STF determina que Filipe Barros seja ouvido no inquérito contra fake news
A operação da Polícia Federal contra notícias falsas também mira oito deputados bolsonaristas, que não foram alvos de mandados
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de maio de 2020
A operação da Polícia Federal contra notícias falsas também mira oito deputados bolsonaristas, que não foram alvos de mandados
Reportagem local 

A operação da Polícia Federal contra fake news mira oito deputados bolsonaristas, entre eles o londrinense Filipe Barros (PSL). Eles não são alvo de mandados de busca e apreensão, mas o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que sejam ouvidos em dez dias e que suas postagens em redes sociais sejam preservadas.
Além de Barros, foram citados para prestar esclarecimentos os deputados federais Bia Kicis (PSL-DF), Carla Zambelli (PSL-SP), Daniel Lúcio da Silveira (PSL-RJ), Junio do Amaral (PSL-MG), Luiz Phillipe Orleans e Bragança (PSL-SP), além dos deputados estaduais Douglas Garcia (PSL-SP) e Gil Diniz (PSL-SP).
Por meio de nota oficial, Barros disse que até o momento não houve nenhuma entrega de notificação para que ele preste depoimento à PF, em nenhum de seus endereços, nem pessoalmente. "Afirmo ainda que tenho o direito de me manifestar livremente contra posturas equivocadas e autoritárias de ministros do STF. Prosseguirei fazendo críticas contra essas pessoas sempre que julgar necessário. Tenho consciência de que represento parte da população que também não concorda com tais abusos, e os eleitores que confiaram o voto a mim esperam que eu faça exatamente aquilo que tenho feito. Por isso, reafirmo, não me calarei", afirmou o deputado, sugerindo em seguida que o STF procura uma "ruptura institucional".
"Aparentemente, o que o STF está querendo com essas hostilidades aos apoiadores do presidente Bolsonaro nas redes sociais, a deputados federais e às Forças Armadas, é provocar uma ruptura institucional para, depois, acusar a direita de antidemocrática, abrindo caminho para o retorno ao poder de PT e PSDB, os partidos responsáveis pela indicação da maior parte dos atuais integrantes do STF. Esse novo abuso do STF precisa ser insistentemente exposto e severamente criticado. Farei minha parte", finalizou.
LONDRINA É PALCO DE APREENSÕES
Em Londrina, houve o cumprimento de ao menos um mandado de busca e apreensão, na residência do youtuber Bernardo Pires Küster. A PF não confirma quantos mandados foram cumpridos em Londrina ou no Paraná.
Kuster é diretor de opinião do site de direita Brasil Sem Medo e teve apreendidos o cumputador, o celular, um tablet que não usava e um HD (disco rígido) de backuo do computador da mãe, falecida há seis anos. “Eles (policiais federais) chegaram às 6h na minha casa, com um mandado de busca e apreensão que não citava nenhum fato e não dava nenhuma razão. Simplesmente apreenderam minhas coisas e foram embora’, afirma.
Segundo Küster, o computador e o celular são essenciais para suas atividades profissionais no site que edita, para a produção de vídeos no canal do Youtube, gerenciamento de sua livraria digital, sua produção intelectual e tradução de livros e artigos. Além disso, afirma, em sua decisão, o ministro determinou o bloqueio de suas redes sociais. “Não se trata apenas tirar meu direito de falar, não é só apreender meus meios de ganhar o sustento. Eles estão censurando a pessoa em si. Na época do regime militar, cortavam uma notícia [dos jornais]. Hoje, estão cortando o jornalista”, reclama.
A OPERAÇÃO
A Polícia Federal cumpre 29 mandados de busca e apreensão no chamado inquérito das fake news, que apura ofensas, ataques e ameaças contra ministros do STF. O ex-deputado Roberto Jefferson, o empresário Luciano Hang (dono da Havan), assessores do deputado estadual paulista Douglas Garcia (PSL) e ativistas bolsonaristas estão entre os alvos.
O principal foco da operação é um grupo suspeito de operar uma rede de divulgação de notícias falsas contra autoridades, além de quatro possíveis financiadores dessa equipe. As ordens foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e estão sendo executadas no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. A investigação corre em sigilo.
ALIADO
Um dos alvos é o ex-deputado federal Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB e novo aliado do presidente Jair Bolsonaro. De acordo com as investigações, o ex-parlamentar fez ameaças à democracia ao publicar uma foto com um fuzil "os traidores".
Ex-aliado de Fernando Collor de Melo e um dos condenados no escândalo do mensalão, Jefferson preside um dos partidos do centrão e passou a defender efusivamente Bolsonaro nos últimos tempos. Outros alvos da operação são os bolsonaristas Allan dos Santos (blogueiro) e Sara Winter (ativista). (Com Fábio Fabrini/Folhapress)
(Atualizado às 19h10)


