Safra adiantada, bolso vazio
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sábado, 04 de maio de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 

A expectativa de alto volume de café no mundo tem pressionado os preços do grão beneficiado, e não é de hoje. Em 2018, por exemplo, só o Brasil atingiu uma produção recorde de 61,6 milhões de sacas, mas para a safra atual (2019/20), a projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que gire em torno de 50 a 54 milhões de sacas.
Mesmo com a queda natural devido à bienalidade da cultura (safra de menor volume alterna com de maior volume), os preços continuam ruins, principalmente puxados pela pressão de baixa do mercado internacional. Só para se ter uma ideia, em 2017, o valor da saca beneficiada no Paraná fechou com média de R$ 439. No ano passado caiu para R$ 408 e, agora, está em R$ 380 (primeiro quadrimestre). As exportações nacionais, pelo menos, estão em evolução.
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Este momento ruim acaba piorando com a colheita antecipada. Devido aos preços, o produtor preferiu segurar a comercialização das sacas do ano passado e agora não tem fluxo de caixa para custear a colheita. “O ideal é que a saca estivesse acima de R$ 400 para que pudesse vender e ajudar nos custos. Hoje estamos com um cafeicultor com produtividade baixa e também sem mecanização (para baixar os custos de produção)”, analisa o economista do Deral, Paulo Sérgio Franzini.
RECURSOS
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou no final do mês passado a distribuição dos recursos consignados no Orçamento Geral da União (OGU) para as linhas de crédito do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), para o exercício 2019. Os valores foram distribuídos da seguinte forma: operações de custeio até R$ 1,3 bilhão, estocagem (R$ 1,96 bilhão), financiamento para aquisição de café (R$ 1,14 bilhão), recuperação de cafezais danificados (R$ 10 milhões), entre outros valores.
Em relação ao ano passado, a medida amplia o volume de recursos para operações de custeio em 18,2%, de estocagem em 5,4%, e de aquisição de café pela indústria em 8,1%. Além disso, a fim de racionalizar a utilização dos recursos, unifica os limites das linhas de capital de giro para cooperativas de produção, para indústria de café solúvel e para a indústria de torrefação de café, cujos recursos somados foram reduzidos em 29,7%.
Para Franzini, toda essa movimentação do Funcafé não faz diferença para o Paraná. “Hoje quase não tomamos crédito para o café, muitos produtores estão na linha do Pronaf (crédito para agricultura familiar). Hoje a questão mais grave que temos é referente ao preço. Se o valor de comercialização está ruim, não adianta (esse tipo de movimentação). Com esses valores baixos de comercialização, (fatalmente) o produtor vai desembolsar recursos (do próprio bolso).” (V.L.)


