Animais entendem quando levam bronca?
A menos que a correção seja feita na hora, o pet não tem a menor ideia do motivo do "puxão de orelha", diz especialista
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sábado, 13 de julho de 2019
A menos que a correção seja feita na hora, o pet não tem a menor ideia do motivo do "puxão de orelha", diz especialista
Erika Gonçalves - Grupo Folha
Eles são fofos, peludos e sabem como ninguém usar seu olhar para conseguir o que desejam. Mas também podem fazer muita travessura se não forem adequadamente educados e não tiverem suas necessidades atendidas. Nessa hora há tutor que jure que o cachorro entende a bronca que está tomando, tanto que já se esconde ou faz aquela cara fingindo não saber do que se trata. O que poucos sabem é que, a menos que a correção seja feita na hora, o pet realmente não tem a menor ideia do motivo da bronca.
A terapeuta comportamental de cães e gatos Luiza Cervenka explica que as broncas não resolvem nada, já que cada animal entende aquilo de uma forma. Por exemplo, tem aqueles que percebem que dessa maneira recebem atenção do tutor. “Se o cão é sempre ignorado e quando morde a roupa ganha atenção, ele vai querer aumentar esse comportamento”, alerta.
Outros podem não entender o que aquela repreensão significa, ou seja, o animal não consegue relacionar o vaso cavucado com a bronca. Cervenka alerta que as pessoas tratam os cães de forma humanizada, como se fossem uma criança. “Tem gente que senta e conversa com o cão como se fosse uma pessoa, mas ele não entende essa conversa e isso gera insegurança. Como ele não sabe a reação do tutor ao chegar em casa, ele se esconde. Então o tutor acha que o cão está escondido porque quebrou alguma coisa. Na verdade, para ele, o que quebrou foi um brinquedo. E tem quem pegue aquilo e leve até o cão, que irá virar o focinho. Isso também é interpretado como se o animal estivesse entendendo que fez algo errado, mas na verdade ele está fazendo o que chamamos de evitação. Ele vira o focinho porque não gosta daquilo, está com medo, está desconfortável. Tem animal que chega a rosnar e o tutor interpreta como se estivesse sendo desafiado”, explica.
A especialista critica uma forma de adestramento já vista como ultrapassada, que utilizava o conceito de matilha. “Funciona como as pessoas com o radar. Elas andam devagar onde há o radar, só obedecem quando o agente punidor está ali. O cão não foi ensinado, ele foi coagido”, alerta.
VIVENDO EM HARMONIA
Para que a convivência seja a melhor para humanos e cães, os tutores devem buscar compreender a natureza e o comportamento dos animais. “É uma outra espécie em casa, ele tem que ter coisas para fazer e a comunicação deve ser uma prioridade. O cão lê fácil os nossos sinais, o inverso que é difícil”, aponta. Isso explica porque ao dizermos “vamos passear”, o cão ficar agitado. Na verdade, segundo ela, o animal não entendeu a frase mas antes disso já percebeu que pegamos a coleira, colocamos o tênis e nos preparamos para sair.
Há diversas atividades que podem propiciar uma melhor qualidade de vida para os cães. Para exercitar o faro vasinhos com temperos são um divertido passatempo. Levar um pano com o cheiro de outros animais, como o gato de um vizinho, também funciona bem. Na hora do passeio, permita que ele sinta os cheiros que os outros animais deixaram.
Para simular a caça do alimento, a especialista recomenda não deixar a ração no pote. Além dos alimentadores que podem ser comprados vale usar caixinhas de medicamento, rolos de papel higiênico cheios de ração e escondê-los pela casa ou quintal. “Há jogos de tabuleiro que ajudam a prevenir o que se chama de Alzheimer canino. Ofereça novidades, não dá para ter todo dia o mesmo brinquedo. O cão pode passar por cortinas de tampinhas de garrafa, por tecidos”, sugere.
Ela lembra que em geral a educação é focada no que o animal não pode fazer, quando na verdade deve ser o contrário. Por serem muito sociáveis, cães necessitam ter acesso às pessoas e interagir com outros animais, por isso o ideal é que não fiquem restritos ao quintal.
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