Roberval Aparecido da Silva: “Hoje, não estou cobrindo nem os custos de produção”
Roberval Aparecido da Silva: “Hoje, não estou cobrindo nem os custos de produção” | Foto: Saulo Ohara

A produção de café está no sangue do produtor Roberval Aparecido da Silva. Ele atua na atividade há anos numa área de 15 hectares na região de Londrina, além de mais 30 hectares dedicados a produção de soja e milho. Afinal, é difícil encontrar quem está no campo 100% focado no grão que já carregou sozinho o agronegócio paranaense até meados da década de 1970.

Ele relata que geralmente inicia a colheita entre o final de junho e começo de julho. O clima instável associado à sequência de floradas acabou puxando os trabalhos para provavelmente o início de junho. Um olhar pela lavoura dele já é o suficiente para ver um café heterogêneo, com grãos verdes e maduros juntos em maturação desigual.

“Infelizmente não deu o ponto de granação ideal (em uniformidade). Neste caso, são duas opções: ou tiramos uma remessa e esperamos a outra (madurar) ou deixamos até um ponto e colhemos tudo junto. Apesar de eu ter maquinário para colher separado, acho que vou esperar um pouco e fazer a colheita total. Este ano não foi bom devido ao clima, principalmente a seca severa.”

A quebra não será pequena. Segundo o cafeicultor, a produtividade média deve ficar em 20 sacas por hectare. Em anos, digamos, normais, o produtor tem médias até acima da estadual, entre 30 a 35 sacas por hectare. Até 2020, a projeção da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) é atingir 40 sacas por hectare. Número bem audacioso quando se vê as condições atuais da cultura no Estado, cada vez mais perdendo espaço e com dificuldades para implementar tecnologia. Atualmente, o parque cafeeiro possui apenas (área em produção) 37,8 mil hectares.

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O interessante é que produtores como Silva não desistem da atividade. Insistem. A área dele é uma das muitas que estão passando por renovação, retirando as plantas antigas e plantando variedades mais modernas para enfrentar pragas e doenças. Ele já fez isso em 80% da sua área. “Estava com problemas com nematoides . Agora plantei as IPR 100 e IPR 106 (variedades do Iapar resistentes aos nematoides) justamente para combater os parasitas.”

Para as próximas safras, a expectativa é uma retomada de produtividade. “Espero novamente entre 30 e 35 sacas por hectare”. O cafeicultor também espera uma recuperação de preços. “Em 2011, por exemplo, cheguei a receber R$ 450 a saca da bebida dura. Hoje, não estou cobrindo nem os custos de produção.”

E foi justamente naquele ano que Silva conseguiu investir no seu maquinário, o que prova que o produtor bem capitalizado investe na atividade. “Isso fez com que meus custos com a colheita diminuíssem entre 20% e 30%”. Por fim, ele deixa um aviso bem claro sobre a importância de diminuir os custos da mão de obra na colheita. “Quem gasta muito na colheita não consegue depois fazer um tratamento e manejo eficiente da lavoura. Assim, nesses casos, a cada ano o café vai piorando, área cada vez mais improdutiva, até o produtor sair de vez da atividade.”

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