Novembro Azul: homens devem praticar o autocuidado o ano inteiro
Entidade paranaense lança campanha com objetivo de combater tabus, enfatizar o diagnóstico precoce e reforçar o urologista como porta de entrada para a saúde integral do homem
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sábado, 07 de novembro de 2026
Entidade paranaense lança campanha com objetivo de combater tabus, enfatizar o diagnóstico precoce e reforçar o urologista como porta de entrada para a saúde integral do homem

Adiar a consulta, deixar um exame para depois, ignorar um sintoma ou conviver com dúvidas sobre a própria saúde. É a partir desse comportamento comum aos homens que a SBU-PR (Sociedade Brasileira de Urologia – Secção Paraná) lança a campanha Novembro Azul 2026, com o mote “Tire sua saúde do papel”. A iniciativa busca estimular a prevenção e o acompanhamento médico durante todo o ano.
“A ideia do ‘Tire sua saúde do papel’ é lembrar que o cuidado não deve começar apenas quando aparece um problema. Queremos que os homens pratiquem autocuidado não só em novembro, mas no ano inteiro”, explica o presidente da SBU-PR, Frederico Fraga.
Segundo dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de próstata está entre os tumores mais frequentes entre os homens brasileiros. A estimativa é de 78 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028, o que representa 30,5% do total de diagnósticos de câncer. O desafio da saúde pública, diante dos números, é identificar a doença nas fases iniciais, aumentando as possibilidades de cura.
“Mundialmente, o câncer de pulmão é o que mais acomete homens, mas, no Brasil, o câncer de próstata é o mais diagnosticado justamente porque conseguimos realizar um diagnóstico mais precoce. Quanto mais cedo identificamos a doença, mais eficaz é o tratamento e menor é a mortalidade, permitindo que a gente mude o curso da vida desse paciente”, afirma Marco Aurélio Rodrigues, associado da SBU-PR.
Um dos principais alertas da campanha “Tire sua saúde do papel” é que o câncer de próstata em estágio inicial geralmente não apresenta sintomas. Por isso, esperar por sinais ou alterações urinárias para procurar atendimento pode atrasar a identificação da doença.
Dificuldade para urinar, jato urinário fraco e aumento da frequência das micções, por exemplo, podem estar relacionados à hiperplasia prostática benigna, caracterizada pelo crescimento não canceroso da próstata. Esses sintomas exigem avaliação médica, mas não significam, necessariamente, a presença de câncer.
A partir dos 50 anos
A recomendação é que os homens investiguem o câncer de próstata a partir dos 50 anos, por meio de consultas anuais ao urologista. Homens com histórico familiar de câncer de próstata, especialmente em parentes de primeiro grau, assim como homens negros, podem apresentar maior risco e devem conversar com um especialista mais cedo.
A avaliação inicial pode incluir o exame de sangue PSA (antígeno prostático específico) e o toque retal. Os procedimentos são complementares e ajudam a identificar alterações que, quando necessário, serão investigadas por meio de outros exames.
“O PSA é um importante marcador, mas não deve ser utilizado isoladamente. Alguns tumores podem ocorrer mesmo com valores que não estejam elevados, enquanto outras condições benignas também podem alterar o resultado”, esclarece Horácio Alvarenga, associado da SBU-PR, destacando que o toque retal permite avaliar características da próstata, como textura e presença de nódulos, contribuindo para a investigação.
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Informação acessível e qualificada
No Novembro Azul de 2026, a SBU-PR quer estimular os homens a reconhecerem fatores de risco, buscarem orientação diante de sintomas e alterações e compreender que cada decisão relacionada à saúde deve considerar as características individuais do paciente.
A campanha também esclarece que um exame alterado não representa, por si só, um diagnóstico de câncer. O objetivo é oferecer informação acessível e qualificada, sem simplificar decisões médicas que dependem de avaliação individualizada.
Combater tabus
Outra preocupação da SBU é combater tabus relacionados ao toque retal e aos tratamentos do câncer de próstata. Silvio Henrique Maia de Almeida, associado da SBU-PR, lembra que os avanços da medicina ampliaram as possibilidades terapêuticas, incluindo cirurgia robótica, radioterapia e tratamentos hormonais, indicados conforme as características e o estágio da doença. As estratégias de tratamento e seus possíveis efeitos variam de acordo com cada caso.
“Essas novas técnicas trouxeram avanços importantes para o tratamento, com possibilidades de reduzir a invasividade e preservar a qualidade de vida. A escolha da abordagem precisa considerar as características do tumor e as condições de cada paciente”, explica.
Além do acompanhamento médico, o cuidado integral também envolve hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do peso, que contribuem para a saúde geral e para a redução de riscos metabólicos e cardiovasculares.
Abordar outras questões de saúde
Os especialistas destacam ainda que a consulta urológica pode representar uma oportunidade para abordar outras questões de saúde, incluindo alterações urinárias, dificuldades sexuais e fatores de risco para doenças crônicas.
“O urologista frequentemente atua como uma porta de entrada para a saúde integral do homem, permitindo identificar e encaminhar questões que vão além das doenças urológicas”, observa Frederico Fraga.
“Queremos incentivar os homens a transformar aquilo que muitas vezes fica para depois em uma atitude concreta. Seja marcar uma consulta, investigar um sintoma, realizar um exame ou buscar informação, o importante é não deixar o cuidado apenas no campo da intenção”, reforça o presidente da SBU-PR.





