Como agir se a minha casa pegar fogo
Bombeiro direciona ações de moradores em casos de incêndios domésticos; síndicos de Londrina buscam capacitação para situações de emergência
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de outubro de 2025
Bombeiro direciona ações de moradores em casos de incêndios domésticos; síndicos de Londrina buscam capacitação para situações de emergência

Somente nos últimos dias, o 3° BBM (Batalhão de Bombeiro Militar) foi acionado para conter 17 incêndios residenciais e em áreas de mata em Londrina. Na última terça-feira (30), foram quatro ocorrências atendidas ao longo do dia, incluindo um apartamento na Gleba Palhano, zona sul, em que os profissionais foram auxiliados pela PM (Polícia Militar) para resgatar o cachorro que estava no local e evacuar os demais moradores pela escadaria de emergência.
No dia 2 de setembro, o síndico de um prédio no mesmo bairro controlou as chamas de outro incêndio até a chegada do Corpo de Bombeiros. A recorrência de casos chama atenção e preocupa residentes e gestores, informou o presidente da Associação Alto da Palhano. Conforme Ramon Folego, “quando acontecem essas situações, eles nos procuram pedindo apoio ou contato para formar brigadas de emergência ou perguntando as causas para aprenderem como prevenir”.
Para evitar ocorrências, a entidade promove formações de turmas de brigadistas, com mais uma prevista para este ano. A associação representa 20 condomínios do bairro, atendendo mais de 2.000 apartamentos e 6.000 moradores.
Como o incêndio ocorre
A causa número um de incêndios domésticos é o curto-circuito, provocado pela passagem de corrente elétrica elevada em um circuito que não estava preparado para receber a carga. A falha é provocada pela má utilização e sobrecarregamento da rede elétrica, levando ao aquecimento dos fios e do objeto ligado na tomada.
Thomas Dias, aspirante do 3° BBM, alertou sobre a importância de tomar cuidado com equipamentos que demandam mais energia, como aquecedores, aparelhos de ar-condicionado e secadores de cabelo.
Segundo ele, a segunda causa principal dos casos em residências envolvem óleos e gorduras de cozinha, quando entram em combustão em panelas quentes no fogão. A técnica de combate deve ser o abafamento com uma tampa de metal, para que o fogo seja sufocado.
“Se não se sentir seguro para realizar o abafamento, outra opção é desligar o gás e deixar a panela ali, porque abaixando a temperatura as chamas vão se extinguir”, recomendou Dias. O cozinheiro nunca deve jogar água no utensílio, visto que o ato pode levar a uma explosão e agravamento da ocorrência.
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‘Chamas até o joelho’
O aspirante informou que não são todos os focos de incêndio residenciais que devem ser combatidos pelo morador. Ele deu a dica: “se as chamas estiverem até o joelho da pessoa e estiver ocorrendo em uma área pequena, pode tentar combater rapidamente, se ela se sentir confiante e souber como utilizar um extintor de incêndio”.
Se a ação não for efetiva, o residente deve evacuar imediatamente, por conta da periculosidade da fumaça. “As pessoas se assustam com as chamas, mas elas não são o principal problema para o morador, é a fumaça, porque ela é tóxica e pode asfixiar. Se não teve sucesso, deixe o local e feche as portas, porque isso atrasa consideravelmente a propagação do incêndio, que nos auxilia no combate e reduz os danos”, pontuou Dias.
Saídas de emergência
Em edificações altas, é essencial não utilizar os elevadores, por conta do risco da energia elétrica cair. “Por mais cansativo que seja e pareça desnecessário”, a escada de emergência deve ser o meio de escape ao acionar ou ouvir o alarme de incêndio.
Caso o local estiver com muita fumaça, uma orientação é se deslocar agachado, para tentar fugir da alta temperatura. A visibilidade é melhor mais próxima ao chão, visto que a fumaça acumula na porção superior do ambiente, e assim, o morador vai inalar menos substâncias tóxicas.
Saindo do local, os bombeiros devem ser acionados via 193, sendo importante não assumir que um vizinho já deve ter ligado. “É mais válido ter dez pessoas ligando e avisarmos que já estamos em deslocamento do que não entrar nenhum chamado”.
Combustão espontânea
Das 17 ocorrências atendidas pelo 3° Batalhão na última semana, três foram em edificações e 14 em áreas de vegetação. Sobre os incêndios residenciais, Dias informou que não possuem uma sazonalidade ou padrão que possa ser avaliado.
Nos últimos dois casos na Gleba Palhano, os profissionais usaram os hidrantes dos prédios como aliados. Na terça, o incêndio evoluiu rapidamente e houve uma ignição súbita, chamada de flashover. Todos os materiais combustíveis do ambiente entraram em combustão espontânea e simultânea, sendo necessários cerca de cinco mil litros de água em uma hora de trabalho para conter as chamas.
Fogo em mata
De janeiro a setembro, o 3° BBM atendeu 370 ocorrências de incêndios florestais em Londrina. O aumento de casos dos últimos meses - julho, agosto e setembro - já era esperado pelo Grupamento por conta da estiagem da época. A temperatura elevada e falta de precipitação ajudam as queimadas criminosas a se espalharem.
Para tornar o combate mais assertivo, o Corpo de Bombeiros faz uso de viaturas baixas para conseguir chegar em locais que o caminhão regular não alcançaria. Utiliza ainda sopradores de fogo e caminhões específicos de combate a incêndio florestal, que “conseguem combater e deslocar ao mesmo tempo”, explicou Dias.

