O relacionamento com os números na família Sussai ganhou novo entendimento após ingresso em projeto da Emater
O relacionamento com os números na família Sussai ganhou novo entendimento após ingresso em projeto da Emater | Foto: Divulgação

Mais do que a labuta do dia a dia, os resultados do agro paranaense estão ligados à uma característica do produtor do Estado: lidar bem com os números da propriedade. A verdade é que na tal “empresa a céu aberto”, o comprometimento com a planilha também precisa ser sério. Se no passado a intuição era uma arma recorrente do produtor, agora tudo precisa estar devidamente anotado, custos, investimentos, manutenções...nada passa pelo crivo de quem realmente quer produzir e faturar com a terra.

Na propriedade da família Sussai, localizada em Santa Fé (Noroeste), há dois anos esse relacionamento com os números ganhou novo status. Claudinei e a esposa Rose, juntamente com o filho Carlos Eduardo, se tornaram integrantes das Redes de Referência para Agricultura Familiar, projeto de pesquisa e extensão rural liderado pelo Iapar e Emater e conta com a participação direta do produtor nos trabalhos. Nas Redes, o produtor se aprofunda nas ações socioeconômicas da propriedade e isso demanda dedicação.

Numa área de 12,1 hectares, sendo seis hectares voltados para o café, a família foca num trabalho cada vez mais profissional. “Se hoje não podemos brigar pelo preço que vendemos o produto, temos que diminuir o custo e ter produtividade”, salienta Carlos Eduardo. Nesse trabalho de contas, a família descobriu que os custos com a colheita de uma saca de café de forma manual fica entre R$ 12 e R$ 15, enquanto se fosse feito com uma colheitadeira, entre R$ 2 e R$ 3. “Estou negociando com um amigo para ver se ele adquire uma colheitadeira e nós fazemos compartilhamento do maquinário, incluindo o que eu já tenho.”

No ano passado, a família colheu em torno de 360 sacas de café de boa qualidade. O custo ficou na casa dos R$ 210 e os Sussai venderam a R$ 400. Além disso, eles também têm uma pequena agroindústria e acabam vendendo o café na cidade torrado e moído, em média de mil pacotes por mês. “Esse ano acabei 'esqueletando' o café então a produção será maior no ano que vem novamente.”

O pesquisador da área de custos agrícolas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), Mauro Osaki, relata que muitas vezes os produtores olham para essa quantidade de números gerados na propriedade de forma simplista, mas que de forma geral atende em 80% das necessidades deles. “O produtor, no gerenciamento da fazenda, contorna muitos números e utiliza alguns 'mágicos' que tem na cabeça e só trabalha em cima deles. Não é o ideal, mas em curto prazo resolve.”

Para o pesquisador, a longo prazo é preciso uma análise um pouco mais apurada. “Para subir de status, ele precisa conhecer bem o mapa da fazenda dele, tanto do lado agronômico como o econômico. Existem várias tarefas diárias que se pode realizar no processo produtivo.”

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