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Londrina

Cidades

m de leitura Atualizado em 19/07/2022, 11:04

Curso de AI que a UEL estuda ofertar deve atender demanda nacional

Profissionais em Inteligência Artificial e Ciência de Dados estão entre os mais requisitados no mercado de trabalho

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de julho de 2022

Micaela Orikasa - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Divulgação/Pixabay
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A notícia de que a UEL (Universidade Estadual de Londrina) estuda implementar o curso de graduação em Ciência de Dados e Inteligência Artificial  joga holofotes sobre a urgência de se formar profissionais nessas áreas para atender um mercado de trabalho emergente.  

Representantes de entidades na área de tecnologia em Londrina conversaram com a FOLHA sobre a necessidade e a importância deste curso passar a ser ofertado na instituição londrinense.

Para Lucio Kamiji, membro do APL (Arranjo Produtivo Local) de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação), no Fórum Desenvolve Londrina, as iniciativas na área de educação, tanto para ensino profissionalizante quanto de graduação e pós-graduação, são muito importantes em função da ausência de mão de obra.  

MERCADO DE r$ 150 BILHÕES

“Até 2025, o mercado deverá movimentar nessas duas áreas (Ciência de Dados e Inteligência Artificial) cerca de R$ 150 bilhões. Só o setor de análise de dados deverá crescer em torno de 12% ao ano até 2025 e a de Inteligência Artificial vai crescer 18% ao ano”, diz, citando os dados da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais). 

A entidade aponta ainda que, até 2025, novos 797 mil empregos serão gerados na área de TIC, demandando uma média de 159 mil profissionais por ano. 

“Não só Londrina, mas o mundo inteiro vive um apagão dessa mão de obra específica. O mercado local tem capacidade de absorver esses profissionais, que inclusive vêm sendo contratados por empresas de fora", observa o diretor de Ciência e Tecnologia da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina), Roberto Moreira. 

"Faz muito sentido a UEL estudar a oferta desses cursos porque tem uma demanda muito grande. Dentro da área de TIC, o profissional em Inteligência Artificial é o mais procurado e melhor remunerado atualmente”, acrescenta Moreira. 

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DÉFICIT DE PROFISSIONAIS

De acordo com a UEL, o Brasil possui menos de 20 cursos de Ciência de Dados e Inteligência Artificial ofertados por IES (Instituições de Ensino Superior). O levantamento é com base nos dados do Ministério da Educação e alguns exemplos estão na USP (Universidade de São Paulo), PUC (Pontifícia Universidade Católica), Fundação Getúlio Vargas, entre outros. 

Em Londrina, Kamiji cita o Hub de Inteligência Artificial do Senai, que oferece uma residência na área, além de um Centro de Referência no setor, ainda em fase inicial na Unifil (Centro Universitário Filadélfia). “E agora temos essa notícia da UEL. Muitos anos atrás, já falávamos na importância da formação em Inteligência Artificial, mas com foco em processamento de dados. Com o tempo foram surgindo outras áreas, como as próprias engenharias. Hoje, o destaque é para a Ciência de Dados ligado à AI", detalha.

"A Inteligência Artificial precisa de cientistas que analisam os dados que irão gerar uma informação e um conhecimento, principalmente para a tomada de decisões de empresas. Esses dados são temporais, ou seja, um dado analisado hoje não terá, necessariamente, um determinado comportamento amanhã porque ele depende das variáveis e até do ambiente no qual está inserido. Por isso que esse profissional é tão urgente”, avalia Kamiji, do Fórum Desenvolve Londrina.   

Dados da Brasscom apontam ainda que por ano, cerca de 53 mil pessoas são formadas em cursos de perfil tecnológico. O número é bem abaixo da demanda média anual de 159 mil profissionais de TIC. As informações são do estudo “Demanda de Talentos em TIC e Estratégia ΣTCEM”.

Segundo o relatório, "com o número de formandos aquém da demanda, a projeção é de um déficit anual de 106 mil talentos – 530 mil em cinco anos. São números que refletem, segundo a Brasscom, o crescimento acelerado do setor de TIC, e deixam clara a urgente necessidade de que a formação profissional também seja ampliada no mesmo ritmo".

Expectativa da reitoria é que a primeira turma de Ciência de Dados inicie aulas no primeiro semestre letivo de 2024 Expectativa da reitoria é que a primeira turma de Ciência de Dados inicie aulas no primeiro semestre letivo de 2024
Expectativa da reitoria é que a primeira turma de Ciência de Dados inicie aulas no primeiro semestre letivo de 2024 |  Foto: Gustavo Carneiro - Grupo Folha
 

GRADUAÇÃO NA UEL

Idealizado pelo Departamento de Computação, o curso de graduação em Ciência de Dados e Inteligência Artificial já foi aprovado em todas as instâncias colegiadas da UEL, mas requer a autorização do Governo do Estado para dar início às atividades. Procurada pela reportagem, a Seti  (Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) do Paraná, informou que a UEL "ainda não protocolou o projeto para análise e tramitação na Seti e que quando o projeto for apresentado, será analisado a partir dos critérios estabelecidos pela LGU (Lei Geral das Universidades).

UEL E SETI

A reportagem procurou a assessoria de comunicação da UEL para saber detalhes deste possível novo curso e o andamento dos trâmites internos, mas a universidade disse que não irá se pronunciar neste momento. Se implementado, o curso Ciência de Dados e Inteligência Artificial deverá abrir 50 vagas com uma carga horário total de 3.024 horas, no período noturno.

Em publicação oficial da UEL, a reitora Marta Favaro afirma que a expectativa é de que a primeira turma de graduação em Ciência de Dados e Inteligência Artificial inicie as aulas no primeiro semestre letivo de 2024. Os últimos dois cursos de graduação que a UEL lançou foram Biotecnologia e Nutrição. Ambos foram ofertados a partir de 2020. 

Ainda de acordo com a universidade, neste momento a Reitoria busca o diálogo institucional com as entidades da sociedade civil organizada como, por exemplo, a SRP (Sociedade Rural do Paraná). O primeiro encontro ocorreu na sexta-feira (15), "com o objetivo de debater o tema com um setor que cada vez mais depende do uso de ferramentas de matriz tecnológica e que representa fatia importante da riqueza gerada na cidade de Londrina, o agronegócio." 

O assunto, inclusive, será debatido na próxima edição do EncontrosFolha 2022, promovido pelo Grupo Folha. Especialistas estarão reunidos no Aurora Shopping, no dia 28 de julho, das 8h às 11h, para debater “Agricultura Digital: A Tecnologia como Protagonista no Campo”.  (Com Agência UEL)

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