A oito dias do primeiro turno das eleições, que ocorre em 4 de outubro, os candidatos ao governo do Paraná vão intensificar o corpo a corpo com os eleitores em diferentes regiões do Estado. As agendas deste fim de semana, o último antes da votação, evidenciam as diferentes estratégias adotadas pelas campanhas para a reta final.

O senador Sergio Moro (PL), que aparece na liderança com 36% das intenções de voto na última pesquisa Quaest*, divulgada na quinta-feira (24), deve concentrar sua agenda em Maringá (Noroeste), sua cidade natal, neste sábado (26). A programação divulgada pela campanha prevê uma carreata às 16h e a participação na solenidade de entrega do Prêmio Empresário do Ano, às 20h, no Paraná Expo. No domingo (27), o senador vai a Curitiba. Às 10h, participa da Feira do Largo da Ordem e, ao meio-dia, do 34º Haru Matsuri.

Procurada pela FOLHA, a campanha de Moro disse que a prioridade nestes últimos dias será a presença nas ruas e o contato direto com os eleitores, além das gravações dos últimos programas de rádio e televisão e da preparação para o último debate previsto. “Certeza que com a força Bolsonaro munida ao espírito da Lava Jato trará a vitória já no primeiro turno”, escreveu a candidatura em nota.

Empatado com Sandro Alex (PSD) na Quaest, com 20%, Requião Filho (PDT) ainda não havia fechado toda a agenda do fim de semana até a tarde desta sexta-feira (25), mas confirmou presença em Londrina na manhã de sábado. O candidato fará uma carreata a partir das 9h, com concentração em frente à Prefeitura. Até o fechamento desta reportagem, a campanha de Requião Filho não havia se manifestado sobre o foco nos próximos dias.

Sandro Alex, por sua vez, terá um sábado marcado por uma sequência de compromissos em Ponta Grossa, sua principal base eleitoral, e na Região Metropolitana de Curitiba. A agenda começa às 7h50, com uma entrevista à distância e ao vivo para uma rede de rádios de Apucarana, Maringá e Paranavaí. Às 9h, o candidato participa de uma caminhada em São José dos Pinhais. Às 10h30, faz uma carreata ao lado do governador Ratinho Junior (PSD), em Ponta Grossa. Depois, volta à região da capital para outras três carreatas: às 13h30, em Curitiba; às 15h, em Pinhais; e às 17h, novamente em São José dos Pinhais.

A previsão é de novas carreatas no domingo, mas a programação ainda não havia sido divulgada até o fechamento desta reportagem.

À FOLHA, a campanha de Sandro Alex afirmou que a estratégia para os próximos dias é conquistar o voto dos indecisos a partir da proximidade com Ratinho Junior, da passagem do candidato pela administração estadual e da divulgação de seus “princípios e valores”. “As ações de rua junto com a população serão intensificadas, com diversas carreatas e caminhadas. Sandro Alex está crescendo nas pesquisas e a maioria do eleitorado indica que Ratinho Junior merece eleger o seu sucessor”, concluiu em nota.

CORPO A CORPO

Para o professor e advogado Nilso Paulo da Silva, especialista em direito eleitoral, a essa altura da campanha boa parte do que poderia ser produzido em estúdio já está pronta. Nos últimos dias, afirma, ganha peso o contato direto com o eleitor. “É procurar o eleitor, chamar atenção dele rapidamente, dizer para aqueles que ainda não decidiram que tomem a decisão segundo a sua proposta. Vai ser uma semana muito intensa de corpo a corpo”, avalia.

Silva destaca que os três candidatos também procuram associar suas campanhas a lideranças políticas com capacidade de mobilizar diferentes parcelas do eleitorado.

“O apelo é vincular-se a outro líder político. Sandro Alex colando a imagem dele na liderança política do governador Ratinho Junior; Moro colando na liderança política de Flávio Bolsonaro, de Jair Bolsonaro; e Requião Filho colando a sua imagem no atual presidente da República e também a própria vinculação com o Roberto Requião”, aponta. "Todos buscam essa relação com outras figuras políticas, é uma estratégia, mas o corpo a corpo não pode ser abandonado."

Segundo o especialista, a reta final ganha importância especialmente para o eleitor que acompanhou a campanha até aqui sem definir o voto. Ele também chama atenção para características particulares da disputa deste ano, como as ausências de candidatos em debates e o papel mais reduzido dos tradicionais cabos eleitorais. “Agora precisa fazer com que aquele velho cabo eleitoral seja um braço forte do candidato na reta final”, afirma.

DISPUTA PELO SEGUNDO TURNO

O analista político Elve Cenci também vê os últimos dias como particularmente importantes para Requião Filho e Sandro Alex. Na Quaest, os dois aparecem empatados com 20% das intenções de voto.

“Requião Filho tem um ativo importante: a memória dos governos do pai. Sandro Alex pode se apoiar em Ratinho Junior, enquanto Moro retorna à sua cidade de origem. São estratégias distintas na busca pelos eleitores indecisos e na tentativa de enfrentar um problema importante das últimas eleições: mesmo com punições, é difícil fazer com que uma parcela significativa dos eleitores saia de casa para votar”, pontua.

O analista também chama atenção para o espaço ocupado pelo interior do Estado na reta final, com Requião Filho e Moro escolhendo Londrina e Maringá, respectivamente, para os atos deste sábado.

Para Cenci, porém, o alcance dessas mobilizações não termina quando a carreata ou a caminhada acaba. As imagens produzidas nas ruas alimentam uma segunda disputa, travada nas redes sociais.

“O número de pessoas que enxergam os candidatos em uma passeata faz toda a diferença. Essa visibilidade se converte depois em curtidas nas redes sociais por parte de apoiadores, candidatos e cabos eleitorais. E, nas campanhas de hoje, a visibilidade na internet é o ativo mais importante. Mais importante até mesmo do que a própria campanha tradicional”, completa.

*A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número PR-02802/2026. O levantamento foi contratado pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, e ouviu 804 eleitores de 16 anos ou mais entre 20 e 23 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

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