“Você mora no Paraná? É frio lá, né?”. A pergunta quase que afirmativa é senso comum entre muitos brasileiros de outras regiões do País. Cortado pelo Trópico de Capricórnio, em uma zona de transição climática, o Norte do Estado foge ao imaginário do Sul do País de luvas, botas e cachecóis. Cidades como Cambará, no Norte Pioneiro, onde os termômetros ultrapassam os 40°C, ou mesmo Londrina, são marcadas por temperaturas elevadas durante a maior parte do ano. No entanto, em meio à terra quente e fértil, alguns “enclaves” de características mais frias resistem à severidade do calor. São cidades com altitudes superiores ou próximas aos 900 metros.

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. | Foto: Folha Arte

Mauá e São Jerônimo guardam potencial em energia eólica e turismo

Sair debaixo das cobertas pela manhã, quando a cerração ainda envolve as ruas, não é tarefa fácil para os novos moradores de Mauá da Serra. A cidade localizada a 1.020 metros acima do nível do mar tem um dos maiores registros de aumento populacional da região nos últimos anos. Enquanto a maioria dos municípios de pequeno porte tem tendência de esvaziamento, Mauá, com 10,6 mil habitantes segundo a estimativa deste ano, cresce acima de 1% ao ano. “Quem chega de outras cidades mais quentes estranha um pouco o nosso clima um pouco mais frio”, conta Benedita Feltrin Santiago, proprietária de um hotel na Avenida Ponta Grossa.

Com a sede situada a 976 metros, São Jerônimo da Serra é a segunda mais elevada da região
Com a sede situada a 976 metros, São Jerônimo da Serra é a segunda mais elevada da região | Foto: Lis Sayuri/4-6-2015

Nascida em Mirassol, no noroeste de São Paulo, ela mudou-se para Mauá da Serra ainda criança. “Eu já me acostumei com o clima aqui. Quando vou para São Paulo passo até mal com o calor. Mas confesso que no inverno não é fácil. O vento corta a gente, resseca toda a pele, é um horror”, diz. Para ela, o recurso natural é subaproveitado. “Tinha que instalar aquelas usinas eólicas, igual tem lá no Nordeste. Com tanto vento assim não é possível que não seja viável. Ia movimentar a economia do município. Está precisando”, sugere.

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O Atlas de Potencial Eólico do Paraná, feito pela Copel, avalia condições favoráveis de vento na cidade, mas a viabilidade é maior em outras regiões do Estado. Palmas, no extremo-sul, que inclusive já tem uma usina eólica, apresenta as melhores condições do Estado. Destacam-se ainda as regiões de Guarapuava e os Campos Gerais, entre Castro e Tibagi. Pelos custos elevados, as chances da criação de uma central eólica na região da Serra do Cadeado, pelo menos por enquanto, são baixas.

Já em São Jerônimo da Serra, segunda cidade mais alta do Norte do Paraná, com 976 metros, as condições são um pouco melhores. O estudo ressalta os ventos de 7 metros a 7,5 metros por segundo a 75 metros de altura. “Perto de Londrina, a viabilidade de um projeto na região está condicionada a investimentos em acessos a locais elevados, onde os ventos são mais promissores”, traz o diagnóstico.

TURISMO

Além de potencial energético, São Jerônimo tem em seu relevo acidentado espaço para a exploração do turismo rural e de aventura. À margem direita do Rio Tibagi, está localizado o Morro do Taff, que ao lado do vizinho Pico Agudo, em Sapopema, formam a cadeia de morros que estão entre os mais altos do Norte do Paraná. Sem uma infraestrutura mais avançada, o perfil dos visitantes se resume aos mais aventureiros.

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