Chuva afasta visitantes dos cemitérios no Dia de Finados
Durante a manhã, movimento ficou bem abaixo do esperado para a data; vendedores de flores e velas lamentaram a ausência de clientes
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segunda-feira, 02 de novembro de 2026
Durante a manhã, movimento ficou bem abaixo do esperado para a data; vendedores de flores e velas lamentaram a ausência de clientes

O mau tempo, nesta segunda-feira (2), Dia de Finados, espantou os londrinenses e o movimento nos cemitérios municipais ficou bem abaixo do esperado. A prefeitura previa cerca de 150 mil visitantes nos 13 cemitérios administrados pela Acesf na zona urbana e rural, mas pela manhã a chuva não deu trégua e poucas pessoas se animaram a sair de casa para cumprir o ritual de rezar pelos mortos. No Cemitério São Pedro, na região central, o mais antigo da área urbana, a missa prevista para acontecer às 9 horas não foi celebrada e quem esperava a data para fazer uma renda extra com o comércio de flores e velas ficou desapontado.
Todos os anos, a professora Marlene Pereira Batista vai ao cemitério para visitar a sepultura da mãe e orar por ela. Com base em sua fé, Batista não acredita na morte do espírito, mas sim, no renascimento e na vida eterna. Ainda assim, considera importante visitar o túmulo no Dia de Finados como demonstração de respeito a quem já partiu. “É um dia de lembrança das coisas boas que aprendemos com nossos parentes. Não é porque acredito no renascimento após a morte que vou abandoná-los. Mas não é uma data para lembrar com choro ou tristeza. Lembro com alegria e creio que eles também vão ficar felizes do outro lado ao receber essa alegria nossa, por saber que a vida continua.”
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Para a vendedora autônoma Luiza Siqueira Vasques, o Dia de Finados é um momento de gratidão. “Hoje é um dia em que me volto mais às pessoas que conviveram comigo e hoje não estão mais aqui, fisicamente. A gente lembra com carinho de tudo o que recebeu de aprendizado. É um dia muito importante. Recentemente, faleceu uma vizinha muito querida, então hoje é um dia em que eu me lembro dela com o coração cheio de gratidão. A gente tem que substituir a tristeza pela alegria e pela gratidão, sabendo que nada aqui é eterno e a qualquer momento, também vamos partir para uma nova fase da vida, que é a vida espiritual.”
Vigilância
Porteiro e comerciante, Antônio Luiz Calderaro Neto tem os bisavós, os avós e os pais sepultados no Cemitério São Pedro. Todos os anos, faça chuva ou sol, ele reserva um momento do Dia de Finados para orar pelos que já se foram. “É uma data tradicional e a gente tem que estar sempre presente no cemitério, para visitar nossos ancestrais. É um dia de gratidão, de respeito e de visitar os entes queridos. Todo Dia de Finados estou aqui, presente. É muito importante para eles e para mim. Eles recebem nossas orações, se alegram com nossa visita. O sentimento não é de tristeza.”

Calderaro aproveitou para reclamar da falta de vigilância dentro do cemitério ao longo do ano, o que facilita a ação de vândalos e criminosos. No bolso, ele levava a foto do avô que estava fixada na sepultura, mas foi encontrada no chão durante a visita. “Levaram os itens de bronze. As fotos dos outros parentes foram levadas. Sobrou esta, que consegui recolher”, disse ele.
Vendedores ambulantes
Do lado de fora do cemitério, próximo aos dois portões de entrada, na rua Alagoas e na avenida Juscelino Kubitschek, os vendedores de flores e velas lamentavam o tempo, que não colaborou. Como faz há 40 anos, Arlindo Cândido da Silva montou a barraca de flores, mas os fregueses não compareceram conforme o esperado. “A gente esperava que a chuva fosse passar, mas vendendo para pagar o fornecedor e sobrando um pouquinho já está bom.

João Luiz Barros vendia fósforos, isqueiros e as velas artesanais que ele mesmo produz. Este foi o primeiro ano que ele atuou como ambulante no Dia de Finados. Mesmo com as vendas fracas no período da manhã, ele pretendia ficar até o fim do dia, confiante na previsão meteorológica, que indicava a melhora das condições climáticas a partir da tarde. “A partir das 14 horas tem previsão de parar a chuva e acredito que o movimento vai ficar mais forte. Quem tem capelinha ou velário na sepultura, sempre acaba comprando.”
Missas canceladas
Na semana passada, a Arquidiocese de Londrina divulgou a programação de missas nos cemitérios da zona urbana da cidade e em municípios da região. No entanto, com a chuva, nem todas as celebrações aconteceram. No Cemitério São Pedro, a missa prevista para as 9 horas foi cancelada. No mesmo horário, no Jardim da Saudade (zona norte), o cancelamento chegou a ser anunciado, mas em respeito aos fiéis que compareceram, o padre decidiu manter a programação. No Cemitério Parque das Alamandas também ocorreu a missa celebrada pelo arcebispo de Londrina, Dom Geremias Steinmetz, às 10 horas, e no Cemitério Padre Anchieta a missa foi realizada bem cedo, às 8 horas.
As visitas aos cemitérios municipais seguem até as 18 horas.


Simoni Saris
Jornalista


