Serviço de odontologia do Hospital Pequeno Príncipe: surgimento da mucosite depende muito do tempo de quimioterapia
Serviço de odontologia do Hospital Pequeno Príncipe: surgimento da mucosite depende muito do tempo de quimioterapia | Foto: Maria Fernanda Schneider/Hospital Pequeno Príncipe



A queda na imunidade em pacientes de quimioterapia pode desencadear inflamações como a mucosite, que ocorre na parte interna da boca e da garganta causando feridas que comprometem a rotina das refeições. "Quando há a mucosite, é preciso fazer uma alteração maior na dieta do paciente. A gente vai colocar mais alimentos pastosos, líquidos e frios para facilitar a deglutição e que não causem tanta dor no momento de engolir. Um alimento mais seco pode machucar mais ainda a boca. Nesses casos, a gente vai ofertar para as crianças picolé, água de coco e chá para tentar retomar a alimentação e depois reorganizar a rotina dentro de um plano saudável", detalha a nutricionista Mirella Aparecida Neves, do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba.

Quando a inflamação é identificada, é necessário reduzir o consumo de temperos em razão do ardor e do incômodo no momento do contato entre os alimentos e as feridas na boca. "O sal não é utilizado na alimentação de pacientes menores de um ano e, nos demais pacientes, apenas quando há mucosite. Alimentos ácidos como sucos de laranja, limão e abacaxi também são evitados quando o paciente apresenta a inflamação", reforça.

A dentista Nancy Barros destaca que essas lesões podem surgir também na laringe, aparelho digestivo e até mesmo no intestino. "O aparecimento da mucosite vai depender muito do tempo de quimioterapia, mas cerca de 95% dos pacientes atendidos aqui acabam desenvolvendo essas feridas", comenta ela, que atua como coordenadora do serviço de odontologia do Hospital Pequeno Príncipe.

A orientação profissional é de que todos passem por uma avaliação odontológica antes de iniciar o tratamento, com o objetivo de eliminar todos os focos infecciosos da boca. "Pois, durante o tratamento, a resistência do paciente tende a cair e podem surgir complicações", explica.

Seja como medida curativa ou preventiva, os dentistas utilizam a laserterapia nos pacientes pela ação anti-inflamatória e analgésica. "No tratamento prévio com laser, a gente faz com que as lesões não sejam tão agressivas", destaca. Em casa, a orientação aos pacientes e familiares é caprichar na higiene bucal, optando por escovas macias e movimentos cuidadosos. (M.O.)

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