar esta perda irreparável. A Associação também manifesta sua solidariedade a toda a população de Ponta Grossa e às equipes que atuam no atendimento e na assistência às pessoas afetadas pela ocorrência.”

Até as 16h30 de quinta, o município havia registrado 73 mm de chuva, volume alto e forte.

Previsão do tempo

A intempérie climática segue firme em todo o Estado na sexta, com previsão de tempestades e rajadas de vento severas, chuva forte em curto espaço de tempo, descargas elétricas e granizo. Paranaenses devem se atentar a enxurradas, alagamentos, inundações, transbordamento de córregos, queda de árvores, destelhamentos, danos em plantações, redução da visibilidade em estradas e interrupção no fornecimento de energia.

O risco é alto para Londrina e toda a Região Metropolitana, com previsão de chuva intensa no município-sede até domingo (13). Somente até às 16h30 desta quinta, a cidade registrou 42,2 mm de chuva, sem ocorrências que necessitaram de apoio da Defesa Civil.

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