Epilepsia com crise de riso involuntário é tratada com neurocirurgia
Criança de três anos, com um tumor raro, foi submetida ao procedimento em hospital de Curitiba
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sábado, 23 de agosto de 2025
Criança de três anos, com um tumor raro, foi submetida ao procedimento em hospital de Curitiba
Da Redação 

O pequeno Luiz Miguel, três anos, sofria com um tumor raro, chamado de harmatoma hipotalâmico, condição que vinha provocando um quadro de crises epiléticas, desde os quatro meses de idade, e que foi se agravando à medida que ele crescia. Quando completou um ano, passou a ter crises gelásticas, um tipo de convulsão que se apresenta na forma de riso intenso e involuntário. Foi por meio de uma ressonância magnética que a criança teve o diagnóstico do harmatoma, a causa da epilepsia. No entanto, como era muito pequeno, vinha sendo tratado apenas com medicamentos.
Em 2024, a criança chegava a ter 15 convulsões, por dia. “As crises ficaram mais fortes. O tempo todo ele ficava sentadinho ou no colo. Ele não era livre para brincar como as outras crianças e já estava prejudicando bastante o desenvolvimento dele”, contam os pais, Lindomar e Vanessa Mendes, agricultores de Nova Laranjeiras (Oeste), acrescentando que ficou sabendo do tratamento realizado em um hospital de Curitiba por meio de uma amiga.
Estereotaxia
O harmatoma hipotâmico é um tumor raro e tem a prevalência de um para 100 mil nascimentos. Desenvolve-se geralmente em crianças e é localizado em uma área extremamente importante, no meio do cérebro, e de acesso muito difícil. “A evolução deste tipo de tumor é muito ruim, provoca epilepsia refratária, atraso cognitivo, além de alteração psiquiátrica, levando a uma péssima qualidade de vida”, explica o neurocirurgião do Hospital INC (Instituto de Neurologia de Curitiba), Murilo Meneses.
“O tratamento é cirúrgico. Mas a remoção do harmatoma tem alto risco de complicações. Por isso optamos por utilizar a técnica de estereotaxia, mas foi preciso esperar o Luiz Miguel completar três anos para realizarmos esse procedimento”, acrescenta o neurocirurgião.
Segundo ele, a estereotaxia é uma opção menos invasiva que promove a coagulação do harmatoma por radiofrequência. “Nesses casos, acredita-se que as crises epiléticas acontecem por vias no hipotálamo que acabam se espalhando e provocando as crises. Com essas coagulações é possível interromper esses caminhos que levam à epilepsia. E os resultados são próximos às outras técnicas, mas com índices de complicações bem mais baixo”, informa o médico, pontuando que os harmatomas hipotalâmicos devem ser tratados em centros especializados de cirurgia de epilepsia e de tumores cerebrais, com uma avaliação ampla, para que se obtenha os melhores resultados.
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Precisão milimétrica
A cirurgia de Luiz Miguel levou cerca de duas horas. Baseada em coordenadas cartesianas, a estereotaxia é um procedimento de alta precisão, realizado com um aparelho fixo na cabeça do paciente. A partir de uma ressonância magnética e de um sistema de neuronavegação é feita a fusão das imagens, obtendo uma precisão milimétrica com a visualização de todo trajeto que será percorrido, evitando riscos de hemorragias e sequelas.
“O Luiz Miguel já apresentou melhora expressiva, com a queda drástica no número de crises nas últimas semanas e uma melhora do aspecto cognitivo, ficando mais atento e interagindo melhor. Ainda é possível completar o tratamento com nova cirurgia se necessário mas, aparentemente, ele terá um ótima evolução”, esclarece Meneses.
Programa social
Luiz Miguel está fazendo o tratamento por meio do INC Neuro Kids, programa social do Hospital INC que atende crianças de baixa renda com tumor cerebral e medular, e epilepsia de forma gratuita, ofertando toda a estrutura e expertise médica disponível na instituição. A família não teve custos com exames, cirurgia, acompanhamento especializado e internamento. “Quando entramos em contato com o hospital e explicamos a nossa situação, o próprio hospital nos falou do INC Neuro Kids. Para nós foi a salvação."
O pequeno paciente também passou a ser acompanhado por uma neuropsicóloga. “Estamos esperançosos de que as crises acabem, que ele não corra mais o risco de cair, que possa ir para escola e ter qualidade de vida como as outras crianças”, acredita Vanessa Mendes.
(Com informações do Hospital INC)




