Cooperativismo, suporte econômico das pequenas cidades
Responsáveis por 60% do PIB agropecuário do Estado, cooperativas respondem ainda por grande parcela da movimentação econômica e empregos dos municípios de pequeno porte
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de maio de 2019
Responsáveis por 60% do PIB agropecuário do Estado, cooperativas respondem ainda por grande parcela da movimentação econômica e empregos dos municípios de pequeno porte
Victor Lopes - Grupo Folha 
Pelos 399 municípios do Paraná, o conceito de cooperativismo está de alguma forma enraizado – como uma planta em busca de nutrientes no solo – e não importa o tamanho da cidade. Uma forma de organização social e econômica que fica ainda mais latente quando se trata do agronegócio. Não por acaso, 60% do PIB (Produto Interno Bruto) Agropecuário do Estado tem participação das cooperativas. Um número substancial e case há décadas para outros estados, que buscam reproduzir esse modelo.
E se por aqui em nossas terras produção e cooperativismo caminham lado a lado, não seria ousadia dizer que nas pequenas cidades paranaenses a relação vai além: está no DNA de quem produz. Para esses produtores, é impossível pensar em começar uma safra sem estar vinculado a uma cooperativa do agro. Ligação que ultrapassa as fronteiras econômicas e que significa uma melhor qualidade de vida na propriedade, acesso a tecnologias e até uma relação afetiva de quem faz parte da cadeia.
À pedido da FOLHA Rural, a Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná) – com base em números do IBGE - fez um levantamento dos municípios com maior número de cooperados comparado ao número de produtores de cada território. No top 6 da lista que apresentam percentual acima de 80% de cooperados por produtor, cidades entre 3,1 mil e 6 mil habitantes, com participação das cooperativas variando entre 86% e 92%. São elas: Ivatuba, Pitangueiras, Rancho Alegre, Saudades do Iguaçu e Doutor Camargo. Realidade que a reportagem da FOLHA foi conhecer de perto, conversando com produtores, funcionários da cooperativas e representantes dos governos municipais. Todos conscientes do papel do sistema em municípios muitas vezes esquecidos pelo poder público.
Outro ponto interessante é que quando se trata dos 10 municípios com maior número de cooperados do agro, cidades pequenas e de médio porte continuam no topo da lista. Em Toledo, por exemplo, com 138,5 mil habitantes, dos 2,6 mil agricultores, cerca de 1,83 mil são cooperados. Na sequência estão Prudentópolis (1,52 mil cooperados), Pitanga (1,35 mil cooperados) e Marechal Cândido Rondon, com 1,33 mil cooperados.
O superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti, relata que os produtores de cidades de menor porte enxergam no cooperativismo uma forma de se organizar coletivamente, ganhando força social e econômica. “Desse espírito de cooperação dependem as famílias, os governos e acaba funcionando o nosso modelo de cooperativa, pensando no sistema capitalista que vivemos. É uma forma de buscar mais renda, qualidade de vida, contratação de profissionais de assistência técnica, além de organizar a produção, a comercialização e a armazenagem dos produtos.”
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Mafioletti cita, por exemplo, o município de Cafelândia (Oeste). No levantamento da FOLHA, a cidade de 17,7 mil habitantes possui 86,7% de produtores cooperados e toda uma engrenagem que depende do sistema cooperativista. “As cooperativas são parcerias bem importantes de qualquer governo. Em Cafelândia, 80% dos tributos municipais vêm delas. Além disso, empregos são gerados na comunidade e assim sustentam as famílias.”
Mesmo com toda essa movimentação, o superintendente da Ocepar acredita que é preciso continuar se aperfeiçoando para aumentar o número de cooperados pelo Estado. Entre os principais concorrentes do modelo, cerealistas e multinacionais do agro. “Com nosso modelo de governança, a ideia é que mais pessoas se insiram no sistema. Não podemos ser iguais a outros modelos de mercado, as pessoas ingressam porque veem um diferencial. Precisamos manter nossos serviços, tecnologias, armazéns adequados, agroindústrias, além de aceleração do conhecimento e tudo muito atualizado. São temas fundamentais para nos manter competitivos.”
“As cooperativas são parcerias bem importantes de qualquer governo. Em Cafelândia, 80% dos tributos municipais vêm delas"


