Entidade promove campanha de prevenção do câncer de cabeça e pescoço
Objetivo é ampliar índice de diagnósticos precoces por meio da conscientização sobre fatores de risco evitáveis
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Objetivo é ampliar índice de diagnósticos precoces por meio da conscientização sobre fatores de risco evitáveis

A ACBG Brasil - Associação Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço realiza a 10ª Campanha Nacional de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço, o Julho Verde 2026. O tema deste ano é "Da boca aos pulmões, tudo está conectado. Por mais laços na oncologia". O objetivo principal é ampliar o índice de diagnósticos precoces no país por meio da conscientização sobre fatores de risco evitáveis e do monitoramento atento a sinais e sintomas.
A novidade desta edição é a conexão estratégica entre as campanhas Julho Verde e Agosto Branco. Baseada na proximidade das datas mundiais — o Dia Mundial de Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço (27 de julho) e o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Pulmão (1º de agosto) —, com foco no tabagismo como o principal fator de risco comum e alerta para a saúde de forma integrada. Além disso, os pulmões representam o principal sítio de metástase à distância para os tumores originados na região da cabeça e pescoço.
A mobilização ganha ainda mais força institucional com o respaldo da Lei Federal nº 14.328/2022, que instituiu oficialmente o mês de julho no calendário nacional, obrigando autoridades e organizações públicas a realizarem ações de prevenção em todo o território brasileiro. A campanha de 2026 também celebra a consolidação do Agosto Branco, em conformidade com a Lei nº 15.207.
Diagnóstico tardio e sequelas
Atualmente, o maior desafio da oncologia de cabeça e pescoço no Brasil é o diagnóstico tardio: 78,2% dos casos são detectados em estágios avançados (III ou IV). Quando a doença é descoberta tardiamente, a taxa de sobrevida em cinco anos cai para cerca de 37% e o tratamento costuma exigir procedimentos invasivos que resultam em mutilações graves.
Como os tumores afetam as vias aéreas-digestivas superiores, essas sequelas comprometem diretamente funções vitais e a autonomia do paciente, afetando a voz, a fala, a respiração e a alimentação.
Em contrapartida, a ACBG Brasil reforça que o diagnóstico precoce oferece até 90% de chances de cura, sendo a ferramenta mais eficaz para preservar as capacidades essenciais, a identidade e a qualidade de vida do indivíduo.
"Receber um diagnóstico de câncer ainda assusta. Muita gente se desespera por causa do estigma que a doença ainda carrega na sociedade. Mas a medicina avançou bastante, e quando o câncer é descoberto no início, muitos casos podem ser curados. O problema é que os tumores de cabeça e pescoço ainda chegam com frequência em estágios avançados, o que pode causar mutilações que seriam evitáveis", ressalta o voluntário da ACBG Brasil, Ricardo Gama, que é sobrevivente de câncer de laringe, laringectomizado (fala com prótese traqueoesofágica).
"Como cuidador e cofundador da associação, sei bem que o câncer de cabeça e pescoço nunca adoece uma pessoa sozinha; ele impacta profundamente toda a estrutura familiar, trazendo desafios emocionais e uma pesada sobrecarga financeira que desestabiliza os lares. A ACBG Brasil trabalha para mudar essa realidade, e esta 10ª edição da campanha é mais uma oportunidade de reforçar a importância da informação, do cuidado e do diagnóstico precoce", afirma Gabriel Marmentini, cofundador e presidente da instituição.
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4º tipo mais frequente no Brasil
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou o perfil epidemiológico para o triênio 2026-2028, revelando projeções preocupantes. O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano, o que representa um aumento de aproximadamente 10,9% em relação ao triênio anterior.
Dentro desse universo, o câncer de cabeça e pescoço responde por cerca de 5,3% do total, com 42.150 novos diagnósticos estimados anualmente (somando 126.450 casos para o triênio).
As estimativas do Inca para o triênio 2026-2028 mostram crescimento em importantes tipos de câncer relacionados à região da cabeça e pescoço e aos pulmões. O câncer de cavidade oral, que acomete lábios, gengivas, língua, céu da boca e assoalho da boca, registrou o aumento mais expressivo, passando de 15.100 para 17.190 novos casos por ano. Já o câncer de laringe, associado principalmente ao tabagismo e ao consumo de álcool, teve crescimento de 9,2%, chegando a 8.510 casos anuais.
O câncer de tireoide, tumor endocrinológico mais frequente e mais comum entre as mulheres, manteve elevada incidência, com estimativa de 16.450 novos casos por ano. Outro dado preocupante é o aumento de 19% nos casos de câncer de pele não melanoma, o tipo mais frequente no país, que costuma surgir em áreas expostas ao sol, como rosto, orelhas e couro cabeludo.
O relatório também aponta crescimento de 8,6% nas estimativas para câncer de pulmão, reforçando a necessidade de atenção aos fatores de risco relacionados ao tabagismo e ao uso de dispositivos eletrônicos para fumar. Além disso, tumores de cabeça e pescoço, especialmente os carcinomas de células escamosas, podem se disseminar para os pulmões, tornando o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo fundamentais para melhorar os resultados do tratamento.
Sinais de alerta
Os tumores de cabeça e pescoço podem demorar para apresentar sintomas e, muitas vezes, são diagnosticados em estágios avançados. O tratamento, que pode ser realizado com cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia, tem a possibilidade de deixar sequelas irreversíveis, mexendo com a estética facial, com a deglutição e alimentação, com a fala e a voz.
Por isso, é importante conhecer e ficar atento aos sinais mais comuns destes tipos de tumores. A população deve procurar avaliação médica especializada se identificar qualquer um dos seguintes sinais e sintomas por mais de 15 dias consecutivos:
Ferida no rosto ou na boca que não cicatriza;
Mancha avermelhada ou esbranquiçada nos lábios e cavidade oral;
Dificuldade ou dor para mastigar ou engolir;
Caroço no pescoço, na boca ou na mandíbula;
Irritação ou dor na garganta, tosse, dores de cabeça, dor de ouvido e falta de ar persistentes;
Mudança na voz ou rouquidão progressiva;
Aftas, mau hálito e hemorragias nasais frequentes;
Dentes moles ou dor em torno deles sem causa aparente.
Perda de peso sem motivo aparente;
Alterações oculares (movimentação ocular ou visão);
Os principais fatores de risco incluem o consumo de tabaco em todas as suas formas (incluindo cigarroseletrônicos e narguilé), o consumo abusivo de bebidas alcoólicas, alimentação rica em processados e ultraprocessados, exposição solar sem proteção nas áreas fotoexpostas, infecção pelo vírus HPV (transmitido principalmente por relações sexuais desprotegidas, inclusive sexo oral) e infecção pelo vírus EBV.
Mobilização Nacional em Rede
Para expandir o alcance da mensagem, a ACBG Brasil mobiliza sua ampla estrutura nacional, que inclui a Rede+Voz (presente em todos os estados do país com 42 voluntários ativos) e os GALs (Grupos de Acolhimento e Laços), que somam 15 grupos ativos regionalmente.
“Nosso trabalho em advocacy (defesa de direitos do paciente) conseguiu incorporar a laringe eletrônica na tabela do SUS, conquistou o reajuste no valor de reembolso da prótese traqueoesofágica (de voz), para dar acesso a todo paciente que perdeu suas cordas vocais na retirada do tumor. Porém, essas leis precisam ser cumpridas na ponta e nosso trabalho é fiscalizar e cobrar até que todas as vozes sejam ouvidas”, enfatiza Gabriel Marmentini, cofundador e presidente da instituição.
(Com informações da Assessoria)




