Quando eles ensinam
Família constrói cadeira de rodas para animal de estimação que desenvolveu doença degenerativa
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sábado, 13 de julho de 2019
Família constrói cadeira de rodas para animal de estimação que desenvolveu doença degenerativa
Laís Taine - Grupo Folha
Tubos de PVC, parafusos, cola, velcro, pá, almofada... Foi com esses itens que o gerente comercial Luciano Rodrigues, 51, improvisou uma cadeira de rodas para Kika, a cadela de estimação da família. A doença degenerativa que afeta a medula óssea foi descoberta há menos de um ano e a engenhoca foi a maneira que a família encontrou de amenizar o sofrimento do bichinho. Há 11 anos na família, a cadela ensina sobre superação e humanidade.
“Ela começou a cambalear e a veterinária pediu os exames básicos. Tentamos acupuntura, mas não teve melhora, então ela indicou a procura de um especialista”, conta Silvana Rodrigues, 47, dona de casa e também responsável pelo animal. Com exames específicos, chegaram ao diagnóstico: Kika desenvolveu mielopatia, que provoca perda gradual dos movimentos do corpo.
A cadela foi o primeiro animal de estimação da família. “Eu sou bióloga, amo os animais, mas não queria tê-los em casa naquela época, já o Luciano queria de qualquer jeito. Um dia, no meu trabalho, uma cadela teve três filhotes, todos foram adotados, mas a Kika foi devolvida”, recorda. Por pena de deixar o bichinho sozinho na empresa, decidiu levá-lo como lar temporário, mas a cadela acabou conquistando o espaço e o coração da tutora.
CUSTO ALTO
Depois dela, outros vários entraram para a família. Hoje o quintal conta com cinco cachorros, dois papagaios e um jabutim, todos adotados - a maioria chegou em situação deplorável. Praticamente uma vocação, o casal paga os custos com veterinários especialistas para cada área, providencia alimentação especial, como ração para cardíaco, ração para obesos, além dos gastos com banho, tosa e remédios. “Nós temos um custo alto todo mês. Seria um carro zero, uma viagem que a gente deixou de fazer, mas a gente abre mão para poder cuidar bem deles”, cita Luciano.
Não seria diferente com a cadela. Da descoberta da doença para a perda dos movimentos dos membros inferiores foram poucos meses. “Foi muito triste e muito rápido, um processo acelerado”, menciona a dona de casa. Sabendo que seria inviável comprar a cadeira específica de uma fábrica no exterior, Luciano passou a estudar uma forma de construir a cadeira para o animal.
Por meio de vídeos tutoriais na internet e muitos ajustes, chegou a um resultado. “Comecei há três meses, mas funcionando bem mesmo faz um mês e meio, porque ela é maior, está com pouco movimento e ela também tem que se adaptar”, afirma o gerente comercial. Kika sai aos finais de semana para passear. “Nós a levamos no aterro do Lago Igapó. Durante a semana ela tem o canto dela, seguindo a orientação do ortopedista”, afirma.
CHORONA
Os tutores também salientam que, pela idade e peso, não é adequado forçá-la a andar, pois isso demanda muito das patas dianteiras. “Ela está comendo ração para obeso, até já emagreceu um pouco e já é uma idosa. Nossa preocupação era a qualidade de vida, porque depois disso ela ficou mais chorona, de cortar o coração”, conta Silvana.
Nesses 11 anos, a cadela foi responsável por muitos momentos marcantes na família, até depois da chegada de Henrique, 11, que carrega a mesma paixão pelos animais que os pais. “A Kika, durante algum tempo, foi a dona do pedaço aqui. Ela olha no olho da gente, parece que tem gente dentro dela. É triste vê-la assim, mas não vamos deixá-la sofrer”, comenta Luciano. “Muita gente descarta um animal doente que foi um companheiro de uma vida, as pessoas precisam entender que é um ser vivo... A gente ainda tem que aprender muito com os animais”, acrescenta Silvana.
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