Flor mora no assentamento Eli Vive: "As famílias aqui têm o gosto de plantar”
Flor mora no assentamento Eli Vive: "As famílias aqui têm o gosto de plantar” | Foto: Ricardo Chicarelli

Fazer agricultura, independentemente das circunstâncias. O pequeno produtor que tem esse vínculo com a terra sabe que não pode parar mesmo que faltem recursos ou tecnologia. Se de um lado os números do agronegócio paranaense mostram a grandeza do setor, por outro ainda existe uma parcela grande de agricultores menores que não enxergam essa pujança no dia a dia e mal conseguem recursos para seguir em frente. O que fazem? Continuam firmes e provam que o prazer em tirar o sustento da terra se sobressai a qualquer adversidade.

Nos assentamentos Eli Vive I e II, em Londrina, 501 famílias fazem agricultura maiúscula, diversificada, mesmo que em lotes de poucos alqueires. Uma visita por lá e já se percebe o potencial daquelas famílias. Em cada talhão, a estratégia para tirar o sustento com produtos de qualidade que chegam aos consumidores urbanos da região. O assentamento é desmistificado com uma produção de qualidade. O preconceito é deixado de lado.

Sandra Aparecida Costa Serrer, ou simplesmente Flor, trabalha firme numa área de 3,5 alqueires. Foram cinco anos de acampamento e agora mais cinco já com seu lote produtivo. São quatro mil mudas de café em um alqueire, além do feijão, milho doce, horta variada e um pomar de frutas. O conceito de agricultura familiar diversificada está presente para o rendimento da produtora.

Para ela, o mais complexo é captar recursos, financiamento, e fazer seu negócio girar com mais facilidade. Sua ideia é a produção de café orgânico e para isso precisa de dinheiro para gastar com insumos naturais, como esterco ou mesmo os itens para fazer uma calda. “Hoje para manter esse café eu dependo do ciclo do milho, que é bem mais rápido e me ajuda com os recursos. Consegui comprar mais mudas de café por meio de um fomento”, explica.

Na primeira colheita do café, foram mais de 50 sacas com um faturamento de R$ 235 por saca. Com a plantação de vassoura e o milho doce, se mantém na propriedade. Ela cita a importância da assistência técnica da Emater nos assentamentos, que fazem um “trabalho dentro do que eles podem”. “Nós sabemos que eles fazem um trabalho não da forma que gostariam, mas mesmo assim vamos avançando nas técnicas (de manejo). Hoje, como agricultora, me sinto uma privilegiada, poder colher e plantar com qualidade e o sentimento de ser útil para a sociedade.”

Num bate papo rápido, ela cita casos de mulheres dos assentamentos que hoje já estão faturando com o comércio de produtos agroecológicos, “uma fartura mesmo com tão pouco recurso”. “Se tivéssemos recursos e assistência técnica fortes seria maravilhoso. As famílias aqui têm o gosto de plantar.”

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