Sentir dor de cabeça ocasionalmente pode parecer algo corriqueiro. Estresse, noites mal dormidas, má alimentação ou até mesmo a falta de correção visual estão entre os fatores que podem desencadear esse sintoma. No entanto, quando essas dores se tornam frequentes e intensas, é sinal de alerta. Segundo dados recentes da OMS (Organização Mundial da Saúde), 4 em cada 10 pessoas no mundo vivem com algum tipo de distúrbio relacionado à dor de cabeça, sendo a enxaqueca o tipo mais comum.

Mais do que uma simples dor, a enxaqueca é considerada uma condição neurológica crônica e incapacitante. “A enxaqueca pode causar sintomas severos como dor latejante, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som. Em muitos casos, o paciente precisa se afastar de atividades sociais e profissionais por dias”, explica o neurologista Lucas Ferreti, especialista em dor e membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe) e da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor.

Ferreti afirma que o impacto da enxaqueca vai muito além da dor física. “Já acompanhei casos em que pacientes passaram anos peregrinando entre especialistas, acumulando frustrações e prejuízos emocionais, profissionais e familiares. A dor crônica, especialmente a cefaleia, rouba qualidade de vida e precisa ser encarada com seriedade”, ressalta o profissional, que atendeu cerca de oito mil pacientes ao longo de sua carreira.

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Automedicação

Estudos demonstram que a enxaqueca é uma das dez principais causas de incapacidade no mundo, afetando significativamente a produtividade no trabalho, o bem-estar mental e o convívio social.

“Infelizmente, ainda existe um grande número de pessoas que normaliza a dor de cabeça frequente ou tenta mascará-la com automedicação. Isso atrasa o diagnóstico e dificulta o tratamento adequado”, alerta o médico.

Apesar de ainda não haver cura definitiva para a enxaqueca, há opções de tratamento eficazes e personalizadas, que incluem desde mudanças no estilo de vida até terapias medicamentosas e procedimentos específicos. “Cada paciente é único. Meu compromisso como especialista é encontrar a melhor abordagem para que a pessoa volte a ter uma vida sem dor ou, pelo menos, com significativa melhora na frequência e intensidade das crises”, afirma.

Diante da alta prevalência e dos impactos diretos na saúde pública, especialistas reforçam a importância de procurar avaliação médica ao notar dores de cabeça recorrentes. A identificação precoce e o tratamento adequado são fundamentais para interromper o ciclo de sofrimento.

(Com informções da assessoria)

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