Uso indiscriminado de ‘canetas emagrecedoras’ é prejudicial à saúde
Especialistas advertem que emagrecer deve ser um processo de cuidado e não apenas de aparência estética; 'não existe solução mágica', ressaltam
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domingo, 26 de outubro de 2025
Especialistas advertem que emagrecer deve ser um processo de cuidado e não apenas de aparência estética; 'não existe solução mágica', ressaltam

Com a promessa de resultados rápidos, as "canetas emagrecedoras" se tornaram objetos de desejo nos consultórios médicos, clínicas estéticas e sites de busca da internet. Segundo dados do Google Trends, o termo já superou até mesmo a palavra ‘dieta’ em número de pesquisas.
Nos últimos seis anos, as vendas desses produtos cresceram mais de 660%. “A palavra dieta continua associada à restrição, disciplina e tempo. Já as canetas oferecem a ideia de emagrecimento sem sofrimento, sem mudança de hábitos; um tipo de solução rápida para um problema complexo, como a obesidade”, alerta a coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (CentroOeste), Janaiara Moreira Sebold Berbel.
Como funciona
As canetas emagrecedoras disponíveis no mercado brasileiro são medicamentos regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Elas foram desenvolvidas originalmente para o tratamento de Diabetes Mellitus tipo 2 ou obesidade. O preço varia de R$ 600 a R$ 1.800 por unidade.
Quando injetam substâncias que imitam hormônios intestinais, elas promovem a saciedade e retardam o esvaziamento gástrico. A sensação de ‘estômago cheio’ diminui o apetite e, consequentemente, o peso.
“Elas são consideradas fármacos de uso controlado, que exigem prescrição médica e acompanhamento especializado. Não são suplementos ou produtos de beleza”, ressalta Janaiara.
“O endocrinologista é quem vai determinar a dose, o princípio ativo e o tempo do tratamento. Fazer uso desses remédios sem acompanhamento pode trazer graves problemas de saúde; seja por efeitos colaterais, reganho de peso ou emagrecimento ineficiente”, alerta a professora do curso de Nutrição do Integrado, Camila Frazão.
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'Corpo de praia'
Segundo Janaiara, quem mais consome as canetas emagrecedoras são as mulheres jovens e adultas. “A cobrança pelo corpo ideal ainda recai de forma mais intensa sobre elas. Muitas já tentaram várias dietas e métodos convencionais sem sucesso. Por isso, recorrem a uma solução aparentemente definitiva”, explica.
A nutricionista alerta que a proximidade do verão faz a procura aumentar ainda mais. “O fator estético ganha pessoa adicional nesta época do ano. Muitas mulheres querem perder de 5 a 10 quilos em poucos meses e alcançar o chamado ‘corpo de praia’, mas isso pode colocar a própria saúde em risco”, adverte.
Efeitos colaterais
Apesar da popularidade, as canetas emagrecedoras não podem ser compradas livremente nas farmácias, drogarias e internet. Por serem de uso controlado, exigem receita médica, que fica retida no estabelecimento.
Embora apresentem benefícios à saúde, quando bem indicadas, as canetas emagrecedoras podem causar efeitos colaterais como náuseas, vômitos, diarreia, constipação e dores abdominais. Em situações mais raras, podem ocorrer pancreatite e hipoglicemia.
“Emagrecer deve ser entendido como um processo de saúde, de cuidado e não apenas como uma questão de aparência estética. Quando a pressa supera o cuidado, o risco aumenta”, destaca a especialista e nutricionista.
Bons hábitos de vida
Camila Frazão reforça que os injetáveis não substituem bons hábitos de vida, como a prática de atividade física e a reeducação alimentar.
“Quando isso acontece e o tratamento farmacológico é realizado com acompanhamento médico regular e multidisciplinar - envolvendo nutricionistas, psicólogos e educadores físicos especializados - o emagrecimento é mais eficiente, preserva a massa magra e garante maior estabilidade ao metabolismo”, explica.
Segundo as especialistas, o medicamento deve ser visto como uma ferramenta auxiliar, mas não como solução mágica. “O foco é garantir saúde e qualidade de vida. Não há atalhos seguros para o emagrecimento verdadeiro e sustentável, que passará pela mudança de hábitos e pelo cuidado contínuo com o próprio corpo”, conclui Janaiara Moreira Sebold Berbel.
(Com informações do Centro Universitário Integrado)






