A ex-vereadora Marly de Fátima Ribeiro, a Mara Boca Aberta (PL), teve seu registro de candidatura a deputada estadual indeferido neste domingo (13) pelo TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná). Ela foi alvo de três impugnações ao registro, uma delas apresentada pelo MPE (Ministério Público Eleitoral). Cabe recurso da decisão.

A relatora do processo, juíza Nicole Trauczynski, afirmou que Mara foi condenada, em 2025, a oito anos de inelegibilidade pelo TRE-PR no âmbito de duas AIJEs (Ações de Investigação Judicial Eleitoral)

A condenação está relacionada à campanha de 2022, quando Mara concorreu a deputada federal e seu filho, Matheus Vinicius Ribeiro Petriv, o Boca Aberta Jr., disputou uma cadeira na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná). Na ocasião, o TRE-PR entendeu que recursos do fundo eleitoral destinados à candidatura de Mara foram utilizados para custear materiais que divulgavam a candidatura juridicamente inexistente de Emerson Miguel Petriv, o Boca Aberta, marido dela, ao Senado. A defesa recorreu, e o caso ainda está em análise no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

“Embora tenham sido interpostos recursos, não houve concessão de efeito suspensivo pelo TSE. Assim, no meu entender, permanece vigente a inelegibilidade”, afirmou Nicole Trauczynski. “A interposição de recursos eleitorais não afasta, por si só, a incidência dessas causas de inelegibilidade decorrentes da decisão colegiada.”

Segundo a magistrada, também não foi comprovada a quitação eleitoral da candidata.

OUTRO LADO

Em nota encaminhada à reportagem, o advogado João Marcos de Carvalho Pedra, que representa Mara Boca Aberta, disse ter recebido com surpresa a decisão de indeferimento do registro de candidatura. “A candidata encontra-se plenamente habilitada para concorrer ao pleito, razão pela qual a defesa entende que existem fundamentos jurídicos suficientes para a reforma da decisão”, afirmou o advogado. “Com absoluto respeito ao entendimento adotado pelo TRE-PR e às instituições da Justiça Eleitoral, a defesa informa que adotará as medidas recursais cabíveis, buscando, pelas vias processuais adequadas, a revisão do julgamento e o consequente deferimento do registro de candidatura.”

A nota afirma ainda que a defesa “seguirá atuando com serenidade e dentro dos estritos limites legais para assegurar à candidata o pleno exercício de seus direitos políticos”.

Após a FOLHA solicitar um posicionamento de Mara, Boca Aberta entrou em contato e afirmou que não foi apresentada no processo uma “certidão de comprovação de parcelamento de multa eleitoral”, o que, segundo ele, resolveria essa pendência. O documento será enviado ao TRE-PR na próxima semana, disse.

Quanto à condenação nas AIJEs, Boca Aberta sustentou que “é primeiro grau” e “está com efeito suspensivo”. “O que pegou foi a multa eleitoral”, afirmou.

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