Servidores municipais de Londrina cobram reposição inflacionária no orçamento
Funcionalismo londrinense lotou galerias da Câmara durante audiência pública para discutir a Lei Orçamentária Anual do próximo ano
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Funcionalismo londrinense lotou galerias da Câmara durante audiência pública para discutir a Lei Orçamentária Anual do próximo ano

Centenas de servidores municipais lotaram as galerias da CML (Câmara Municipal de Londrina) na noite de quarta-feira (14), durante a audiência pública sobre a LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2027, que estima uma receita de R$ 3,98 bilhões para Londrina no próximo ano. Com faixas e palavras de ordem, o funcionalismo cobrou a previsão de reposição inflacionária dos salários, que não está garantida na redação original da peça orçamentária.
O PL (Projeto de Lei) 273/2026, que estima as receitas e fixa as despesas municipais, foi aprovado em primeiro turno em setembro, em uma votação protocolar. Após passar por audiência pública, o texto deverá voltar ao plenário para votação definitiva até meados de dezembro, podendo receber emendas.
A discussão sobre o orçamento ocorre poucos dias após o prefeito Tiago Amaral (PSD) formalizar medidas de contingenciamento de despesas e limitar os gastos com horas extras do funcionalismo. As ações estão entre as adotadas pela administração para tentar amenizar um déficit projetado da ordem de R$ 205 milhões nas contas municipais.
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'FUTURO INCERTO'
Ao defender a recomposição durante a audiência, o presidente do Sindserv (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina), Fábio Molin, ressaltou que os mais de 10 mil servidores ativos são responsáveis pela execução das políticas públicas do município. “Se existe um compromisso real que o servidor é prioridade, nesta lei orçamentária que estamos debatendo, esse discurso está bem distante”, criticou Molin. “O futuro é incerto porque não foi escrito ainda, mas podemos prever que os servidores não vão pagar essa conta sozinhos.”
No ano passado, durante as discussões sobre o orçamento de 2026, a recomposição inflacionária também gerou polêmica na Câmara, diante da previsão, no PPA (Plano Plurianual), de parcelamento do percentual. O Executivo acabou alterando a previsão e, em março deste ano, concedeu a recomposição de 4,3% em parcela única.
Das galerias lotadas, vários servidores discursaram em defesa da categoria e cobraram garantias de que o índice inflacionário será recomposto no próximo ano. “Sabemos que a inflação corrói o nosso salário e é o nosso direito”, disse uma professora. “Estamos pedindo o respeito à nossa carreira, à nossa história e ao trabalho que realizamos com competência, dedicação e compromisso à educação de cada uma das crianças dessa cidade.”
'EQUACIONAR AS DESPESAS'
Em entrevista à imprensa, o secretário municipal de Planejamento e Orçamento, Marcos Rambalducci, afirmou que os salários representam 60% do orçamento estimado para o próximo ano e que é necessário equacionar as despesas para alcançar o equilíbrio fiscal.
“Na LOA não está escrito que daremos a reposição, mas também não está escrito que não daremos a reposição. É necessário analisar como será o comportamento da receita para que consigamos dar essa reposição, que é do interesse do prefeito e de toda essa gestão. O objetivo fundamental é conseguir garantir esta reposição”, disse o titular da pasta.
“O fato é que, neste momento, ainda não conseguimos cravar e colocar por escrito em uma lei orçamentária que ela será dada. Lembrando que, na rubrica de pessoal, fizemos uma recomposição de 4,2%. Ela não é suficiente para cobrir toda a despesa inflacionária do período, mas é uma maneira de entender que podemos renegociar a forma de fazer essa reposição, bastando que nosso orçamento dê a resposta que precisamos”, acrescentou.
Com a realização da audiência pública, a tramitação do Orçamento de 2027 entra agora na fase de apresentação de emendas pelos vereadores. As propostas de alteração poderão ser protocoladas ao longo dos próximos dez dias úteis e serão analisadas pela Comissão de Finanças e Orçamento antes de o projeto retornar ao plenário para a votação final.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.





