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Londrina

Cidades

m de leitura Atualizado em 02/05/2022, 15:12

Com armadilhas, infestação do Aedes aegypti ‘caiu’ na zona leste

No último LIRAa, a região em Londrina teve uma redução significativa da incidência do mosquito com o uso das ovitrampas

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de maio de 2022

Micaela Orikasa - Grupo Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Divulgação/Prefeitura de Londrina
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Considerando os números do último LIRAa (Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti), divulgado na sexta-feira (29), a secretaria municipal de Saúde de Londrina passa a apostar nas ovitrampas, armadilhas simples para o Aedes, como ferramenta complementar e eficaz no combate ao mosquito transmissor da dengue e outras arboviroses.

As armadilhas são instaladas nos quintais das residências em regiões com alto índice de infestação do vetor, com o objetivo de atrair as fêmeas. O projeto-piloto foi conduzido no segundo semestre do ano passado, na região Leste da cidade, que sempre teve atenção especial das equipes de endemias pelo alto número de casos de dengue devido à incidência do mosquito.  

O primeiro LIRAa de 2022, realizado entre os dias 10 e 24 de janeiro, apontou um índice de infestação de 5,5% em toda a cidade. A região norte estava com 6,35%, seguido das regiões sul e leste com índice de 5,92%. Na sequência, aparecia a região central com 4,82% e a região oeste, com 4,56%. 

Já no segundo levantamento realizado no período de 4 a 8 de abril, a zona norte segue em alta com 10,24% de infestação. Depois vêm a zona sul (7,92%), oeste e centro (6,86%). A região leste ficou em último, com 4,80%.   “É claro que se trata de um conjunto de medidas, mas as armadilhas se mostraram muito eficazes, considerando essa redução apontada pelo LIRAa”, diz Nino Ribas, coordenador de Endemias no município. Ao todo, a região recebeu 100 armadilhas em um período de seis meses. 

“Hoje, já ampliamos para 230 armadilhas, distribuídas em todas as regiões. Como atualmente temos um cenário mais preocupante na zona norte, instalamos agora uma maior quantidade nos bairros de lá, chegando a 90 ovitrampas. A ideia é instalar essas armadilhas onde se tem maior circulação do vírus para  bloquear a transmissão viral. Se tenho a pessoa doente e elimino todos os mosquitos, não tem como aumentar os casos. As armadilhas estão sendo usadas para reduzir a densidade do vetor e consequentemente os casos notificados da doença”, afirma. 

Prefeitura instalou 230 armadilhas nos quintais das casas em regiões com alto índice de infestação Prefeitura instalou 230 armadilhas nos quintais das casas em regiões com alto índice de infestação
Prefeitura instalou 230 armadilhas nos quintais das casas em regiões com alto índice de infestação |  Foto: Divulgação/Prefeitura de Londrina

COMO FUNCIONA 

 A ovitrampa é uma armadilha atrativa para as fêmeas do Aedes aegypti. Em um recipiente plástico é adicionado água com gotas de levedo de cerveja e uma paleta com informações sobre data de coleta e endereço.  

“A fêmea é atraída pelo dióxido de carbono. Ela sente o odor e tende a depositar os ovos na paleta, umedecida pela água. É nela que a fêmea bota os ovos”, explica Ribas. A paleta é recolhida semanalmente e enviada para uma análise laboratorial. “Fazendo a contagem, podemos avaliar a quantidade de ovos em determinada região. Tem paletas que chegaram a apresentar 400 ovos, ou seja, conseguimos eliminar 400 mosquitos em uma semana”, diz.   

Imagem ilustrativa da imagem Com armadilhas, infestação do Aedes aegypti ‘caiu’ na zona leste Imagem ilustrativa da imagem Com armadilhas, infestação do Aedes aegypti ‘caiu’ na zona leste
|  Foto: Divulgação/Prefeitura de Londrina
 

A amostra é importante, segundo Ribas, porque orienta as equipes sobre a necessidade de fazer um bloqueio imediato em um raio de 100 metros da armadilha, localizando os focos. “Cada fêmea desova cerca de 150 ovos. Assim que ela nasce, ela acasala apenas uma vez, mas tem a necessidade ao longo da vida de sugar porque ela precisa de uma proteína chamada Albumina para maturar seus ovos, que é o que nós, seres humanos, temos. Então, em um intervalo de três a cinco dias, ela se alimenta do sangue, faz a maturação e desova, a cada cinco dias, em média. É por isso que trabalhamos com o intervalo de uma semana”, completa.  

'USO NÃO EXCLUI A RESPONSABILIDADE DA LIMPEZA'

Conforme pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo  Cruz), essas armadilhas são usadas desde 1965 em estudos em diversos países e ao longo dos anos se mostrou altamente específica para o Aedes aegypti.  Em Londrina, as armadilhas são instaladas nos quintais das residências com a permissão do morador, ao assinar um termo de liberação. A manutenção é feita uma vez por semana por duas equipes designadas para este trabalho.  

Ao falar sobre a efetividade das armadilhas, Ribas reforça que elas são tidas como ferramenta complementar no combate ao Aedes aegypti. "O uso delas não exclui a responsabilidade de todo em limpar dos quintais, manter os cuidados com os vasos de plantas e recipientes de água dos animais, assim como em outros objetos que possam acumular água e virar criadouros", diz. 

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