Brasília - Decisões tomadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltaram a movimentar os bastidores políticos de Brasília. Indicado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mendonça autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal do senador e ex-líder do governo Jaques Wagner (PT-BA) e determinou o prosseguimento de diligências investigativas relativas ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O anúncio ocorreu três dias antes de o presidente Lula ser oficializado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) como candidato à reeleição nas eleições de outubro.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a investigação busca determinar se Lulinha atuou para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes em tratativas junto ao Ministério da Saúde relacionadas à comercialização de cannabis medicinal.

O lobista, conhecido como Careca do INSS, é um empresário que está preso desde setembro, apontado como uma das figuras centrais de um esquema de fraude bilionária contra aposentados e pensionistas.

O escândalo, que veio à tona em abril do ano passado, levou à demissão do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, e do presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior.

"Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas", reagiu Lula durante uma entrevista ao podcast Inteligência Ltda., após a divulgação da decisão de Mendonça.

A abertura dessa investigação soma-se a outra frente que Lulinha enfrenta desde fevereiro, quando uma comissão do Congresso autorizou a investigação de suas contas bancárias por suspeitas de que ele teria atuado como "sócio oculto" em empreendimentos supostamente financiados com recursos desviados desse mesmo esquema.

Lula, que foi condenado em 2018 em um caso de corrupção antes de ter sua condenação anulada após passar mais de um ano e meio na prisão, será proclamado oficialmente candidato presidencial do PT no próximo domingo, em São Paulo. O presidente, 80, enfrentará Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso por tentativa de golpe de Estado.

Flávio questionou um suposto tratamento desigual da polícia. "Já imaginaram se o filho do presidente Jair Bolsonaro fosse suspeito de receber dinheiro desviado de aposentados? Vocês tinham alguma dúvida de que tava todo mundo preso, afastado do cargo, com força-tarefa, imprensa em cima sem parar, falando disso todo dia?", comentou, durante uma transmissão ao vivo.

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CASO WAGNER

No caso de Jaques Wagner, a Polícia Federal investiga se o senador teria recebido vantagens financeiras ilícitas em esquemas de intermediação de interesses no governo federal e na gestão estadual da Bahia. A decretação da quebra de sigilo bancário e fiscal visa analisar a movimentação de contas pessoais e de pessoas ligadas ao parlamentar no âmbito dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, buscando identificar eventuais fluxos atípicos.

Em notas reproduzidas pela imprensa, a defesa de Jaques Wagner afirma que todas as suas movimentações financeiras são lícitas, transparentes e compatíveis com a sua renda. Os advogados destacam que o parlamentar segue à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos.

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