Novo colírio promete até 10 horas sem óculos de leitura
Medicamento tem efeito ‘pinhole’ que melhora a presbiopia, mas deve ser usado com cautela, alerta especialista
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de agosto de 2025
Medicamento tem efeito ‘pinhole’ que melhora a presbiopia, mas deve ser usado com cautela, alerta especialista
Da Redação 

O FDA (Food and Drug Administration) agência americana similar à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no Brasil, aprovou recentemente o colírio Vizz. O medicamento promete 10 horas longe dos óculos de leitura em pessoas que têm presbiopia, dificuldade de enxergar de perto e popularmente conhecida como "vista cansada".
O colírio nem chegou ao Brasil, mas nos consultórios muitos pacientes já querem mais informação. Para o oftalmologista Leoncio Queiroz Neto, o interesse está relacionado ao rápido envelhecimento da população brasileira. Isso porque a presbiopia é o primeiro sinal de envelhecimento ocular. Surge a partir dos 40 anos e progressivamente enrijece o cristalino, lente interna do olho que deixa de alternar a amplitude e a curvatura para enxergarmos nas várias distâncias.
A condição atinge 1,8 bilhão pessoas no mundo que em maior ou menor grau têm dificuldade de leitura, usar o celular e outras atividades que exigem boa visão proximal.
Como funciona
O Vizz deve ser instilado 2 vezes/dia em cada olho. Contém aceclidina a 1,44%, um derivado da pilocarpina. A substância, conhecida pela oftalmologia desde 1874, quando aplicada no olho contrai a pupila. Queiroz Neto afirma que esta contração funciona como um “efeito pinhole”, ou seja, aumenta a profundidade do foco ao diminuir a quantidade de luz que penetra nos olhos.
O problema é que o efeito no olho a longo prazo não está completamente elucidado, comenta o oftalmologista. O fabricante realizou três ensaios clínicos. No mais longo os participantes foram acompanhados por 60 dias. Sete em cada 10 participantes tiveram melhora significativa da presbiopia. Todos também sentiram irritação nos olhos, dor de cabeça e visão turva temporária.
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Grupos de risco
“O novo colírio pode ser uma solução para reduzir o uso dos óculos de leitura, mas a ação do medicamento exige cautela”, alerta Queiroz Neto . “Isso porque, embora não tenha similares no mercado, as gerações anteriores de colírios com efeito semelhante provocaram efeitos colaterais significativos“, salienta.
O especialista ressalta que na oftalmologia é bem conhecido o risco de descolamento de retina pelo uso contínuo da pilocarpina. “Os principais grupos de risco são os altos míopes, pessoas que têm glaucoma e diabéticos. Isso porque, têm a retina mais frágil e só devem usar o Vizz depois de um exame detalhado da retina e sob supervisão de um oftalmologista", pontua.
O descolamento da retina é uma importante causa de perda irreparável da visão. Os primeiros sinais são: flashes de luz, manchas escuras e muitas moscas volantes. A qualquer um desses sinais é necessário buscar atendimento oftalmológico imediatamente.
Correção cirúrgica
O oftalmologista afirma que na maioria das pessoas a presbiopia progride até 65 anos quando o cristalino zera sua capacidade de acomodação. Para quem não gosta de usar óculos a única técnica de correção cirúrgica para enxergar bem até o desenvolvimento da catarata é a refrativa pela técnica da monovisão.
Queiroz Neto explica que na cirurgia o laser molda a córnea do olho dominante para enxergar a distância e o outro olho para enxergar próximo. “Todas as imagens que nossos olhos captam se fundem em uma área do cérebro responsável pela visão. Assim, quem faz a cirurgia passa a enxergar em todas as distâncias”, explica.
Esta cirurgia é bastante indicada para quem trabalha o dia todo em frente a uma tela e outras atividades que exigem mais da visão proximal como cirurgiões, dentistas e alguns esportistas.
(Com informações da assessoria)



