O BICHO PEGOU -

‘Cãolaboradores’ e ‘funciogatos’: trabalho em boa companhia

É cada vez mais frequente a presença de animais em empresas de Londrina, colaborando para o bem-estar e momentos de alegria entre as equipes

Micaela Orikasa - Grupo Folha
Micaela Orikasa - Grupo Folha

Quem poderia imaginar que por trás de um balcão, no vai e vem da rotina de trabalho, eles estariam ali, passeando entre os funcionários, saboreando um petisco e tirando uma soneca no meio do expediente? Se essa cena parecia um tanto quanto inusitada tempos atrás, hoje ela é bastante comum. 


Muitos cães e gatos foram promovidos nos últimos anos a ‘cãolaboradores’ e ‘funciogatos’.  Tanto é que não faltam trocadilhos para a presença dos bichanos nas empresas. Basta ir na agência bancária ou em uma empresa familiar, um quiosque no shopping e até mesmo na sede da Prefeitura. Eles estão lá, devidamente identificados com crachá e com toda a simpatia que, digamos, que vem de raça.  


Uma pesquisa realizada pela startup brasileira de hospedagem e passeio com cachorros, DogHero, com 700 pessoas em diferentes regiões brasileiras, revelou que 94% dos entrevistados gostariam de ter a companhia de seus cães no local de trabalho.  

 

DIVINA: OITO ANOS ATRAINDO CLIENTES

Em Londrina, as empresas vêm se revelando como espaços pet friendly, acolhendo os animais como verdadeiros companheiros de trabalho. No centro da cidade, por exemplo, a gata “Divina” não perde um movimento sequer da loja de roupas masculinas, Sinezio Magazine. E pode-se dizer que ela é uma "funcionária" exemplar. 

 

Divina abre e fecha as portas da loja de roupas com os proprietários Roberto Paliarin e Solange Pieroli: funcionária exemplar
Divina abre e fecha as portas da loja de roupas com os proprietários Roberto Paliarin e Solange Pieroli: funcionária exemplar | Micaela Orikasa - Grupo Folha
 


Há oito anos, ela abre e fecha as portas ao lado dos sócios-proprietários Solange Pieroli e Roberto Paliarin. “Eu brinco ao dizer que ela cumpre expediente e é muito comportada. Ela fica praticamente o dia todo no cantinho dela e quando quer sair para fazer xixi ou passear, ela vai para o estacionamento ao lado”, diz Pieroli.  


Foi deste estacionamento que Divina encontrou um novo lar, ou melhor, trabalho. “Ela apareceu no meio do carros, era arisca, ficava sempre escondida e acabou dando cria. Foram quatro gatinhos e a gente acabou arrumando uma família para cada um deles, mas ela ficou. Foi castrada e muito bem cuidada por nós e pelo pessoal do estacionamento. A gente diz que é guarda compartilhada”, comenta, aos risos.  


A Divina, segundo os empresários, mudou o clima da loja. “Adquirimos muitos amigos e clientes por causa dela. É normal as pessoas passarem por aqui para fazer um carinho, especialmente as crianças”, conta Paliarin. Ele garante que até hoje Divina nunca se aventurou entre as camisas, calças e blusas. “Quando fechamos a loja, ela volta para o estacionamento e, no dia seguinte, bem cedinho, está de volta”.  


 

‘Cãolaboradores’ e ‘funciogatos’: trabalho em boa companhia
Micaela Orikasa - Grupo Folha
 


Jonas Marques dos Santos, funcionário do estacionamento, lembra que já apareceram outros gatos de rua buscando abrigo, mas nenhum permaneceu como Divina. “Arrumamos uma caminha pra ela e um espaço com areia para ela fazer as necessidades. Para mim, os animais de rua dependem de nós. Temos que cuidar bem deles”, diz.  


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MUSHU - PELOS CORREDORES DA PREFEITURA

Com um crachá personalizado, o Mushu é um dos mais novos "contratados" da Prefeitura de Londrina. De secretaria em secretaria, ele segue cativando o carinho e a amizade de todos os servidores. Dedicação que fez com que o animal “fosse promovido rapidamente de estAUgiário a AUssessor”, brinca a tutora Amana Coquemalla Thomé, que divide os cuidados com o esposo Diego Cunha de Souza. 

 

‘Cãolaboradores’ e ‘funciogatos’: trabalho em boa companhia
Arquivo Pessoal
 


“O Mushu apareceu pra mim há seis anos, na minha empresa, em uma manhã bem gelada de inverno. Sempre apareciam animais de rua por ali e, por isso, a gente até tinha ração a granel. Eles apareciam, comiam e iam embora, mas o Mushu não. Ele entrou e como estava muito frio improvisamos uma caixa de papelão e ele foi ficando”, conta Thomé, que certo dia, já trabalhando como assessora do prefeito Marcelo Belinati, resolveu levar Mushu em um plantão de domingo.  


