Não é coisa de criança: ansiedade odontológica afeta pacientes de todas as idades
Segundo a cirurgiã-dentista, identificar a origem dessa insegurança é parte importante do atendimento
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Segundo a cirurgiã-dentista, identificar a origem dessa insegurança é parte importante do atendimento

Medo de dentista não é exclusividade das crianças. Ansiedade, desconforto e insegurança também acompanham adolescentes e adultos e podem interferir na decisão de procurar atendimento, iniciar um tratamento ou manter o acompanhamento necessário.
Uma pesquisa publicada em 2026 no British Journal of Clinical Psychology, conduzida por pesquisadores poloneses, reuniu dados de 19 estudos com 9.267 adultos e estimou que 18% apresentam níveis elevados de ansiedade odontológica. Já uma pesquisa global publicada em 2024 no Journal of Dentistry analisou 25 estudos e estimou que cerca de 30% das crianças entre 2 e 6 anos apresentam medo ou ansiedade relacionados ao atendimento odontológico.
Na ortodontia, esse receio pode assumir formas diferentes ao longo da vida. Na infância, o medo costuma estar relacionado ao desconhecido: o ambiente, os instrumentos, os sons e a expectativa sobre aquilo que acontecerá durante a consulta. A forma como pais e responsáveis falam sobre o dentista também pode interferir nessa percepção, especialmente quando experiências negativas dos adultos acabam chegando à criança antes mesmo de ela viver a própria experiência.
Na adolescência, entram outras questões. A preocupação pode estar menos ligada à consulta em si e mais à aparência, à reação dos colegas, ao convívio social e às mudanças de rotina associadas ao aparelho. Alimentação, higiene e adaptação também podem ser percebidas como obstáculos antes mesmo do início do tratamento.
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Já entre os adultos, o medo frequentemente vem acompanhado de experiências anteriores. Uma consulta difícil vivida anos atrás, receio de dor ou constrangimento por iniciar um tratamento mais tarde podem fazer com que o paciente adie a avaliação mesmo quando já percebe a necessidade de procurar um especialista.
'Nem todo medo tem a mesma origem'
Segundo a cirurgiã-dentista Claudia Consalter, identificar a origem dessa insegurança é parte importante do atendimento. “Nem todo medo tem a mesma origem. Entender se aquela insegurança vem de uma experiência anterior, da expectativa de dor, da aparência ou do desconhecimento ajuda o profissional a explicar melhor o tratamento e a conduzir cada paciente de forma mais individualizada”, afirma.
A ansiedade passa a exigir atenção maior quando deixa de ser apenas uma sensação de desconforto e começa a determinar o comportamento do paciente. Isso pode acontecer quando ele adia repetidamente uma avaliação, evita consultas, resiste ao início de um tratamento já indicado ou interrompe o acompanhamento depois de começá-lo.
Na ortodontia, essa questão ganha ainda mais importância porque o tratamento depende de regularidade. A colocação do aparelho é apenas uma etapa de um processo que exige consultas periódicas, ajustes, acompanhamento da evolução e participação ativa do paciente nos cuidados orientados pelo profissional.
Faltas frequentes ou longos intervalos entre as consultas podem interferir no planejamento e prolongar um processo que já exige continuidade.
Por isso, previsibilidade também faz parte do atendimento. Explicar antecipadamente as etapas, esclarecer dúvidas, falar de forma realista sobre possíveis desconfortos e abrir espaço para que o paciente manifeste suas preocupações ajudam a reduzir o peso do desconhecido.
“Dizer apenas que o paciente não precisa ter medo nem sempre resolve. Muitas vezes, ele precisa entender o que vai acontecer. Quando explicamos cada etapa, orientamos sobre adaptação e deixamos espaço para perguntas, conseguimos construir uma relação de mais confiança e favorecer a continuidade do tratamento”, diz Consalter, sócia-fundadora da OrthoDontic.
Informação, previsibilidade, acompanhamento e acolhimento ajudam a tornar o cuidado mais compreensível, seja para uma criança entrando pela primeira vez em uma clínica, um adolescente preocupado com o aparelho ou um adulto que carrega experiências negativas de muitos anos atrás.
(Com informações da Assessoria)




