Uma ligação histórica com o Paraná
Milanez influenciou o desenvolvimento de Londrina e do Paraná através de sua atuação no jornalismo e em iniciativas sociais
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de agosto de 2009
Milanez influenciou o desenvolvimento de Londrina e do Paraná através de sua atuação no jornalismo e em iniciativas sociais

Os relatos de pioneiros que conviveram com João Milanez nas importantes décadas do desenvolvimento de Londrina e do Paraná não deixam dúvidas. Mesmo sendo nascido no estado de Santa Catarina, o jornalista foi um dos maiores entusiastas de que se tem notícia em terras paranaenses. Por meio da FOLHA DE LONDRINA, puxou campanhas que resultaram em grandes realizações, como a Universidade Estadual de Londrina (UEL), o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), a Catedral de Londrina e o asfaltamento de muitas estradas que hoje são fundamentais na ligação entre as diversas regiões do Estado.
Qualquer iniciativa que fosse em prol de Londrina ou do Paraná, o Milanez abraçava, recorda o médico Raul Lessa. Ele sempre levava um exemplar da FOLHA debaixo do braço e um repórter a tiracolo para onde quer que fosse. Colocava fogo’ nas ideias, e os governantes não podiam recuar, pois o registro de que as coisas iriam acontecer era imediatamente publicado no jornal, complementa o jornalista Walmor Macarini, que foi chefe de redação e atualmente é editorialista da FOLHA.
O engenheiro agrônomo Florindo Dalberto ressalta o empenho de Milanez para que o Iapar – fundamental para o desenvolvimento da agricultura paranaense – fosse criado. Ele conta que em 1969 nasceu a Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina, a qual diagnosticou logo de início um problema sério de falta de informações técnicas que dessem subsídios aos homens do campo da região; que se viam obrigados a recorrer aos distantes Instituto Agronômico de Campinas (SP) e Instituto Agronômico do Sul (RS).
Aí já entra o João Milanez, que, em primeiro lugar, atendeu ao nosso pedido de criação da FOLHA RURAL, suplemento que nos permitiria trocar conhecimentos. No ano seguinte, 1970, junto do Celso Garcia e do Francisco Sciarra, que eram da Sociedade Rural do Paraná (SRP), reivindicou ao governo estadual que criasse o Iapar. Milanez juntou as forças, as lideranças, e foi atrás do João Ribeiro Junior, que era paranaense e presidente do Instituto Brasileiro do Café (IBC) em busca de recursos, conta Dalberto. O João Milanez era o grande animador das coisas da cidade. Tanto é que foi o primeiro presidente da Associação de Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec), completa o engenheiro agrônomo.
A comissão formada pelo fundador da FOLHA conseguiu dinheiro do IBC para comprar o terreno e dar início às obras do Instituto Agronômico. Quando a lei estadual para a criação do Iapar foi aprovada, em 1972, as paredes já estavam subindo. Eu não queria vender o terreno, pois havia projetado construir um grande bairro ali, com mais de mil lotes, porém o pessoal se aproximou de mim por meio do Milanez, ele foi o interlocutor das negociações e acabou me convencendo, recorda Raul Lessa, que era proprietário de boa parte das terras que hoje abrigam o Iapar.
Primeiro reitor da UEL, o também médico Ascêncio Garcia Lopes, comenta que o jornalista já tinha sido fundamental, utilizando a força da FOLHA, para a criação da Faculdade de Medicina de Londrina, em 1967, um dos embriões da universidade, que, segundo ele, originou-se de um clamor popular e hoje oferece 43 cursos e tem mais de 14 mil alunos matriculados.
Tudo que era reivindicação do povo, o Milanez se colocava do lado. Como jornalista, fazia-se presente em todas as reuniões, acompanhava tudo, cada detalhe. Participou e foi importante para todo o processo de instalação da UEL, incentivando e noticiando, destaca Ascêncio Garcia Lopes.
Monsenhor Bernardo Gafá, pároco da catedral de Londrina, rememora que João Milanez foi um bom companheiro de Dom Geraldo Fernandes, o primeiro bispo da cidade. Viajavam juntos nas missões que buscavam recursos para as obras da igreja. Com seu jeito expansivo e empreendedor e fala muito boa, o Milanez dominava qualquer ambiente. Lembro-me que ele tinha acesso ao governador, aos ministros em Brasília, o que facilitava muito para que os pedidos de Londrina chegassem às autoridades, inclusive os que se referiam às obras da Catedral.
Outras obras que tiveram o apoio de Milanez e deram um grande impulso ao desenvolvimento do Paraná são as de asfaltamento de diversas estradas federais e estaduais. Onde os jipes da FOLHA iam para fazer matérias, os fotógrafos já voltavam registrando a precariedade das estradas, sempre com gente atolada. Uma das maiores conquistas que teve participação do jornal foi o asfaltamento da Rodovia do Café, explica Walmor Macarini, referindo-se à estrada que liga Apucarana ao porto de Paranaguá e que ganhou asfalto no trecho até Ponta Grossa no início da década de 1980.
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