STF condiciona aceitação de delação de Vorcaro à devolução de dinheiro
Defesa do ex-dono do Banco Master entregou nesta quarta (6) a proposta à PF e à PGR, que vão analisar documentos para um possível acordo
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quarta-feira, 06 de maio de 2026
Defesa do ex-dono do Banco Master entregou nesta quarta (6) a proposta à PF e à PGR, que vão analisar documentos para um possível acordo

Brasília - Os advogados do ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro entregaram, nesta quarta-feira (6), à PF (Polícia Federal) e à PGR (Procuradoria-Geral da República) a proposta de delação premiada acerca das investigações que apuram fraudes bilionárias no mercado financeiro. No entanto, o STF (Supremo Tribunal Federal) condicionou a aceitação da proposta à devolução imediata do dinheiro desviado por meio de corrupção no Master.
Caberá à PF e à PGR checar o conteúdo da delação, entregue em um pen drive, para ver se há novos elementos e provas para embasar os inquéritos. A análise pode durar até dois meses, segundo os agentes. Se a documentação for aceita, será encaminhada para o ministro André Mendonça, que é o relator do caso no STF.
O investigação no Banco Master começou em novembro do ano passado com a liquidação por insolvência da instituição financeira, que deixou cerca de R$ 40,6 bilhões em dívidas para aproximadamente 800 mil investidores.
Mas acabou se transformando em uma investigação que aponta para vínculos suspeitos entre Vorcaro e figuras da política e do Judiciário, a poucos meses das eleições presidenciais.
Vorcaro foi preso em 4 de março, em São Paulo, pela segunda vez, de forma preventiva. O cunhado dele, Fabiano Zettel, também foi detido e permanece em um presídio.
O ajudante de Vorcaro, Luiz Phillipi Mourão também foi preso e acabou cometendo suicídio na sede da PF em Belo Horizonte. Apelidado de Sicário, Mourão era responsável pelo monitoramento e obtenção de informações sigilosas de pessoas consideradas adversárias dos interesses do banqueiro. De acordo com Mendonça, Vorcaro mantinha uma estrutura voltada à vigilância e intimidação de pessoas vistas como contrárias aos interesses do grupo financeiro.
A ordem de prisão do STF descreve uma organização criminosa com quatro núcleos: fraude financeira, corrupção de funcionários do Banco Central, lavagem de dinheiro e um braço de intimidação que teria monitorado ilegalmente jornalistas, ex-funcionários e autoridades.
Em depoimento à PF, Vorcaro admitiu ter "amigos de todos os poderes".
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SAÍDA DE TOFFOLI
O caso forçou a saída do ministro José Dias Toffoli como relator do processo, após virem à tona vínculos entre o magistrado e o entorno de Vorcaro. Toffoli negou qualquer irregularidade.
Toffoli é um dos sócios do resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro no Norte do Paraná. O empreendimento foi comprado junto à família do ministro por um fundo de investimentos ligado ao Master e investigado pela PF.
Após uma série de reportagens e sob muita pressão, o ministro se declarou suspeito para julgar a prisão de Vorcaro e a relatoria passou para André Mendonça.


Da Redação
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