Bolo de Santo Antônio reúne fé e histórias de casamento em Cambé
Paróquia confeccionou 13 mil fatias do bolo do Santo casamenteiro; festa segue até 21 de junho
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sábado, 13 de junho de 2026
Paróquia confeccionou 13 mil fatias do bolo do Santo casamenteiro; festa segue até 21 de junho

Munícipes da Região Metropolitana de Londrina se aglomeraram em frente a Paróquia Santo Antônio, de Cambé, para garantir um pedaço do famoso bolo que leva o mesmo nome do padroeiro da cidade. Antes mesmo das portas se abrirem neste sábado (13), às 8h30, a fila dava a volta no quarteirão. Mais de 13 mil fatias foram preparadas pelos fiéis para venda durante a 92ª Festa de Santo Antônio, que segue com missas, quermesses e barracas de comidas típicas até 21 de junho.
Cerca de 30% dos pedaços do famoso bolo estão recheados com a medalha do padroeiro. Segundo a tradição, quem acha o pingente recebe ajuda do santo casamenteiro para encontrar um companheiro ou companheira, ou ainda, selar o compromisso com o casamento. Foi o caso de Felipe Dias e Paula Mazotti, que subiram ao altar há duas semanas.
“Eu sempre comia o bolo, todo ano, e nunca tinha encontrado medalhinha nenhuma. Aí quando a gente começou a namorar falamos ‘vamos comprar esse ano pra ver se a gente dá sorte’, e no pedaço dele tinha. Deu sorte mesmo, porque em dezembro a gente ficou noivo e agora, no final de maio, casamos”, celebrou a farmacêutica.

Dias contou que “sempre foi um sonho” encontrar o objeto, dizendo ainda que conheceu a esposa por conta do “destino”. “Deus colocou a gente no caminho um do outro. Voltamos esse ano para agradecer e ver se achamos outra para dar sorte e termos filhos”, almejou o supervisor comercial.
'Tentar a sorte'
A fiel Cristiane Alexandrina frequenta a paróquia há mais de 30 anos, antes mesmo de a tradição do Bolo de Santo Antônio começar, no ano 2000. A empresária ajuda na confecção da sobremesa todos os anos, sendo que neste fim de semana, mais de 100 voluntários se uniram no salão paroquial para confeitar e embalar os 13 mil pedaços. “Quando eles compram, já querem o pedaço premiado. Mas é sorte, tem que abrir pra ver, a gente nunca vai saber qual é o pedaço que está com a medalha ou não”.

A fiel disse que o movimento de compradores foi grande durante todo o dia, com pessoas retornando para a fila se não atingiram o seu objetivo. “Uma mulher acabou de comer e disse ‘não encontrei a medalha, então eu quero mais’, aí depois voltou novamente para pedir outro, vai tentando até achar”, riu Alexandrina. A empresária já teve a sorte de achar o pingente em outras ocasiões, mas já era casada.
A cambeense Tatiely Santos tem o costume de buscar as fatias do bolo junto da sobrinha, Maria Júlia, de cinco anos. A própria criança fez o pedido na fila: “cinco pedaços com medalhinhas”, visto que a sorte esteve ao lado da dupla no ano passado. “Achamos quatro da última vez. Esse ano queremos encontrar de novo e ajudar a paróquia, seguir com essa tradição sempre”.
Quando ainda era solteira, Santos nunca comprava o bolo porque não tinha o desejo de achar a medalha e ser “contemplada” pelo santo casamenteiro. Quando completou nove anos de namoro com Rafael Miguel, “compraram pra mim e ela veio, a medalhinha, aí no ano seguinte a gente casou”, recordou.

Santos frequenta a festa anualmente com a família, aproveitando as comidas típicas das quermesses. “Nós viemos quase todos os dias, e se a gente não vem para ficar, compramos comida e levamos para casa, porque é uma delícia”. Maria Júlia completou dizendo que seu prato preferido vendido no espaço é o cachorro-quente.

Casal londrinense, Vera Vieira e Antonio Carvalho aproveitaram que estavam passando por Cambé para comprar o bolo. Adquiriram somente dois pedaços, o que já bastou, porque ambos eram premiados. “Como já somos casados, vai ser só uma lembrancinha”, riu Vieira. O esposo prendeu o objeto no seu molho de chaves, feliz com a sorte que teve.
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Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.