Normas a serem seguidas
Para que um condomínio residencial seja entregue e liberado para ser habitado, seu sistema de combate a incêndios deve ser vistoriado e aprovado pelo Corpo de Bombeiros. As medidas de segurança incluem sinalização, saídas e iluminação de emergência, portas corta-fogo e botoeiras, além de hidrantes, alarmes, extintores, mangueiras e central de alarme de incêndio.
Além disso, “o condomínio precisa ter acesso de viatura do Corpo de Bombeiros, segurança estrutural, apresentar o memorial descritivo, que fala quais foram os materiais utilizados para construir a edificação, compartimentação vertical, controle de material de acabamento e brigada de incêndio”, elencou Gileade Pires, gerente condominial.
O local deve estar sempre em conformidade com as normas de prevenção e combate a incêndios e a desastres, já que o Certificado de Licenciamento deve ser renovado a cada ano. “O grande erro dos condomínios é não deixar em dia isso que já foi entregue pela construtora. Às vezes não acham necessário fazer a renovação para economizar, mas é uma falsa economia, que vai gerar mais dano. Muitos acabam deixando sucatear o equipamento, não fazem a manutenção preventiva da forma que tem que ser feita”, pontuou o gerente.

Cuidados no apartamento
Pires disse ainda que os moradores devem fazer a sua parte na prevenção de emergências, afirmando que “tudo que é feito na área comum do condomínio deve ser feito dentro do apartamento”. Exemplificando, mencionou a verificação, no mínimo, anual do sistema elétrico e a manutenção do gás.
“Uma das principais causas de incêndio em apartamento é o não acompanhamento do sistema elétrico. O pessoal não faz aperto nos bornes (conectores elétricos), coloca no mesmo circuito um monte de coisa ligada, coloca equipamentos com uma potência muito elevada sem antes calcular o dimensionamento”, informou o gerente.
O ideal é chamar um profissional para analisar o quadro elétrico, atestar quais equipamentos o circuito pode comportar e apertar todos os bornes, “para não gerar superaquecimento no fio e pegar fogo”.
Brigada de Emergência
Dentre os trabalhadores representados pelo Secovi-PR (Sindicato da Habitação e Condomínios do Estado do Paraná), estão síndicos e proprietários de condomínios residenciais, sendo horizontais e verticais, e comerciais. A sede em Londrina atende todos os condomínios da cidade, incluindo os da Gleba Palhano.
O Sindicato promove, há mais de uma década, cursos de Brigada de Emergência, que capacitam os participantes para agir de forma correta em situações de crise e prevenir acidentes. Segundo Marla Cristian, gerente executiva da Regional Norte do Secovi-PR, é comum as vagas serem preenchidas rapidamente, porém, com os recentes casos de incêndios, a demanda aumentou ainda mais.
Garantindo que “toda ocorrência que envolva a segurança de moradores e trabalhadores de condomínios é uma preocupação direta do Secovi”, a administradora informou que atuam para mitigar riscos, orientar condutas e garantir que os locais estejam em conformidade com as Normas Regulamentadoras e com a legislação vigente.
Prevenção e combate
O próximo curso de Brigada de Emergência está marcado para o dia 7 de outubro, na sede do Sindicato em Londrina. Uma empresa especializada em Engenharia de Segurança, que fornece sistemas de proteção contra incêndios, vai ministrar a capacitação.
O conteúdo inclui prevenção e combate a incêndios, utilização de equipamentos e EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), procedimentos de abandono de área e primeiros socorros em situações de emergência. O curso é direcionado a síndicos, trabalhadores de condomínios, administradores e demais profissionais que atuam na área de gestão condominial.
Todas as vagas já foram preenchidas, mas a próxima edição será marcada para o início de novembro.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.




