Cada animal deve ser tratado conforme suas especificidades. O professor de medicina veterinária de animais selvagens, da UniFil, Marcos Shiozawa, fala sobre os cuidados com coelhos e calopsitas, que são animais cuja procura tem aumentado e que devem ser tratados de acordo com suas características.

Qualquer animal deve ser adquirido com responsabilidade. “Quando comprado em uma loja é mais seguro, porque normalmente tem nota fiscal e um veterinário assina pela sanidade e saúde do bicho”, afirma o professor. Caso tenha adotado de um criador, a orientação é que observe se a pessoa tem os cuidados de um profissional.

COELHO

O coelho pode ficar em gaiola específica, mas deve ser compatível com o porte do animal e é preciso deixar que ele saia de vez em quando. “Hoje em dia, muitas pessoas optam por ter coelho no apartamento, porque é fácil, é como um cachorro, só que tem os cuidados específicos”, afirma.

Entre eles, a alimentação. Coelhos comem vegetais comuns, mas os pet shops possuem rações específicas de boa qualidade. Esses animais também precisam de banho. “Quinzenalmente é preciso fazer banho e tosa e com quem já esteja acostumado e adaptado a lidar com seus bichos”, indica. Além disso, é preciso visitar o veterinário periodicamente e ministrar o vermífugo a cada quatro meses.

Dependendo da espécie e genética, um coelho pode viver até mais que 10 anos. É bastante sociável, brinca e vive bem com cachorro e gato, aceita colo, carinho e passeios no gramado e ainda é higiênico. “Ele aprende a fazer xixi e cocô na bandejinha. O coelho é um animal muito asseado, não gosta de sujeira espalhada e por isso mesmo as pessoas pegam para apartamento”, afirma.

CALOPSITA

No caso das calopsitas, a gaiola é mais importante. “É o lugar mais seguro. Você pode soltá-la, desde que esteja prestando atenção, porque é comum ela bicar e roer as coisas. Eu recebo muito caso de pisoteio, eletrocussão e intoxicação na minha clínica”, aponta. Por isso, é importante estar atento quando for deixá-la livre na casa. “Lembrando que sempre com janela fechada e ventilador desligado”. Para isso, é importante acostumar a ave a dormir e comer na gaiola como atividades naturais, para que ela entenda que é um local seguro e quando for preciso prendê-la, não haja estresse.

É comum que muitos tutores cortem as penas da asa do animal para evitar que ele voe, mas o especialista indica recorrer a um profissional que entenda sobre o assunto. “Se não fizer adequadamente, o corte da pena pode trazer vários problemas, como sangramento e dor crônica”, afirma. Além disso, é preciso deixar uma quantidade de proteção “senão ele pode cair de certa altura com muita violência, fraturar o bico, cortar o peito ou quebrar a perna. Tem que ser feito com pessoa competente, 90% dos casos feitos em casa dão algum tipo de problema”, alerta.

No Brasil, a ave vive em média seis anos, mas pode viver mais de 15, segundo Shiozawa. Um dos fatores que diminuem a expectativa de vida do animal é a alimentação. “Tem que evitar dar alimento humano e dar só ração específica. Muita gente dá bolacha, chocolate é tóxico, leite faz muito mal, o organismo não reconhece, e com o tempo isso diminui a expectativa de vida da ave, que pode ser reduzida pela metade”, alerta o professor.

Shiozawa destaca o fato de que é importante procurar veterinário especializado na área do animal, pois há detalhes importantes para evitar que tenham e passem doenças. Nesse caso, orienta o mesmo para todos os animais: fazer a primeira visita à clínica quando filhote, e depois anualmente.

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