“Ele é um pet muito bonzinho e muito carinhoso. Um animal muda o ambiente de trabalho, traz muita alegria e deixa tudo mais leve. Como ele cresceu muito na redes sociais ultimamente, também tem nos ajudado a divulgar algumas pautas da prefeitura, das secretarias de Meio Ambiente, de Educação, da Mulher, do Trabalho, entre outras, mas a partir de agora ele vai ter um cronograma de visitas em algumas autarquias e de ações de divulgação”, comenta.

 

‘Cãolaboradores’ e ‘funciogatos’: trabalho em boa companhia
Arquivo Pessoal
 


Mushu já conquistou mais de três mil seguidores no Instagram com as andanças pela Prefeitura. E, se depender do carisma que esse cãozinho vem distribuindo entre os servidores municipais, Mushu pode garantir em breve, quem sabe, o reconhecimento de funcionário animal do mês.  

 


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MEL, A MASCOTE FELICITADORA

Mimos, presentes e convites para participar de eventos. A rotina de trabalho de Mel é como a de uma influenciadora digital, só que o fato inusitado é que ela é uma Golden Retriever. Conhecida como a “dog do Sicoob”, Mel carrega no crachá a função de “mascote felicitadora” e possui perto de 9.800 seguidores no perfil do Instagram.  

 

‘Cãolaboradores’ e ‘funciogatos’: trabalho em boa companhia
Micaela Orikasa - Grupo Folha
 


Fora das redes sociais, Mel circula pela unidade administrativa do Sicoob, no Calçadão de Londrina, há cerca de um ano e meio. O analista de desenvolvimento humano e organizacional, Eduardo Zangerolli, conta que é a primeira vez que ele trabalha com a presença de um pet.  


“É algo transformador. Muitas vezes, no estresse da rotina, a Mel traz um momento de descontração, descanso e ânimo”, afirma. A iniciativa em ter um cão no ambiente de trabalho surgiu do projeto FIC (Felicidade Interna do Cooperativismo), com o objetivo de melhorar o clima organizacional.  


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A tutora de Mel é a Maisa Hangai, do setor de Recursos Humanos da unidade. Ela é responsável pelos cuidados de higiene, alimentação, aulas de adestramento e idas ao veterinário. Porém, as despesas estão previstas no orçamento da cooperativa, inclusive o hotel (destinado a cães), onde Mel passa as noites e o fim de semana. Nos demais dias e horários, ela tem a companhia de aproximadamente 70 colaboradores.    

 

Mel: mimos, presentes e convites para participar de eventos
Mel: mimos, presentes e convites para participar de eventos | Micaela Orikasa - Grupo Folha
 


“Já no primeiro horário, ela passa em quase todas as mesas, buscando carinho e claro, petiscos. Ela também participa de vídeos, fotos, visitas em outras agências e ações sociais. É incrível como ela já é conhecida entre o público em geral”, conta Eduardo Bueno Jerônimo, assistente de Desenvolvimento Humano, responsável pelo perfil de Mel nas redes sociais.  A raça, segundo Zangerolli, é conhecida por ser sociável, com facilidade em se adaptar a ambientes de trabalho.  


 

UDDY, PASSEANDO PELO SHOPPING

Os shoppings centers também estão se transformando em ambientes pet friendly. Mas o simpático cão Uddy tem motivos a mais para estar todos os dias, desde janeiro de 2019, no quiosque Rosa Canina do Aurora Shopping, na zona sul de Londrina.  

 

Uddy no quiosque de produtos para pets, onde "trabalha" desde janeiro de 2019 e fez muitas amizades
Uddy no quiosque de produtos para pets, onde "trabalha" desde janeiro de 2019 e fez muitas amizades | Arquivo Pessoal
 


Uddy acompanha diariamente Karin Egashira, proprietária do quiosque que comercializa produtos para pets.  “O Uddy é surdo de nascença e o adotei com aproximadamente 70 dias de vida. Desenvolvi com ele uma comunicação, como uma linguagem de sinais, e é assim a gente se entende”, comenta Egashira, que antes do expediente tem a rotina de passear com seu fiel companheiro.  


“Assim ele gasta energia e pode fazer suas necessidades. Ao contrário do que muitos pensam e falam, a rotina no shopping não é entediante pra ele, pois o Uddy está sempre acompanhado e muitos o levam para dar uma volta. Ele fez muitas amizades e as pessoas trazem frutas, papel higiênico (que é a paixão dele para brincar) e, claro, muito carinho”, diz.  

 

‘Cãolaboradores’ e ‘funciogatos’: trabalho em boa companhia
Arquivo Pessoal
 


Uddy também é uma celebridade pet. No perfil do Instagram, ele tem mais de 75 mil seguidores, que acompanham diariamente as publicações de Egashira sobre as viagens da dupla, os passeios, as bagunças, mas também os trabalhos. Uddy participa de várias ações relacionadas ao universo pet.   



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