Bateu asas e voou
Conheça a história de Fred, a calopsita fujona que movimentou a família em sua busca
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sábado, 13 de julho de 2019
Conheça a história de Fred, a calopsita fujona que movimentou a família em sua busca
Laís Taine - Grupo Folha 

Quando Fred chegou na casa, há quase um ano, trouxe com ele um pouco de medo. Foram seis meses de adaptação até que se sentisse seguro para aceitar o convite de pousar no dedo da cuidadora, Sandra Correa, 49. Gesto que o levou de volta para casa após quatro dias perdido pelas ruas de Londrina. Um reencontro emocionante e o retorno da alegria na casa da família.
O animal de estimação foi um presente de uma tia para a sobrinha Isabela, 11, mas foi logo adotado por toda a família. “Minha filha tinha visto e gostado, a gente optou pela calopsita porque é muito fácil de cuidar e de alimentar, é muito dócil”, conta Correa. Mas Fred demorou um pouco para botar as asinhas de fora. “Ele era bem arisco, tinha medo, levou em torno de seis meses para a gente conseguir pegá-lo na mão”, lembra.
Alimentado com sementes preparadas com toque de mel, Fred nem exige outro prato, mas não esconde o desejo pela torrada integral matinal. “A gente dá uma lasquinha no café da manhã e ele enlouquece”, ela confessa, dizendo que evita, pois sabe que o petisco pode fazer mal à ave. Mas foi o petisco que ajudou a tê-lo de volta.
No mês passado, por uma aventura, Fred, que estava com a pena sem cortar, resolveu levantar voo para fora do apartamento. “Eu vi! Eu fui na janela e o vi dando a volta no prédio ao lado, eu saí correndo atrás, porque como a gente assovia e ele responde, pensei que seria fácil encontrá-lo. E foi. Ele estava no topo de uma árvore, mas passou uma moto acelerando, ele assustou e voou de novo”, conta sobre a fuga ocorrida em um sábado no fim da tarde.
No domingo de manhã, a família acordou cedo para voltar às buscas, colocou cartazes e avisou os moradores da região sobre o sumiço da calopsita. “Eu assoviava e escutava a resposta muito longe. Eu moro próximo ao Shopping Quintino e o encontrei em um prédio na avenida JK”, conta impressionada. Ele estava na janela de um apartamento no terceiro andar, mas os donos não estavam em casa. Foram muitas tentativas até ele voar de novo.
EMOCIONANTE
“Passaram os dias e a gente foi perdendo as esperanças. Na quarta-feira, do meu escritório (na rua Fernando de Noronha) eu escutava ele piar. Minha irmã falou que eu estava escutando coisa, mas aí eu assoviei na janela e ele respondeu”, revela. “O achei de novo na janela de um apartamento, no quarto andar. Horário comercial, não tinha ninguém em casa, mas o vizinho estava. Então levei a torrada e chamei da sacada ao lado, ele estava morrendo de fome e veio correndo no meu dedo.” O reencontro foi emocionante. “Foi aquela felicidade, a perna chegou a bambear”, ri.
Naquele dia, quando Fred voltou para casa foi uma festa só. Ele, cansado e com fome, não fez mais que comer, tomar água e dormir, mas no dia seguinte já estava com as energias recuperadas, assim como a empresária. “Eu dormi sossegada, porque eu não conseguia nem dormir com ele desaparecido”, brinca.
Fred faz questão de ser tratado como pessoa íntima da família. “Ele interage, assovia, canta com todo mundo, acorda junto. Cada assovio pede uma coisa diferente. Depois do jantar, a gente senta no sofá e ele fica olhando, esperando para subir também. É um bichinho que não vem com manual de instrução, mas a gente dá um jeito de entender”, ri. Mas é mais que isso. “Ele traz alegria para a casa, não dá trabalho algum. Onde você está, ele está junto. É um membro da família”, menciona.


